Marcos capítulos 1 ao 16
Marcos
Capítulo 1
JOÃO, O BATISTA1-3As boas notícias acerca de Jesus Cristo — a Mensagem! — começam aqui; seguindo ao pé da letra o livro do profeta Isaías: Observem com atenção: Enviei meu mensageiro adiante de vocês; Ele preparará a estrada para vocês. Trovão no deserto! Preparem-se para a chegada de Deus! Tornem o caminho plano e reto!
4-6João, o Batista, apareceu no deserto pregando um batismo de mudança de vida que leva ao perdão dos pecados. As pessoas se atropelavam para ir a ele, desde a Judeia e Jerusalém e, enquanto confessavam seus pecados, eram batizadas por ele no rio Jordão, como sinal de uma vida transformada. João vestia uma túnica de pelo de camelo, amarrada à cintura por um cinto de couro. Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
7-8Sua pregação era esta: “O mais importante está por vir: O protagonista deste drama, perante o qual sou um simples figurante, mudará a vida de vocês. Eu os batizo aqui no rio, mudando a velha vida de vocês pela vida no Reino. O batismo dele — com o Espírito Santo — irá mudá-los de dentro para fora”.
9-11Nessa época, Jesus de Nazaré apareceu na Galiléia e foi batizado por João no Jordão. Assim que saiu da água, Jesus viu o céu aberto e o Espírito de Deus, à semelhança de uma pomba, descendo sobre ele. Com a visão do Espírito, ouviu-se uma voz: “Você é o meu Filho, escolhido e marcado pelo meu amor, a alegria da minha vida”.
O REINO DE DEUS ESTÁ AQUI
12-13Imediatamente, o Espírito guiou Jesus ao deserto. Durante quarenta dias e noites ele foi testado por Satanás. Animais selvagens eram sua companhia, e os anjos tomavam conta dele.
14-15Depois que João foi preso, Jesus mudou-se para a Galiléia e ali pregava: “O tempo é agora! O Reino de Deus está aqui. Mudem de vida e creiam na Mensagem”.
16-18Caminhando pela praia do mar da Galiléia, Jesus avistou Simão e seu irmão André pescando com redes. Era nisso que trabalhavam. Jesus convidou-os: “Venham comigo! Vou fazer de vocês um novo tipo de pescadores. Vou mostrar como pescar pessoas, em vez de peixes”. Sem fazer uma pergunta, eles simplesmente largaram as redes e foram com ele.
19-20Alguns metros adiante, perto da praia, ele viu os irmãos Tiago e João, filhos de Zebedeu, que estavam no barco, consertando as redes. Jesus fez aos dois a mesma proposta. Imediatamente, eles deixaram seu pai, Zebedeu, o barco e os empregados, e o acompanharam.
ENSINO COM AUTORIDADE
21-22Eles entraram em Cafarnaum. Quando o sábado chegou, Jesus logo foi para a sinagoga e passou o dia lá, ensinando. O povo ficou admirado com seu ensino objetivo e confiante, sem os sofismas e as citações usados pelos líderes religiosos.
23-24De repente, estando ele ainda na sinagoga, a reunião foi interrompida por um homem extremamente perturbado, que gritava: “O que você veio fazer aqui conosco, Jesus? Sei o que você veio fazer aqui, Nazareno. Você é o Santo de Deus, e veio aqui para nos destruir”.
25-26Jesus ordenou: “Quieto! Saia dele!” O espírito perturbador agitou o homem, protestou em voz alta — e saiu.
27-28Os ouvintes, impressionados, cochichavam entre si: “O que está acontecendo aqui? Um novo ensinamento, com demonstração prática? Ele consegue calar espíritos demoníacos imundos e ainda os expulsa!” A notícia correu rapidamente, e todos na Galiléia ficaram sabendo do incidente.
29-31Jesus saiu da sinagoga e foi para a casa de Simão e André, acompanhado por Tiago e João. A sogra de Simão estava de cama, ardendo em febre. Informado disso, Jesus foi até onde ela estava, pegou-a pela mão e a fez levantar-se. Tão logo a febre a deixou, ela foi preparar o jantar para eles.
32-34Ao anoitecer, depois do pôr do sol, foram trazidas a ele pessoas doentes e afligidas por espíritos malignos. A cidade inteira fez fila na porta da casa! Ele curou os corpos doentes e as almas atormentadas. Os demônios conheciam sua verdadeira identidade, mas ele não permitia que se pronunciassem.
O LEPROSO
35-37Ainda não havia amanhecido, quando ele se levantou e retirou-se para orar num lugar isolado. Simão e os que estavam com ele foram procurá-lo. Eles o encontraram e disseram: “Todos estão à tua procura”.
38-39Jesus decidiu: “Vamos a outras cidades para que eu possa pregar ali também. Faz parte da minha missão”. Assim, por toda a Galiléia ele visitou sinagogas, que era um lugar de reunião, pregando e expulsando demônios.
40Um leproso aproximou-se dele, ajoelhou-se e implorou: “Se o senhor quiser, pode me purificar”.
41-45Emocionado, Jesus estendeu a mão, tocou o leproso e disse: “Quero! Fique limpo!” A lepra desapareceu na hora. A pele do homem ficou lisa e saudável. Jesus o despediu com ordens estritas: “Não diga nada a ninguém. Apenas se apresente ao sacerdote e leve a oferta de purificação, como Moisés prescreveu, para validar a cura diante da comunidade”. Mas, assim que se afastou de Jesus, o homem saiu contando a cura que recebera, espalhando a notícia por toda a cidade. Jesus, então, passou a entrar na cidade de modo mais discreto, pois já não podia fazer isso publicamente. No entanto, ele logo foi encontrado, e o povo corria para ele, vindo de todos os lugares.
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Capítulo 2
A CURA DO PARALÍTICO1-5Passados alguns dias, Jesus voltou para Cafarnaum, e a notícia de que ele havia voltado logo se espalhou. Uma multidão se formou, bloqueando a entrada da casa, de modo que ninguém podia entrar ou sair. Ele estava ensinando a Palavra, quando quatro homens apareceram, carregando um paralítico. Eles não conseguiram entrar por causa da multidão, por isso removeram parte do telhado e desceram o paralítico em sua maca. Impressionado com tanta fé, Jesus disse ao paralítico: “Filho, eu perdoo seus pecados”.
6-7Alguns líderes religiosos que estavam presentes começaram a cochichar entre si: “Ele não pode falar assim. Que blasfêmia! Só Deus pode perdoar pecados!”
8-12Jesus sabia o que eles estavam pensando e perguntou: “Por que se mostram céticos? O que acham que é mais fácil: dizer ‘Eu perdoo seus pecados’ ou ‘Levante-se, pegue sua maca e comece a andar’? Pois bem, para que fique claro que sou o Filho do Homem e estou autorizado a fazer uma coisa e outra — voltou-se para o paralítico e ordenou: —, “Levante-se! Pegue sua maca e vá para casa!”. E o homem assim fez — levantou-se, pegou sua maca e saiu andando diante de todos. Eles esfregaram os olhos, custando a acreditar no que viam, mas, então, louvaram a Deus: “Nunca vimos nada igual!”.
