Gálatas capítulos 1 ao 6

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Gálatas
Capítulo 1

1-5Eu, Paulo, com meus companheiros na fé, envio saudações às igrejas da Galácia. Minha autoridade para escrever a você não vem de ninguém nem procede de alguém de hierarquia superior, mas diretamente de Jesus, o Messias, e de Deus, o Pai, que o ressuscitou dos mortos. Fui convocado por Deus. Quero saudá-los com as belas palavras “graça” e “paz”! São belas, pois nos lembram como Jesus Cristo nos resgatou do mundo maligno em que vivemos quando se ofereceu em sacrifício por nossos pecados. A vontade de Deus é que experimentemos esse resgate. Glória a Deus para sempre! Amém!
A MENSAGEM

6-9Não posso acreditar no que ouvi! Como podem ser tão inconstantes? Como resolvem abraçar outra mensagem? Vocês estão traindo aquele que os chamou para a graça de Cristo. E vocês sabem que não se trata de detalhes irrelevantes: é outra mensagem! Completamente diferente! É mentira deslavada sobre Deus. Os responsáveis por essa agitação estão virando a Mensagem de Cristo de pernas para o ar. Quero deixar bem claro: se algum de nós — até mesmo um anjo do céu — pregar uma mensagem diferente da verdadeira e original, seja amaldiçoado. Vou repetir: se alguém — não importa a reputação ou as credenciais que possua — pregar uma mensagem diferente da que vocês receberam no início, seja amaldiçoado!

10-12Acham que falo desse modo para manipular alguém? Ou para impressionar o próprio Deus? Ou para ganhar aplausos do povo? Se meu alvo fosse popularidade, eu não seria escravo de Cristo. Saibam que a Mensagem que transmiti a você não é mero discurso motivacional. Eu não a recebi de nenhuma tradição nem a aprendi em alguma escola. Eu a recebi diretamente de Deus e de Jesus Cristo.

13-16Estou certo de que vocês ouviram a história da minha vida, quando eu vivia no judaísmo. Na época, eu perseguia a igreja de Deus. Meu objetivo era destruí-la. Ninguém me superava no apego às tradições dos nossos antepassados. Mas Deus tinha planos para minha vida. Quando eu ainda estava no ventre da minha mãe, ele me escolheu e me chamou, por sua graça, cheia de generosidade! Por sua intervenção, revelou seu Filho a mim para que eu o anunciasse aos outros povos, os que não são judeus.

16-20Logo depois desse meu chamado, fui para a Arábia. Não consultei ninguém e não fui a Jerusalém me aconselhar com os que já eram apóstolos. Mais tarde, voltei a Damasco. Três anos depois, fui a Jerusalém para conhecer Pedro e saber mais sobre a fé. Foram apenas quinze dias — mas que dias, aqueles! Com exceção de Tiago, irmão do Senhor, não vi nenhum outro apóstolo. Diante de Deus, estou falando a pura verdade.

21-24Então, comecei meu ministério nas regiões da Síria e da Cilicia. Mesmo depois de todo aquele tempo, eu ainda não era conhecido nas igrejas cristãs da Judeia. O que sabiam de mim era apenas isto: “Aquele homem que antes nos perseguia agora está pregando a mesma mensagem que tentou destruir”. E como eles agradeceram a Deus e o adoraram por minha causa!

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Capítulo 2

A NOVA VIDA

1-6Catorze anos depois daquela primeira visita, Barnabé e eu subimos a Jerusalém e levamos Tito conosco. O propósito era esclarecer o que me fora revelado e apresentei a eles exatamente o que eu estava pregando aos que não são judeus. Foi uma reunião com os líderes mais estimados da igreja, porque não queríamos que o assunto fosse motivo de debate público, trazendo tensão. Isso poderia prejudicar anos de trabalho e também meu ministério. É bom dizer que Tito, que não é judeu, não teve de se circuncidar. Mas houve alguns que se infiltraram na conferência, passando-se por cristãos. Eles vieram espionar a liberdade espiritual dos seguidores de Cristo. O propósito deles era nos reduzir à escravidão legalista, mas nós não demos chance a eles. Não podíamos permitir que vocês deixassem de lado a verdadeira Mensagem.