O COBRADOR DE IMPOSTOS
13-14Jesus foi uma vez mais caminhar à beira-mar, e, de novo, uma multidão foi atrás dele, para ouvir seu ensino. Caminhando, ele viu Levi, filho de Alfeu, que era cobrador de impostos. Jesus convidou: “Venha comigo”. Ele se levantou e passou a segui-lo.
15-16Mais tarde, Jesus e os discípulos estavam jantando na casa de Levi, e seus convidados eram pessoas de má reputação. Surpreendentemente, alguns deles se tornaram seguidores de Jesus. Os líderes religiosos e os fariseus, vendo Jesus na companhia daquela gente, foram tomar satisfação com os discípulos: “Que exemplo ele está dando, andando com essa gente desonesta e essa ralé?”.
17Jesus escutou a crítica e reagiu: “Quem precisa de médico: quem é saudável ou quem é doente? Estou aqui para dar atenção aos de fora, não para mimar os da casa, que se acham justos”.
FESTEJAR OU JEJUAR
18Os discípulos de João e os discípulos dos fariseus tinham o costume de jejuar, por isso alguns foram perguntar a Jesus: “Por que os seguidores de João e os fariseus adotam a disciplina do jejum, mas os seus seguidores não?”.
19-20Jesus respondeu: “Numa festa de casamento, vocês não economizam no bolo nem no vinho, porque estão festejando. Depois, poderão até precisar economizar, mas não durante a festa. Enquanto o noivo e a noiva estão com vocês, é tudo alegria. Depois que os noivos forem embora, o jejum pode começar. Ninguém joga água fria na fogueira enquanto tem gente em volta. Essa é a vinda do Reino!”.
21-22Ele continuou: “Ninguém corta um cachecol de seda para remendar uma roupa velha. Usa-se um remendo que combine. Ninguém guarda vinho em garrafas rachadas”
23-24Num sábado, Jesus atravessava uma plantação de cereal. Enquanto caminhavam, os discípulos descascaram algumas espigas. Os fariseus reclamaram com Jesus: “Seus discípulos estão quebrando as regras do sábado!”.
25-28Jesus reagiu: “É mesmo? Vocês nunca leram o que Davi e seus companheiros fizeram quando estavam com fome? Ele entrou no santuário e comeu o pão fresco do altar, na frente do sacerdote principal Abiatar — o pão santo, que ninguém podia comer, senão os sacerdotes —, e o repartiu com os companheiros”. Jesus acrescentou: “O sábado foi feito para o nosso benefício; não somos escravos do sábado. O Filho do Homem não é escravo do sábado: é o Senhor dele!”.
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Capítulo 3
FAZENDO O BEM NO SÁBADO1-3Depois disso, ele voltou à sinagoga e estava ali um homem que tinha uma das mãos aleijada. Os fariseus estavam de olho, para ver se ele iria curá-lo, quebrando o sábado. Ele disse ao homem da mão aleijada: “Fique aqui, onde todos possam vê-lo”.
4Então, ele perguntou aos presentes: “Que atitude é coerente com o sábado: fazer o bem ou o mal? Ajudar as pessoas ou deixá-las sem ajuda?”. Ninguém disse nada.
5-6Ele os encarou um a um, indignado com a religiosidade inflexível deles, e, então, ordenou ao homem: “Estenda a mão!” Ele a estendeu — ela ficou perfeita! Os fariseus se retiraram imediatamente, discutindo como unir forças com os partidários de Herodes para acabar com Jesus.
OS DOZE APÓSTOLOS
7-10Jesus partiu com seus discípulos para o mar, só para sair dali, mas uma multidão imensa foi atrás dele, gente da Galiléia, da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, da região próxima do Jordão e das vizinhanças de Tiro e Sidom — um mundaréu de gente desejosa de conhecer ao vivo aquele de quem tanto tinham ouvido falar. Ele recomendou aos discípulos que tivessem um barco preparado, assim não seria atropelado pela multidão. Pelo fato de ele haver curado muitas pessoas, todos os que sofriam de algum mal se acotovelavam para chegar o mais perto possível dele e tocá-lo.
11-12E, no caso dos espíritos malignos, quando o reconheciam, caíam e gritavam: “Você é o Filho de Deus!”. Mas Jesus não dava atenção a eles. Fazia-os calar, proibindo-os de dizer em público quem ele era.
13-19Ele subiu a uma montanha e convidou alguns para o acompanhar. Foram juntos, e ah ele escolheu doze e os designou apóstolos. Jesus os reuniu para enviá-los a proclamar a Palavra. Também lhes daria autoridade para expulsar demônios. Os Doze são: Simão (Jesus, mais tarde, chamou-o Pedro, que significa “Rocha”); Tiago, filho de Zebedeu; João, irmão de Tiago (Jesus passou a chamar os irmãos Zebedeu de Boanerges, que significa “Filhos do Trovão”); André; Filipe; Bartolomeu; Mateus; Tomé; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu; Simão, o zelote; Judas Iscariotes (que o traiu).
SATANÁS CONTRA SATANÁS
20-21Jesus foi para casa e, como sempre, uma multidão se formou em volta. Era tanta gente pedindo ajuda que ele não tinha tempo nem para comer. Alguns parentes, informados da situação, foram tirá-lo de lá — até pela força, se necessário. Eles suspeitavam que Jesus estava perdendo o juízo.
22-27Os líderes religiosos de Jerusalém espalharam o boato de que ele estava praticando magia negra, fazendo truques diabólicos para impressionar o povo, mostrando poder espiritual. Jesus contestou a calúnia: “Faz sentido um demônio lutar contra outro demônio? Satanás expulsaria o próprio Satanás? Uma família que vive brigando se desintegrará. Se Satanás expulsa Satanás, não irá se destruir? Acham que é possível, em plena luz do dia, entrar na casa de um homem forte e acordado e roubar seus bens, sem amarrá-lo primeiro? Amarrem-no, e, então, poderão roubá-lo.
28-30“Faço aqui uma advertência. Não há nada dito ou feito que não possa ser perdoado. Mas, se vocês persistirem nas calúnias contra o Espírito Santo de Deus, estarão deliberadamente rejeitando aquele que perdoa, rompendo relações com aquele que os sustenta”. Ele fez essa advertência porque era acusado por eles de ter ligação com o Maligno.
MAIS VALE A OBEDIÊNCIA QUE LAÇOS DE SANGUE
31-32Naquele momento, sua mãe e seus irmãos apareceram. Estando do lado de fora, mandaram um recado, dizendo que queriam falar com ele, Ele estava cercado pela multidão quando recebeu o recado: “Sua mãe e seus irmãos estão lá fora à sua procura”.
33-35Jesus respondeu: “Quem vocês acham que são minha mãe e meus irmãos?” Olhando ao redor, para cada um dos que estavam sentados à sua volta, ele declarou: “Estão bem aqui, na frente de vocês. Estes são minha mãe e meus irmãos. Mais vale a obediência que laços de sangue. Quem faz a vontade de Deus é meu irmão, irmã e mãe”.
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Capítulo 4
A HISTÓRIA DA SEMENTE1-2Ele voltou a ensinar à beira da praia. A multidão que se formou em torno dele era tão grande que ele entrou num barco, perto da praia, e assentou-se. Jesus usou o barco como púlpito, enquanto o povo se acotovelava perto da água. Ele ensinava por meio de histórias, muitas histórias.
3-8“Ouçam. O que vocês acham? Um agricultor estava semeando. Enquanto fazia seu trabalho, algumas sementes caíram pelo caminho, e aves as comeram. Outras caíram no meio dos pedregulhos. Brotaram rapidamente, mas não aprofundaram raízes. Com o calor do Sol, secaram tão rapidamente quanto haviam brotado. Outras ainda caíram no meio das ervas daninhas. As sementes chegaram a brotar, mas foram sufocadas. Nenhuma sobreviveu. Por fim, algumas, porém, caíram em boa terra e floresceram, produzindo uma colheita que superou todas as expectativas.
9“Vocês estão entendendo?”
10-12Quando eles ficaram sozinhos, os que eram mais chegados a ele, além dos Doze, pediram que ele explicasse a história. Ele disse: “Vocês têm o privilégio de conhecer melhor o Reino de Deus. Conhecem as suas verdades. Mas, para aqueles que ainda não podem ver, tudo é dito por meio de histórias, a fim de guiá-los a discernimentos mais profundos. Essas pessoas são assim— Seus olhos estão abertos, mas não veem nada; Seus ouvidos estão abertos, mas não entendem uma palavra; Recusam-se a voltar-se para Deus para receber perdão”.
13Ele continuou: “Entenderam o objetivo da história? Todas as minhas histórias têm o mesmo propósito.
14-15“O agricultor planta a Palavra. Alguns são como a semente que cai à beira do caminho. Assim que ouvem a Palavra, Satanás arranca o que foi plantado neles.
16-17“Outros são como a semente que cai no meio dos pedregulhos. Ouvem a Palavra e a recebem com grande entusiasmo. Mas, assim como a Palavra não cria raízes, a emoção passa ou surge alguma dificuldade, não sobra nada.
18-19“A semente lançada no meio das ervas daninhas é aquele que ouve a mensagem do Reino, mas é vencido pela preocupação e pela ilusão de manter o que tem e de ganhar mais. A mensagem é sufocada, e não sobra nada.
20“A semente lançada na terra boa é a pessoa que ouve a Palavra e a abraça, e a colheita supera todas as expectativas”.
GENEROSIDADE
21-22Jesus continuou: “Alguém compra uma lâmpada para pôr debaixo do tanque ou debaixo da cama? O que sí faz não é colocá-la numa prateleira? Nós não estamos guardando segredos. Nós os estamos revelando; não estamos escondendo nada, mas tornando público.
23“Vocês estão entendendo?
24-25“Ouçam bem o que estou dizendo. Fiquem atentos quando algum espertalhão ensinar que vocês podem vencer na vida por vocês mesmos. Dar é o caminho, não ganhar. Generosidade produz generosidade. A avareza empobrece”.
NUNCA SEM UMA HISTÓRIA
26-29Então, Jesus disse: “O Reino de Deus é como sementes lançadas num campo por um homem. Ele vai dormir e se esquece do que fez. A semente brota e cresce, mas ele nem imagina como isso ocorre. A terra dá conta de tudo, sem a ajuda dele: primeiro o caule, depois a espiga e por fim o grão. Quando o grão está maduro, ele o colhe — é o tempo da colheita!
30-32“Como podemos descrever o Reino de Deus? Que ilustração podemos usar? É como a semente de mostarda. É uma das menores sementes, mas, uma vez plantada, germina e cresce tanto que os pássaros fazem ninhos em seus ramos e abrigam-se à sua sombra”.
33-34Com outras histórias semelhantes, ele apresentava sua mensagem ao povo, aplicando as histórias à experiência e compreensão deles. Ele sempre contava uma história. Quando estava sozinho com seus discípulos, explicava tudo, desfazendo o emaranhado. Todos os nós eram desatados.
O VENTO VIROU BRISA
35-38Naquele dia, ao cair da tarde, ele decidiu: “Vamos para o outro lado do mar”. Eles entraram no barco em que ele estava. Outros barcos foram atrás deles. De repente, uma tempestade violenta os envolveu. As ondas invadiam a embarcação, ameaçando afundá-la, enquanto Jesus, com a cabeça sobre um travesseiro, dormia na popa do barco! Os discípulos o acordaram, implorando: “Mestre, não vais fazer nada? Nós vamos morrer!”
39-40Jesus acordou e ordenou ao vento que se acalmasse. Ele disse ao mar: “Quieto! Sossegue!” O vento virou brisa, e o mar ficou em plena calmaria. Jesus repreendeu os discípulos: “Por que tanto medo? Vocês não têm fé?”
41Eles estavam apavorados e confusos. “Afinal, quem é este homem?” se perguntavam. “Até o vento e o mar se acalmam quando ele ordena!”
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Capítulo 5
O HOMEM LOUCO1-5Eles chegaram ao outro lado do mar, na terra dos gerasenos. Assim que Jesus saiu do barco, um louco, vítima de demônios, saiu do cemitério e correu para ele. O homem vivia no meio das sepulturas. Ninguém conseguia prendê-lo. Era impossível acorrentá-lo ou amarrá-lo. Ele fora amarrado muitas vezes com cordas e correntes, mas quebrava as correntes e arrebentava as cordas. Ninguém era forte o bastante para subjugá-lo. Noite e dia, vagava entre as tumbas e pelas colinas, gritando e cortando o próprio corpo com pedras pontiagudas.
6-8Quando ele viu Jesus, correu na direção dele e curvou-se reverentemente — depois rugiu em protesto: “O que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Em nome de Deus, não me perturbes!”. (Jesus havia ordenado ao espírito maligno: “Fora! Saia deste homem!”.)
9-10Jesus perguntou: “Diga-me seu nome”. Ele respondeu: “Meu nome é Multidão. Pois somos muitos”. Em desespero, implorou a Jesus que não o expulsasse daquela região.
11-13Uma grande manada de porcos estava pastando numa colina perto dali. Os demônios, então, suplicaram a Jesus: “Manda-nos para os porcos, permita que vivamos neles”. Jesus permitiu. Mas aos porcos aconteceu pior do que ao homem. Enlouquecidos, correram, pularam de um penhasco, caíram no mar e se afogaram.