6-10Quanto aos que eram considerados importantes na igreja, a reputação deles não me incomodou. Eu não me impressiono com aparências. Quanto mais Deus! Nenhum deles acrescentou nada à mensagem que eu prego. Logo ficou evidente que Deus me havia confiado a tarefa de pregar aos não judeus a mesma mensagem pregada por Pedro aos judeus. Reconhecendo que Deus tinha me chamado, Tiago, Pedro e João — colunas da igreja — receberam a mim e a Barnabé e nos designaram para o ministério aos demais povos. E eles continuavam alcançando os judeus. Apenas acrescentaram um pedido: que nos lembrássemos dos pobres, o que é meu desejo profundo.

11-13Depois disso, Pedro veio a Antioquia. Acabei tendo de confrontá-lo, pois ele errou feio. Vou contar como foi. Antes que algumas pessoas da parte de Tiago chegassem à cidade, Pedro comia normalmente com os que não eram judeus. Mas, depois que o grupo de Jerusalém chegou, todos conservadores, ele começou a evitar todo contata com seus amigos não judeus. Isso provou que ele tinha medo do grupo conservador judaico, que tentava fazer valer o velho sistema da circuncisão. Infelizmente, o restante dos judeus da igreja de Antioquia aderiu à hipocrisia — até mesmo Barnabé.

14Quando vi que eles não se comportavam de acordo com a Mensagem, contestei Pedro na frente de todos: “Se você que é judeu, não segue as regras judaicas quando não está sendo observado pelos guardiões de Jerusalém, que direito tem de exigir que os não judeus se adaptem aos costumes judaicos, só para causar boa impressão aos seus velhos amigos de Jerusalém?”.

15-16A verdade é a seguinte: nós, judeus, não somos superiores aos demais pecadores. Sabemos muito bem que não somos justificados diante de Deus por guardar regras, mas apelas pela fé em Jesus Cristo. Como sabemos disso? Nós tentamos — e com o melhor sistema de regras do mundo! Sabendo que ninguém pode agradar a Deus por esforço próprio, cremos no Messias para sermos justificados por Deus. Isso nunca acontecerá por praticarmos o bem.

17-18Já perceberam que ainda não somos perfeitos? Grande novidade! Mas, vendo que gente como eu — que creu em Cristo e foi justificado por Deus — não é perfeita, teriam vocês a ousadia de acusar Cristo de ser conivente com o pecado? Que acusação leviana! Se eu tentasse ser justo praticando o bem, estaria reconstruindo aquilo que destruí. Estaria agindo como um charlatão.

19-21Explico o que aconteceu comigo: tentei guardar regras e me esforçar para agradar Deus, mas isso não funcionou. Então, desisti de ser um “homem da lei” para me tornar um “homem de Deus”. A vida de Cristo me mostrou como fazer isso e me deu capacidade de viver assim. Eu me identifico totalmente com ele. De fato, fui crucificado com Cristo. Meu ego não ocupa mais o primeiro lugar. Pouco me importa parecer justo ou ter um bom conceito entre vocês: não estou mais tentando impressionar Deus. Agora Cristo vive em mim. A vida que vivo não é “minha”, mas é vivida pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. E eu não volto mais atrás. Não está claro que voltar para a velha religião de guardar regras e agradar os outros é abandonar a nova vida de relacionamento com Deus? Não posso desprezar a graça de Deus! Se é possível ter um relacionamento vivo com Deus apenas guardando regras, Cristo morreu em vão.

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Capítulo 3

CONFIANÇA EM CRISTO, NÃO NA LEI

1Meu queridos gálatas, vocês ficaram malucos! Alguém os enfeitiçou? Perderam o juízo? Algo muito estranho aconteceu, pois é óbvio que Jesus crucificado não está mais no centro da vida de vocês. E vejam que o seu sacrifício na cruz foi apresentado a vocês com muita clareza.

2-4Permitam-me perguntar: Como começou a nova vida de vocês? Foi resultado do esforço para agradar a Deus? Ou foi por terem aceitado a Mensagem de Deus? Pretendem continuar com essa loucura? É preciso perder o juízo para pensar que é possível completar por esforço próprio aquilo que foi iniciado por Deus. Se vocês não foram capazes o bastante para começar a obra de Deus, acham que podem aperfeiçoá-la? Será que tudo o que sofreram foi inútil? Cuidado: Vocês podem perder tudo o que alcançaram.