14-15Aterrorizados, os que cuidavam dos porcos saíram em disparada e contaram o incidente na cidade e na região. Todos queriam ver de perto o que havia acontecido. Eles encontraram Jesus e viram o louco assentado, usando roupas decentes e em perfeita saúde não mais como alguém fora do juízo.
16-17Os que haviam presenciado a cena contaram aos outros o que acontecera ao endemoninhado e aos porcos. No princípio, os curiosos ficaram impressionados. Depois ficaram revoltados por causa dos porcos que haviam perdido e imploraram a Jesus que saísse dali e nunca mais voltasse.
18-20Jesus estava indo para o barco, e o homem que fora liberto dos demônios pediu para acompanhá-lo, mas o Mestre não o permitiu. Em vez disso, aconselhou: “Vá para casa, para seu povo. Conte-lhes o que o Mestre, num gesto de misericórdia, fez por você”. O homem voltou e, na área das Dez Cidades, dava testemunho do que Jesus havia feito por ele. Ele se tornou o assunto da cidade.
ARRISCANDO-SE PELA FÉ
21-24Após a travessia, uma imensa multidão formou-se à beira-mar. Um dos líderes da sinagoga, chamado Jairo, foi falar com Jesus. Ajoelhou-se diante dele e suplicou: “Minha filhinha está à beira da morte. Vem comigo e impõe as mãos sobre ela para que melhore”. Jesus foi com ele, e a multidão inteira os acompanhou, apertando-o e empurrando-o.
25-29Uma mulher que estava sofrendo de hemorragia havia doze anos ouviu falar de Jesus. (Muitos médicos haviam tratado dela, mas sem sucesso; levaram todo o seu dinheiro e a deixaram pior que antes.) Ela esgueirou-se por trás dele e tocou sua roupa. Ela pensava: “Basta eu tocar em sua roupa para ficar boa”. No momento em que o tocou, a hemorragia parou. Ela pôde sentir a mudança. Sabia que estava livre daquele mal.
30No mesmo instante, Jesus sentiu que dele saíra poder. Voltou-se para a multidão e perguntou: “Quem tocou minha roupa?”
31Os discípulos disseram: “Como assim? A multidão empurra e aperta de todo lado, e o senhor quer saber quem o tocou?”
32-33Mas ele insistiu, olhando ao redor para ver quem o tocara. A mulher, sabendo o que havia acontecido e que o havia tocado, tremendo de medo ajoelhou-se diante dele e contou toda a história.
34Jesus lhe disse: “Filha, você se arriscou por causa da sua fé, e agora está curada. Tenha uma vida abençoada! Seja curada da sua doença!”
35Enquanto ele ainda falava, algumas pessoas chegaram da casa do líder da sinagoga e informaram: “Sua filha morreu. Por que continuar incomodando o Mestre?”.
36Ouvindo o que diziam, Jesus tranquilizou o homem: “Não dê atenção a eles, apenas confie em mim”.
37-40Ele não permitiu que ninguém fosse com ele, exceto Pedro, Tiago e João. Entraram na casa, abrindo caminho entre os fofoqueiros, sempre ávidos por uma novidade, e pelos vizinhos, que haviam trazido comida. Jesus foi ríspido com eles: “Por que todo esse falatório e essa choradeira sem sentido? A criança não está morta; está dormindo!” As pessoas na casa zombavam dele, achando que ele não sabia o que estava dizendo.
40-43Contudo, Jesus dispensou todos eles, chamou o pai e a mãe da criança e seus companheiros e entrou no quarto da menina. Segurando a mão dela, ordenou: “Talita cumi”, que significa: “Menina, levante-se!” Ela se levantou e começou a andar! A menina tinha
12anos de idade. Os pais, obviamente, não continham a alegria, mas Jesus deu ordens estritas para que não contassem nada a ninguém e ordenou: “Deem a ela alguma coisa para comer”.
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Capítulo 6
APENAS UM CARPINTEIRO1-2Quando partiu dali, Jesus voltou para sua cidade. Seus discípulos o acompanharam. No sábado, ele começou a ensinar na sinagoga. Os ouvintes ficaram impressionados. “Ele é muito bom!”, comentavam. “De onde vem tanta sabedoria, tanta capacidade?”, perguntavam-se.
3Não demorou, porém, já estavam falando mal dele: “Ora, ele é apenas um carpinteiro — o filho de Maria. Nós o conhecemos desde menino. Conhecemos também seus irmãos, Tiago, José, Judas e Simão, e suas irmãs. Quem ele pensa que é?” Mesmo sem conhecê-lo direito, eles o desprezavam.
4-6Jesus declarou: “Um profeta só não é importante em sua terra e em sua família, nas ruas em que brincou quando criança”. Jesus não pôde fazer muita coisa ali — impôs as mãos sobre uns poucos doentes e os curou; nada mais. Não pôde vencer a resistência deles. Assim, decidiu visitar as outras cidades, ensinando o povo.
OS DOZE
7-8Jesus convocou os Doze e enviou-os em duplas. Deu-lhes autoridade e poder para enfrentar a oposição maligna, além das seguintes instruções:
8-9“Não pensem que precisarão de muito equipamento para cumprir a missão. Vocês são o equipamento. Nada de depender do dinheiro. Sejam simples.
10“Nada de hospedagem de luxo. Hospedem-se num lugar simples e contentem-se com isso.
11“Se não forem bem recebidos e se não os ouvirem, retirem-se sem estardalhaço, sem fazer cena. É hora de dar de ombros e continuar o caminho”.
12-13Então, eles partiram. Em alegre tom de urgência, anunciaram uma mudança - radical de vida. Por onde passaram, expulsaram demônios e levaram saúde aos doentes, ungindo o corpo e curando a alma.
A MORTE DE JOÃO
14Herodes tinha conhecimento de tudo isso porque o nome de Jesus estava na boca de todo mundo. O rei dizia: “Esse deve ser João, o Batista, que voltou dos mortos, por isso é capaz de fazer milagres”.
15Outros discordavam: “Não, é Elias”. Outros ainda opinavam: “É um profeta, exatamente como os profetas dos tempos antigos”.
16Herodes, porém, insistia: “Tenho certeza de que é João. Eu o decapitei, e agora ele está de volta — vivo!”
17-20Esse Herodes foi aquele que mandara que João fosse preso e acorrentado, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe. Pois João havia irritado Herodes por denunciar o adultério do rei. Fervendo de raiva, ela queria matá-lo, mas não ousou fazê-lo porque Herodes respeitava João. Convencido de que ele era um homem santo, o rei dispensava-lhe um tratamento especial. Sempre que o ouvia, sentia-se culpado; mesmo assim, apreciava a palavra de João.
21-22Entretanto, chegou um dia especial: o aniversário de Herodes. Ele convidou toda a elite da Galiléia, toda a nobreza. A filha de Herodias entrou no salão do banquete e dançou para os convidados. Ela encantou Herodes e todos os convidados.
22-23O rei disse à moça: “Peça-me qualquer coisa. Darei o que você quiser”. Entusiasmado, acrescentou: “Juro que divido meu reino com você, se me pedir”.