5-6Respondam-me: Será que Deus, que os presenteia com sua presença, com seu Espírito Santo, que realizou em vocês o que jamais conseguiriam fazer por esforço próprio, fez tudo isso por causa do esforço de vocês ou porque vocês confiaram a ele esse trabalho? O que acontece com vocês não é diferente do que ocorreu com Abraão. Ele creu em Deus, e esse ato de fé transformou-se numa vida justificada por Deus.

7-8Não é óbvio que quem deposita confiança em Cristo (mas não na Lei!) é como Abraão, filho da fé? Está previsto nas Escrituras que Deus justificaria os não judeus pela/é. As Escrituras deixam isso muito claro na promessa feita a Abraão: “Por seu intermédio todas as nações serão abençoadas”.

9-10Portanto, quem agora vive pela fé tem a mesma bênção de Abraão, que viveu pela fé. Não se trata de uma doutrina nova! É antiga e mostra que todo o. que tentar viver a justiça por esforço próprio, independentemente de Deus, está destinado ao fracasso. As Escrituras resumem isso assim: “Maldito aquele que não consegue cumprir tudo que está escrito no Livro da Lei”.

11-12A impossibilidade óbvia de se cumprir um código moral como esse deixa claro que ninguém pode ter um relacionamento com Deus nessa base. Só pode ter um relacionamento real com Deus quem aceita o caminho de Deus, Fazer alguma coisa por Deus é o oposto de deixá-lo fazer por nós. Habacuque disse tudo: “Quem crê em Deus é justificado por Deus — e essa é a vida real”. A observância das regras jamais chegará à vida de fé. A pessoa apenas perpetuará o hábito de guardar regras, o que se vê nas Escrituras: “Aquele que faz estas coisas [observar as regras] continua vivendo por elas”..

13-14Cristo nos redimiu dessa vida amaldiçoada de derrotas, quando ele mesmo a absorveu. As Escrituras dizem: “Maldito é aquele que for pendurado num madeiro”. Foi o que aconteceu quando Cristo foi pregado na cruz: ele se transformou em maldição e ao mesmo tempo deu fim à maldição. Agora, por causa disso, está tudo resolvido, e vemos que a bênção de Abraão está disponível para quem não é judeu também. Todos agora podem receber a vida de Deus, o seu Espírito, que está em nós e conosco quando cremos — exatamente como Abraão o recebeu.

15-18Amigos, permitam-me citar um fato do cotidiano para ilustrar a vida de liberdade de que estou falando. Quando o testamento de alguém é ratificado, ninguém pode anulá-lo nem acrescentar-lhe nada. É o caso das promessas feitas a Abraão e ao seu descendente. Observem que as Escrituras, na linguagem cuidadosa de um documento legal, não dizem “aos descendentes”, referindo-se a todos em geral, mas “ao seu descendente” (a palavra está no singular), referindo-se a Cristo. Quero explicar esse texto: um testamento, mais tarde ratificado por Deus, não é anulado por um acréscimo anexado quatrocentos e trinta anos mais tarde. A promessa contida no testamento não foi negada. O adendo, com suas instruções e regras, não diz respeito à herança prometida no testamento.

18-20Então, qual o objetivo desse adendo que chamamos “lei”? Foi um acréscimo às promessas originais contidas na aliança feita com Abraão. O propósito da Lei era preservar um povo pecador na história da salvação até que Cristo (o “descendente”) viesse, herdando as promessas e concedendo-as também para nós. Evidentemente, a Lei não foi dada num encontro direto com Deus, mas foi dada por anjos e por um mediador, Moisés. Se há um mediador, como havia no Sinai, então o povo não se relaciona diretamente com Deus, não é mesmo? Mas a promessa original é a bênção direta de Deus, recebida pela fé.

21-22Estaria, então, a Lei contra a promessa? Seria uma negação da vontade de Deus para nós? Nunca! Seu propósito foi mostrar que não tínhamos um relacionamento de verdade com Deus, ou seja, mostrar como é absurdo esperar que um sistema religioso consiga sozinho o que só é possível, com fé, pelo cumprimento da promessa de Deus. Pois, se observar regras pudesse trazer vida para nós, nós já a teríamos obtido.

23-24A questão é que, enquanto ainda não havíamos chegado a ponto de responder com fé ao Deus vivo, fomos devidamente guardados e protegidos pela Lei Mosaica. A Lei era como aqueles tutores gregos, bem conhecidos de vocês, que conduzem as crianças à escola e as protegem de perigos ou distrações, certificando-se de que chegarão aonde devem ir.

25-27Mas agora que chegaram ao destino não precisam mais desse tutor. Pela fé em Cristo, vocês têm agora um relacionamento direto com Deus. O batismo que receberam em Cristo não foi um simples banho, mas um novo começo. Vocês também passaram a usar novas roupas: roupas de adulto na fé — a vida de Cristo, o cumprimento da promessa original de Deus.

NA FAMÍLIA DE CRISTO

28-29Na família de Cristo não pode haver divisões entre judeus e não judeus, escravos e livres, homens e mulheres. Entre vocês todos são iguais. Isto é, nós todos estamos em um relacionamento comum com Jesus Cristo. Agora que são a família de Cristo, vocês são também os famosos “descendentes” de Abraão, herdeiros de acordo com as promessas da aliança.

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Capítulo 4

1-3Permitam-me mostrar a vocês as implicações disso. Enquanto é menor de idade, o herdeiro não está em posição melhor que a do escravo. Ainda que legalmente seja dono da herança, estará submisso a tutores e administradores até a data estabelecida por seu pai para a emancipação. Assim acontece conosco. Como escravos, dependíamos dos dominadores deste mundo, sem autoridade sobre a própria vida, pois ainda não havíamos sido emancipados.

4-7Mas, quando chegou o tempo estabelecido, Deus enviou-nos seu Filho, nascido de uma mulher, sob as condições da Lei, para redimir os que estavam sob o domínio da Lei. Assim, fomos libertados para sermos filhos que têm direito à herança. Uma vez que fomos adotados como filhos, Deus enviou o Espírito do seu Filho ao nosso coração, o que nos dá o privilégio de chamá-lo: “Papai!”. Essa intimidade com Deus é para vocês que são filhos, não para escravos. E, como filhos, são também herdeiros, com pleno acesso à herança.

8-11Antes de conhecerem Deus pessoalmente, vocês eram escravos dos deuses — que nem deuses são! Mas agora que conhecem o Deus verdadeiro, ou melhor, agora que Deus conhece vocês, como podem se sujeitar novamente a esses pretensos poderes? É como temer o bicho-papão! E não é isso que vocês fazem quando observam tradições e superstições, associados a datas e festas especiais? Será que foi em vão tudo o que fiz por vocês?

12-13Meus queridos, gostaria muito que se pusessem em meu lugar. Afinal, foi o que eu fiz quando estive com vocês. Como vocês foram sensíveis e gentis! Em nada me prejudicaram. Quando preguei para vocês pela primeira vez, estava doente e nem pude prosseguir jornada.

14-16Sei que não é fácil receber um hóspede doente, mas vocês me trataram tão bem como se eu fosse um anjo de Deus ou como se tivessem recebendo o próprio Jesus! O que aconteceu com toda aquela alegria? Sei que vocês teriam me dado os próprios olhos, se fosse preciso, tal era o carinho com que cuidaram de mim! E agora, de uma hora para outra, parece que virei inimigo de vocês! Foi só por dizer a verdade? Não posso acreditar!

17Os pregadores de heresias tentam agradá-los de todo jeito. É pura bajulação! Eles querem acabar com a liberdade que a graça de Deus dá a vocês. O objetivo deles é fazê-los dependentes da aprovação e da orientação que pretendem dar. Querem apenas se sentir importantes.

18-20E muito bom que vocês sempre façam o bem! Mesmo quando não estou por perto. Por que mudar de atitude para comigo quando estou longe? Querem saber como me sinto agora até que a vida de Cristo seja uma realidade na vida de vocês? Como mãe em dores de parto! Ah! Como eu queria estar com vocês! Eu nem falaria nesse tom tão severo, abrindo o coração.

21-31E, vocês que são viciados na Lei, já deram pelo menos uma olhada no que ela diz? Abraão teve dois filhos: um da escrava e outro da livre. O filho da escrava nasceu por iniciativa humana; o filho da livre nasceu pela promessa de Deus. A ilustração é clara: as duas histórias mostram dois modos de relacionamento com Deus. A primeira fala do monte Sinai, na Arábia. Representa o que acontece em Jerusalém: uma vida escrava que produz escravos como descendentes. É o caminho de Hagar. A segunda fala da Jerusalém invisível, uma Jerusalém livre, nossa mãe. É o caminho de Sara. Lembrem-se do que Isaías escreveu: Alegre-se, ó estéril, você que nunca teve um filho! Exulte e cante, você que nunca sofreu as dores do parto! Porque são mais os filhos da abandonada do que os filhos da mulher casada. Não está claro, meus queridos, que, como Isaque, vocês são filhos da promessa? Nos tempos passados, Ismael, o filho nascido por iniciativa humana, perseguiu Isaque, o filho da promessa, pelo Espírito. Não é o que vemos agora? A perseguição promovida pelos hereges de Jerusalém segue o modelo antigo! Há um texto nas Escrituras que nos diz o que fazer: “Expulse a escrava e seu filho, pois o filho escravo não será herdeiro com o filho livre”. Não somos filhos da escravidão, mas sim da liberdade que vem do Espírito.