24Ela foi consultar sua mãe: “O que devo pedir?” “Peça a cabeça de João, o Batista”, foi a resposta.
25Empolgada, ela correu até o rei e pediu: “Quero a cabeça de João, o Batista, numa bandeja. E quero agora!”
26-29O pedido deixou o rei abalado, mas, para não perder o prestígio diante dos convidados, concedeu o que ela desejava. Ordenou que o carrasco fosse à prisão e trouxesse a cabeça de João. Ele cortou a cabeça de João e trouxe-a numa bandeja; entregou-a à moça, que a levou para sua mãe. Quando os discípulos de João souberam do fato, foram buscar o corpo e lhe deram um sepultamento digno.
COMIDA PARA CINCO MIL
30-31Os apóstolos voltaram de sua missão e relataram a Jesus tudo que haviam feito e ensinado. Jesus disse: “Venham! Vamos parar e descansar um pouco”. Era tanta gente indo e vindo que eles não tinham tempo nem para comer.
32-34Eles entraram no barco e foram para um lugar mais tranquilo. Entretanto, alguém os viu partindo, e a notícia se espalhou. Muita gente saiu correndo das cidades vizinhas, e chegou ao lugar de destino antes deles. Quando Jesus saiu do barco, uma multidão imensa o aguardava. Ao ver todo aquele povo, ele ficou comovido. Afinal, eram como ovelhas sem pastor. Ele imediatamente pôs-se a ensiná-los.
35-36Já no cair da tarde, os discípulos viram que Jesus estava se alongando e o interromperam: “Estamos no meio do nada, e está ficando tarde. Despede o povo para que eles saiam e consigam o que comer nas redondezas”.
37Jesus respondeu: “Vocês vão dar comida a eles”. Eles perguntaram: “É sério? Mesmo que gastemos uma fortuna?”
38Mas ele não estava brincando. “Quantos pães vocês têm? Verifiquem”. Não demorou para saberem. “Cinco pães e dois peixes”, informaram.
39-44Jesus mandou que todos se assentassem em grupos de cinquenta ou de cem na grama verde. Ele tomou os cinco pães e os dois peixes, olhou para o céu, orou, abençoou o pão, partiu-o e entregou tudo aos discípulos, que por sua vez o repartiram com o povo. Ele fez o mesmo com o peixe. Todos comeram e ficaram satisfeitos. Os discípulos recolheram doze cestos de sobras. E os que participaram da refeição foram cerca de cinco mil.
ANDANDO SOBRE O MAR
45-46Terminada a refeição, Jesus insistiu em que os discípulos entrassem no barco e fossem para Betsaida enquanto ele despedia o povo. Em seguida, ele subiu a uma montanha para orar.
47-49Tarde da noite, o barco já estava longe, e Jesus ainda estava em terra. Ele podia ver a dificuldade de seus companheiros com os remos, pois o vento estava contra o barco. Por volta das quatro horas da madrugada, Jesus foi na direção deles, andando sobre o mar. E, quando se aproximou e eles o viram, pensaram que fosse um fantasma e gritaram, apavorados.
50-52Jesus tratou de tranquilizá-los: “Calma! Sou eu. Não tenham medo”. Assim que ele entrou no barco, o vento cessou. Eles ficaram perplexos, coçando a cabeça e tentando entender tudo que havia acontecido. Não haviam entendido o que ele fizera na hora da refeição. Estavam com o coração endurecido.
53-56Concluíram a travessia, ancoraram o barco em Genesaré e lá o deixaram. Assim que pisaram em terra, a notícia rapidamente se espalhou. O povo correu até onde eles estavam, trazendo doentes em macas. Para onde quer que ele fosse, aldeia, cidade ou rota de comércio, os doentes eram levados até um local público. Eles imploravam que Jesus lhes permitisse tocar pelo menos na orla de sua roupa. E todos que a tocavam eram curados.
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Capítulo 7
A VERDADEIRA CONTAMINAÇÃO1-4Os fariseus e alguns líderes religiosos, vindos de Jerusalém, reuniram-se à volta dele para reclamar que os discípulos dele eram negligentes com as purificações rituais antes das refeições. Os fariseus — e judeus em geral —jamais participariam de uma refeição sem primeiro proceder ao ritual da lavagem das mãos, principalmente se tivessem chegado da feira (para não mencionar como limpavam canecas, panelas e outras vasilhas).
5Os fariseus e os líderes religiosos perguntaram: “Por que seus discípulos desrespeitam as leis, fazendo as refeições sem lavar as mãos?”
6-8Jesus reagiu: “Isaías estava certo a respeito de enganadores como vocês. Ele acertou em cheio: Esse povo faz um grande show, dizendo as coisas certas, mas o coração deles não está nem aí para o que dizem. Fazem de conta que me adoram, mas é tudo encenação. Eles me usam apenas como desculpa para ensinar o que se adapta ao seu gosto, Alterando o mandamento de Deus e sempre adotando modismos”.
9-13Ele continuou: “Que conveniente, não? Vocês se livram do mandamento de Deus para seguir os modismos religiosos sem serem incomodados. Moisés disse claramente: ‘Respeitem seu pai e sua mãe’. Disse também: ‘Quem desrespeitar o pai ou a mãe será morto’. Mas vocês driblam o mandamento, alegando que é perfeitamente aceitável dizer ao pai ou à mãe: ‘Vou ofertar a Deus a ajuda financeira que eu deveria dar a vocês’. Assim, vocês se livram da obrigação que têm para com os pais. Vocês anulam a Palavra de Deus e a trocam por suas próprias regras. Vocês são especialistas nesse tipo de coisa”.
14-15Dirigindo-se à multidão, ele acrescentou: “Ouçam agora, todos vocês, prestem bastante atenção: não é o que vocês comem que contamina a vida. É o que sai de vocês — essa é a verdadeira contaminação”.
17Ele voltou para casa depois de falar à multidão, e seus discípulos disseram: “Não entendemos. O senhor poderia nos explicar?”
18-19Jesus respondeu: “Vocês também? Será que não entendem? Não sabem que o que se come não pode contaminar ninguém? Pois o que se come não vai para o coração, mas para o estômago, é digerido e depois é eliminado”. (Com isso Jesus desafiou as minuciosas leis dietéticas dos judeus, afirmando que todos os alimentos podem ser comidos.)
20-23Ele continuou: “O que contamina é o que sai da pessoa. É do coração que vomitamos maus pensamentos, obscenidade, imoralidade, roubo, assassinato, adultério, cobiça, depravação, engano, bebedice, olhar maldoso, calúnia, arrogância, insensatez. Essa é a verdadeira contaminação”.
24-26Dali Jesus partiu e foi para os arredores de Tiro. Entrou numa casa para não ser encontrado, mas a notícia de sua chegada se espalhou. Ele estava dentro de casa quando uma mulher, cuja filha era perturbada por um espírito maligno, ficou sabendo de sua presença ali. Ela se ajoelhou aos seus pés, implorando ajuda. A mulher era grega, siro-fenícia de nascimento, e pediu que ele curasse sua filha.
27Ele disse: “Espere sua vez. Os filhos devem ser alimentados primeiro. Se sobrar alguma coisa, os cães poderão comer”.
28Ela foi rápida: “Entendo, Mestre. Mas os cães não comem das migalhas que os filhos deixam cair?”
29-30Jesus ficou impressionado: “Tem razão! Vá para casa. Sua filha não está mais perturbada. A aflição demoníaca se foi”. Ela foi para casa e encontrou a filha tranquila na cama, livre daqueles tormentos.
31-35Ele deixou a região de Tiro e voltou para o mar da Galiléia, passando por Sidom e pelo distrito das Dez Cidades. Algumas pessoas trouxeram um homem que não podia ouvir nem falar e pediram a Jesus que impusesse as mãos sobre ele. Jesus tocou nos ouvidos do homem e passou-lhe um pouco de saliva na língua. Então orou, suspirou profundamente e ordenou: “Efatá — Abra-se!” E assim aconteceu. O homem ouvia e falava perfeitamente!
36-37Jesus ordenou que mantivessem o fato em segredo, mas eles, entusiasmados, não paravam de falar no assunto. Diziam: “Ele faz tudo muito bem. Faz até o surdo ouvir e o mudo falar”.
Marcos
Capítulo 8
COMIDA PARA QUATRO MIL1-3Foi na mesma ocasião que Jesus outra vez se viu diante de uma multidão faminta. Ele chamou seus discípulos e disse: “Estou com o coração partido por causa desta gente. Há três dias estão comigo, e não têm o que comer. Não posso mandá-los embora com fome, vão acabar desmaiando no caminho — alguns vieram de muito longe”.
4Os discípulos perguntaram: “Mas onde vamos encontrar comida suficiente para todos neste lugar deserto?”
5Jesus perguntou: “Quantos pães vocês têm?”. “Sete pães”, informaram.
6-10Jesus, então, mandou que o povo se assentasse. Depois de ter dado graças, tomou os sete pães, partiu-os e entregou-os aos discípulos para que os repartissem com o povo. Havia também alguns peixes. Ele abençoou os peixes e ordenou aos discípulos que os repartissem de igual modo. Todos comeram à vontade, e foram necessários sete grandes cestos para recolher as sobras. E os que participaram da refeição foram cerca de quatro mil. Depois de despedir a multidão, Jesus entrou no barco com os discípulos e foram para Dalmanuta.
11-12Quando chegaram, os fariseus vieram pressioná-lo para que ele desse uma prova de quem era. Desafiado, Jesus perguntou: “Por que esta geração pede um sinal milagroso como garantia? A verdade é que vocês não terão sinal nenhum”.
O FERMENTO DO MAL
13-15Dali, ele voltou para o barco e dirigiu-se para o outro lado do mar. Os discípulos, porém, esqueceram-se de levar pão, exceto por um pedaço. Aproveitando a oportunidade, Jesus aconselhou-os: “Fiquem de olho no fermento dos fariseus e dos partidários de Herodes”.
16-19Pensando que ele os repreendia por haverem esquecido o pão, começaram a culpar um ao outro. Percebendo o que se passava, Jesus perguntou: “Por que estão discutindo por haverem esquecido o pão? Não entenderam ainda? Não conseguem perceber? Não se lembram dos cinco pães que demos aos cinco mil? Quantos cestos de sobras vocês recolheram?” Eles responderam: “Doze”.
20“E dos sete pães para os quatro mil? Quantos cestos de sobras vocês recolheram?” “Sete.”
21Ele perguntou: “Ainda não entendem?”.
22-23Ao chegarem eles à Betsaida, algumas pessoas trouxeram um cego e pediram a Jesus que o tocasse. Tomando-o pela mão, ele o levou para fora da cidade. Passou saliva nos olhos do homem, impôs as mãos sobre ele e perguntou: “Consegue ver alguma coisa?”
24-26Ele olhou para cima e disse: “Vejo homens, só que eles parecem árvores andando”. Jesus voltou a impor as mãos sobre ele. Dessa vez, o homem percebeu que havia recuperado completamente a visão. Agora via tudo com perfeição. Jesus mandou-o para a casa, advertindo: “Não entre na cidade”.
O MESSIAS
27Jesus e seus discípulos visitaram as cidades ao redor de Cesaréia de Filipe. Enquanto caminhavam, ele perguntou: “Quem o povo diz que eu sou?”
28Eles responderam: “Alguns pensam que é João, o Batista. Outros acham que é Elias. Há quem pense que é algum dos profetas”.
29Ele insistiu: “E vocês? Quem acham que eu sou?” Pedro declarou: “Tu és o Cristo, o Messias”.
30-32Jesus pediu que guardassem segredo, que não dissessem nada a ninguém. Em seguida, resolveu explicar algumas coisas: “É necessário que o Filho do Homem seja maltratado, levado a julgamento e declarado culpado pelos líderes do povo. sacerdotes e líderes religiosos; que seja morto e três dias depois ressuscite”. Ele falava de modo simples e claro, para que todos entendessem.
32-33Pedro, porém, protestou, segurando-lhe o braço. Vendo que os discípulos hesitavam em aceitar os fatos, Jesus repreendeu Pedro: “Pedro, saia do meu caminho! Fora, Satanás! Você não tem ideia de como Deus trabalha”.
34-37Reunindo uma multidão e seus discípulos, Jesus disse: “Quem quiser seguir-me tem de aceitar minha liderança. Quem está na garupa não pega na rédea. Eu estou no comando. Não fujam do sofrimento. Abracem-no. Sigam-me, e mostrarei a vocês como agir. Autoajuda não é ajuda. O autossacrifício é o caminho — o meu caminho — para ser realmente salvo. Qual é a vantagem de conquistar tudo que se deseja e perder a si mesmo? O que vocês teriam para dar em troca da própria alma?
38“Se vocês têm vergonha de mim ou do meu caminho por causa dos seus amigos inconstantes e sem futuro, saibam que irão enfrentar uma vergonha muito maior na presença do Filho do Homem quando ele voltar, envolto pela glória de Deus, seu Pai, com um exército de anjos”.
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Capítulo 9
1Então, ele foi para casa, dizendo: “Não é sonho. Alguns de vocês aqui verão
tudo isso acontecer: o Reino de Deus chegando com força total”.NUMA NUVEM BRILHANTE
2-4Seis depois dias, três dos discípulos viram isso acontecer. Jesus levou Pedro, Tiago e João a um alto monte. Ali, sua aparência mudou diante deles. Suas roupas brilhavam intensamente, de uma brancura tal que ninguém seria capaz de produzir. De repente, eles perceberam que Elias e Moisés estavam ali também, conversando com Jesus.