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Capítulo 5

A VIDA DE LIBERDADE

1Cristo nos libertou para viver uma vida livre. Permaneçam nessa liberdade! Nunca mais aceitem sujeitar-se a nenhum tipo de escravidão.

2-3Quero enfatizar o seguinte: no momento em que vocês se submetem à circuncisão ou a qualquer outro sistema de regras, o dom da liberdade que Cristo conquistou com sofrimento acaba desperdiçado. Repito: quem aceita o sistema da circuncisão troca a maravilhosa vida de liberdade em Cristo pelas obrigações da vida de escravo da Lei.

4-6Creio que o que está acontecendo não era intenção de vocês. Quem escolhe viver de acordo com seus planos religiosos tentando ser justo se desliga de Cristo e está fora da graça. Mas nós vivemos a expectativa de um relacionamento com o Espírito que satisfaz. Em Cristo, nem nossa religião mais criteriosa nem a indiferença quanto a obrigações religiosas significam alguma coisa. O que importa é algo mais íntimo: a fé expressa em amor.

7-10Vocês estavam correndo muito bem! Quem os convenceu a se desviar do caminho da obediência? Por certo não foi aquele que os convocou para a corrida. Por favor, não pensem que isso é insignificante. Basta um pouquinho de fermento para levedar uma grande quantidade de massa de pão. Lá no fundo, o Senhor me deu a certeza de que vocês não vão desistir. Mas aquele que está perturbando vocês, seja quem for, enfrentará o juízo divino.

11-12Saibam que o boato de que continuo a pregar a circuncisão (como eu fazia antes de encontrar o Senhor na estrada de Damasco) é um absurdo. Por que, então, eu ainda seria perseguido? Se eu pregasse a velha mensagem, ninguém ficaria ofendido. Omitir a cruz diluiria tanto a mensagem que ninguém se importaria. Quero saber por que esses agitadores, tão obcecados pela circuncisão, não se circuncidam totalmente? Poderiam se castrar!

13-15Não há dúvida que Deus chamou vocês para uma vida de liberdade. Mas não usem essa liberdade como desculpa para fazer o que bem entendem, pois, assim, acabarão destruindo-a. Em vez disso, usem a liberdade para servir o próximo com amor. É assim que vocês serão cada vez mais livres, pois o ensino da Palavra de Deus resume-se numa única frase: ame o próximo como a você mesmo. Isso é que é liberdade. Se vocês vivem como cão e gato, vão acabar se destruindo. Querem perder a preciosa liberdade?

16-18Aqui vai o meu conselho: vivam nesta liberdade, motivados pelo Espírito de Deus; só assim vencerão seus impulsos egoístas. Pois há em nós uma raiz de egoísmo que guerreia contra a liberdade do Espírito! Esta liberdade é incompatível com o egoísmo. São dois modos de vida opostos: não dá para viver com os dois. Por quê não escolhem o caminho do Espírito? Só por ele poderão fugir dos impulsos inconstantes de uma vida dominada pela Lei.

19-21Todos conhecem o tipo de vida de uma pessoa que quer fazer o que bem entende: sexo barato e frequente, mas sem nenhum amor; vida emocional e mental detonada; busca frenética por felicidade, sem satisfação; deuses que não passam de peças decorativas; religião de espetáculo; solidão paranoica; competição selvagem; consumismo insaciável; temperamento descontrolado; incapacidade de amar e de ser amado; lares e vidas divididos; coração egoísta e insatisfação constante; costume de desprezar o próximo, vendo todos como rivais; vícios incontroláveis; tristes paródias de vida em comunidade. E, se eu fosse continuar, a lista seria enorme. Essa não é a primeira vez que venho advertir vocês: se usarem a liberdade desse modo, não herdarão o Reino de Deus.