5-6Então, Pedro interrompeu a conversa: “Rabi, que grande momento! Que tal se construíssemos três memoriais aqui na montanha — um para o senhor, um para Moisés e um para Elias?” Ele falava sem pensar, apavorado e maravilhado com o que via.
7Naquele instante, uma nuvem brilhante os envolveu, e da nuvem ouviu-se uma voz: “Este é meu Filho, marcado pelo meu amor. Ouçam-no!”
8No minuto seguinte, os discípulos olharam ao redor, esfregando os olhos: não estavam vendo mais ninguém, a não ser Jesus!
9-10Enquanto desciam a montanha, Jesus os fez prometer que guardariam segredo. “Não digam nada a ninguém sobre o que viram, até que o Filho do Homem levante-se dos mortos. Mas eles ficaram imaginando o que significaria “levantar-se dos mortos”.
11Eles fizeram uma pergunta: “Por que os líderes religiosos dizem que Elias tem de vir primeiro?”
12-13Jesus explicou: “Elias vem para deixar tudo pronto. A verdade, porém, é que Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Eles o desprezaram, assim como irão tratar o Filho do Homem. De acordo com as Escrituras, ele sofrerá terrivelmente. Será torturado e tratado com desprezo”.
TUDO É POSSÍVEL PARA QUEM TEM FÉ
14-16Quando desceram a montanha para se reunir aos outros discípulos, viram-se rodeados por uma multidão imensa, que debatia com os líderes religiosos. Assim que viu Jesus, o povo ficou animado. Correram para ele e o saudaram. Ele perguntou: “O que está acontecendo? Por que toda esta agitação?”
17-18Um homem da multidão respondeu: “Mestre, eu trouxe meu filho, que foi deixado mudo por um demônio. Toda vez que o demônio se apossa dele, joga-o ao chão. O menino baba, range os dentes e fica rígido como uma tábua. Falei com teus discípulos, esperando que o libertassem, mas não puderam”.
19-20Jesus suspirou, inconformado: “Mas que geração! Vocês não conhecem Deus! Até quando vou ter de aguentar esse tipo de coisa? Quantas vezes ainda vou ter de passar por isso? Tragam o menino aqui!”. Eles o trouxeram. Quando o demônio viu Jesus, apossou-se do menino, que ficou babando e se contorcendo no chão.
21-22Jesus perguntou ao pai do menino: “Há quanto tempo isso acontece?”. “Desde que era pequeno. Muitas vezes o demônio o joga no fogo ou no rio para matá-lo. Se o senhor puder fazer alguma coisa, tenha misericórdia e nos ajude!”
23Jesus disse: “‘Se eu puder’? Tudo é possível para quem tem fé”.
24Assim que Jesus disse essas palavras, o pai do menino exclamou: “Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
25-27Percebendo que a plateia ficava cada vez maior, Jesus deu ordens expressas ao espírito maligno: “Espírito mudo e surdo, eu ordeno: sai dele e não volte!”. Com muito estardalhaço, o espírito saiu. O menino estava pálido como um defunto, de modo que as pessoas começaram a dizer: “Ele está morto”. Mas, tomando-o pela mão, Jesus o levantou. O menino ficou em pé.
28Depois que chegaram à casa, os discípulos perguntaram a Jesus: “Por que não pudemos expulsar o demônio?”
29Ele respondeu: “Não há outro meio de se livrar desse tipo de demônio a não ser com oração”.
30-32Saindo dali, viajaram pela Galiléia. Jesus não queria que ninguém soubesse de seu paradeiro, pois queria ensinar seus discípulos. Ele anunciou: “O Filho do Homem está para ser traído por gente que não quer nada com Deus. Eles o matarão, mas três dias depois ele aparecerá — vivo”. Eles não sabiam do que ele estava falando, mas tinham medo de perguntar.
QUEM É O MAIOR
33Eles foram para Cafarnaum. Já em casa, ele perguntou: “O que vocês discutiam pelo caminho?”.
34O silêncio foi constrangedor, porque eles estavam discutindo sobre quem deles era o maior.
35Ele se assentou, chamou os Doze e disse: “Saibam que quem quiser ser o primeiro ficará por último e será servo de todos”.
36-37Ele pôs uma criança no meio da sala e, pegando-a nos braços, disse: “Quem recebe uma dessas crianças, como eu estou fazendo, recebe-me também. Mais que isso, recebe o próprio Deus, que me enviou”.
38Então, João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem usando teu nome para expulsar demônios e o impedimos, porque ele não é do nosso grupo”.
39-41Jesus reprovou-os: “Não o impeçam. Ninguém pode usar meu nome para fazer algo bom e poderoso e, no momento seguinte, afastar-se de mim. Se ele não é inimigo, é aliado. Qualquer um que lhes der um copo de água em meu nome está do nosso lado, e Deus levará isso em conta.
42Mas quem prejudicar esses que são como crianças, intimidando-os ou tirando proveito da simplicidade deles, logo irá desejar nunca ter feito isso. Seria melhor jogar-se no meio do mar com uma pedra amarrada ao pescoço.
43-48Se sua mão ou seu pé os atrapalha na caminhada com Deus, é melhor cortá-los e jogá-los fora. É preferível viver mutilado ou aleijado do que ter duas mãos e dois pés que o levem para a fornalha de fogo eterno. Se seu olho desvia sua atenção de Deus, arranque-o e jogue-o fora. É preferível viver com apenas um olho do que ter uma visão perfeita no fogo do inferno.
49-50Todos, cedo ou tarde, irão passar por um fogo purificador. Mas vocês serão preservados das chamas eternas. Por isso, preservem-se. Vivam sempre em paz”.
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Capítulo 10
DIVÓRCIO1-2Dali ele foi para a região da Judeia, do outro lado do Jordão. Como sempre, uma multidão o acompanhava, e ele punha-se a ensiná-los. Um dia, os fariseus vieram provocá-lo: “É permitido a um homem divorciar-se de sua esposa?”
3Jesus perguntou: “O que Moisés determinou?”
4Eles responderam: “Moisés deu permissão que o marido a mandasse embora, dando-lhe uma certidão de divórcio”.
5-9Jesus disse: “Moisés deu esse mandamento apenas como concessão ao coração duro de vocês. Na criação, no plano original, Deus fez e uniu o homem e a mulher. Por isso, um homem deixa seu pai e sua mãe e, por meio do casamento, se torna uma só carne com sua mulher. Não são mais dois indivíduos: formam agora uma nova unidade. Deus criou uma união tão perfeita, que ninguém pode ter a ousadia de profaná-la, separando-os”.
10-12Depois que estavam em casa, os discípulos voltaram a tocar no assunto. Jesus foi muito direto: “O homem que se divorcia de sua esposa para se casar com outra comete adultério contra ela. A mulher que se divorcia do marido para se casar com outro comete adultério também”.