22-23Mas vamos falar da vida com Deus. O que acontece quando vivemos no caminho de Deus? Deus faz surgir dons em nós, como frutas que nascem num pomar: afeição pelos outros, uma vida cheia de exuberância, serenidade, disposição de comemorar a vida, um senso de compaixão no íntimo e a convicção de que há algo de sagrado em toda a criação e nas pessoas. Nós nos entregamos de coração a compromissos que importam, sem precisar forçar a barra, e nos tornamos capazes de organizar e direcionar sabiamente nossas habilidades.

23-24O legalismo não produz nada disso; apenas atrapalha. Para quem pertence a Cristo, seguir o próprio caminho e deixar para depois as necessidades dos outros são atitudes que ficaram cravadas na cruz.

25-26Já que a vida do Espírito é o tipo de vida que escolhemos, convém lembrar que isso não é apenas uma ideia ou um sentimento no coração. Suas implicações devem ser realidade em cada área da nossa vida. Isso significa que não devemos ficar fazendo comparações, como se um fosse melhor que o outro. Temos coisa mais importante a fazer na vida. Ninguém é melhor do que ninguém. Cada pessoa tem valor singular e inestimável.

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Capítulo 6

NADA A NÃO SER A CRUZ

1-3Amigos, vivam com criatividade. Se alguém cair em pecado, restaurem-no com perdão. Guardem as críticas. Vocês podem precisar de perdão antes que o dia termine. Ajam com misericórdia e estendam a mão aos oprimidos. Compartilhem aquilo que pesa a vocês e cumpram, desse modo, a lei de Cristo. Se pensam que são bons demais para agir assim, estão muito enganados.

4-5Cada um examine com cuidado a si mesmo e a maneira segundo a qual está cumprindo a missão que recebeu e dedique atenção total a ela. Não fiquem admirando vocês mesmos nem se comparando com os outros. Cada um precisa assumir o compromisso de fazer o melhor que puder com sua vida.

6Vocês, que já chegaram à maturidade, sejam generosos com aqueles que os instruíram, compartilhando com eles tudo o que de bom possuem e experimentam.

7-8Não se enganem: ninguém faz Deus de bobo. Toda pessoa colhe o que plantou. Quem planta egoísmo, ignorando a necessidade dos outros — e a Deus! —, colherá o mal. O resultado de sua vida será frutos inúteis. Mas aquele que planta conforme Deus, permitindo que o Espírito faça a obra de crescimento nele, terá uma colheita de verdadeira vida, vida eterna.

9-10Portanto, não se cansem de fazer o bem. No tempo certo, teremos uma boa colheita, se não nos desesperarmos nem desistirmos. Cada vez que tivermos chance, trabalhemos para o benefício de todos, a começar pelos mais próximos de nós na comunidade de fé. "

11-13Nestas linhas finais, chamo atenção para os traços grossos da minha caligrafia, para ressaltar a importância do que escrevi. Aqueles que tentam impor a vocês a prática da circuncisão têm um único objetivo: querem parecer bons sem fazer esforço, pois não têm coragem de viver a fé que compartilha o sofrimento e a morte de Cristo. A doutrina deles nada é. Até porque nem eles guardam a Lei! Observam apenas as leis que interessam aos seus propósitos. Eles querem que vocês sejam circuncidados para que possam se orgulhar do sucesso em recrutá-los para o lado deles. Como são desprezíveis!

14-16Quanto a mim, não vou me orgulhar de nada a não ser da cruz do nosso Senhor Jesus Cristo. Por causa daquela cruz, fui crucificado aos olhos do mundo, libertado da atmosfera sufocante da necessidade de agradar os outros e me encaixar nos padrões mesquinhos ditados por eles. Percebem que esta é a questão principal? Não é o que fazemos, como submeter-se à circuncisão ou rejeitá-la. É o que Deus está fazendo, e ele está criando algo novo, uma vida livre! Todos os que caminham por esse padrão são o verdadeiro Israel de Deus, seu povo escolhido. Paz e misericórdia sejam com eles!

17Francamente, não quero mais ser incomodado com essas disputas. Tenho coisas mais importantes para fazer, como viver a fé com seriedade. Trago em meu corpo as cicatrizes do meu trabalho por Jesus.

18Que tudo que nos é concedido livremente pelo Senhor Jesus Cristo venha a ser de fato de vocês, meus queridos amigos. Amém!
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