13-16Alguns estavam trazendo crianças a Jesus, na esperança de que ele as abençoasse. Mas os discípulos deram uma bronca nessa gente. Jesus não escondeu a irritação: “Não tentem afastar essas crianças! Não as impeçam de vir a mim! O Reino de Deus é feito de pessoas que são como crianças. Prestem atenção: se vocês não aceitarem o Reino de Deus com a simplicidade de uma criança, nunca entrarão nele”. Então, tomando as crianças nos braços, impunha as mãos sobre elas e as abençoava.
PARA ENTRAR NO REINO DE DEUS
17Jesus caminhava pela rua, e um homem veio correndo, ajoelhou-se e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?”
18-19Jesus perguntou: “Por que você me chama ‘bom’? Ninguém é bom, a não ser Deus. Você conhece os mandamentos: não mate, não cometa adultério, não roube, não minta, não engane, honre seu pai e sua mãe”.
20Ele disse: “Mestre, faço tudo isso desde muito novo”.
21Jesus olhou-o nos olhos e, cheio de amor por ele, disse: “Falta algo: venda tudo que você tem e dê aos pobres. Toda a sua riqueza, então, estará no céu. Depois venha me seguir”.
22Foi um choque! Aquela era a ultima coisa que ele esperava ouvir. Assim, abatido, ele se foi. Sendo muito apegado aos seus bens, não queria abrir mão de tudo.
23-25Enquanto observava, Jesus disse aos seus discípulos: “Vocês fazem ideia de como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus?” Os discípulos foram pegos
26de surpresa, mas Jesus continuou: “Vocês não imaginam como é difícil. É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha”. Os discípulos ficaram chocados. “Se é assim, quem tem chance?”, perguntaram.
27Jesus olhou bem firme para eles e disse: “Ninguém tem chance, se pensam que
28conseguirão pelo esforço próprio. A única maneira é deixar Deus agir. Só ele tem o poder de fazer”. Pedro, então, lhe disse: “Nós deixamos tudo para te seguir”.
29-31Jesus disse: “Guardem isto: ninguém que sacrifique casa, irmãos, irmãs, mãe, pai,
32-34filhos, propriedades — seja o que for — por minha causa e por causa da Mensagem sairá perdendo. Eles terão tudo de volta multiplicado muitas vezes em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e propriedades — mas também em problemas. Terão ainda o prêmio da vida eterna. Aí está de novo a Grande Inversão: muitos primeiros serão últimos; e muitos últimos, primeiros”. De volta à estrada, eles foram para Jerusalém. Jesus ia adiante, e eles o seguiam,
35confusos e um pouco amedrontados. Ele chamou os Doze e disse: “Ouçam-me com atenção. Estamos a caminho de Jerusalém. Quando chegarmos lá, o Filho do Homem será entregue aos mestres da lei e aos líderes religiosos. Eles irão condená-lo à morte. Eles o entregarão aos romanos, que irão zombar dele, cuspir nele, torturá-lo e matá-lo. Mas, depois de três dias, ele se levantará — vivo”.
OS LUGARES DE HONRA
36Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram falar com Jesus: “Mestre, queremos que o senhor faça algo por nós”. “Verei se posso fazer.”
37Eles pediram: “Permite que tenhamos os lugares de maior honra na tua glória,
38um à tua direita e outro à esquerda”. Jesus disse: “Vocês não fazem ideia do que estão pedindo. Vocês são capazes de
39-40beber do cálice que estou para beber e de receber o batismo que estou para receber?” “Sem dúvida”, disseram eles. "Por que não?”
41-45Jesus disse: “Pensem nisto: vocês vão mesmo beber o cálice que eu bebo e ser batizados com o meu batismo. Mas, quanto aos lugares de honra, não é comigo. Isso já está decidido”. Os outros dez ouviram a conversa e ficaram indignados com Tiago e João.
46-48Então, Jesus os reuniu para consertar a situação. Ele disse: “Vocês já devem ter notado como o poder sobe à cabeça dos governantes deste mundo que logo se tornam tiranos. Vocês não devem agir assim. Quem quiser ser o maior deve se tornar servo. Quem quiser ser o primeiro deve se tornar escravo. É o que o Filho do Homem faz: Ele veio para servir, não para ser servido — e para dar a própria vida para salvar muita gente”. Depois de passarem algum tempo em Jericó, Jesus saiu da cidade, seguido pelos
49-50discípulos e por uma multidão, e um mendigo cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, estava sentado à beira do caminho. Quando ele soube que Jesus, o Nazareno, passava por ali, começou a gritar: “Filho de Davi, Jesus! Misericórdia! Tem misericórdia de mim!” Muitos tentaram fazê-lo calar, mas ele gritava ainda mais alto: “Filho de Davi! Tem misericórdia de mim!” Jesus parou e ordenou: “Tragam-no aqui!”.
51Eles foram chamá-lo: “Hoje é o seu dia! Ele está chamando você! Levante-se!” Jogando longe sua capa, ele ficou em pé e foi até Jesus. Jesus perguntou: “O que você quer de mim?”
52O cego respondeu: “Senhor, eu quero ver”. “Siga seu caminho. Sua fé salvou e curou você”, disse Jesus. No mesmo instante, ele recuperou a visão e seguia Jesus estrada afora.
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Capítulo 11
ENTRANDO EM JERUSALÉM MONTADO NUM JUMENTINHO1-3Quando se aproximaram de Jerusalém, à altura de Betfagé e Betânia, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos com estas instruções: “Vão à aldeia que está adiante. Ah encontrarão um jumentinho amarrado. Ele nunca foi montado. Desamarrem- no e tragam-no aqui. Se alguém perguntar o que vocês estão fazendo, digam: ‘O Senhor precisa dele, mas vai devolvê-lo’".
4-7Eles foram e encontraram um jumentinho numa rua, amarrado a um portão; eles o desamarraram, mas alguns dos que estavam ali perguntaram: “Por que estão desamarrando o jumentinho?”. Os discípulos responderam exatamente como Jesus os instruíra, e não foram mais incomodados. Assim, levaram o jumentinho e puseram suas capas sobre ele, e Jesus o montou.
8-10Muitos estendiam seus mantos pela estrada, dando a Jesus uma recepção de rei. Alguns lançavam seus mantos na rua, outros espalhavam ramos que haviam cortado nos campos. Havia muita gente por todo lado, gritando: “Hosana! Bendito é o que vem em nome de Deus! Bendito o Reino do nosso pai Davi, que está chegando! Hosana nos altos céus!”.
11Ele entrou em Jerusalém e foi para o templo. Parou ali para observar o movi-mento. Mas como era tarde voltou para Betânia com os Doze.
A FIGUEIRA AMALDIÇOADA
12-14No dia seguinte, depois que saíram de Betânia, ele sentiu fome. No caminho, avistou uma frondosa figueira. Aproximou-se dela para encontrar figos, mas não achou nada além de folhas (não era época de figos). Ele disse à árvore: “Nunca mais alguém comerá dos seus frutos”, e os discípulos ouviram.
15-17Chegando a Jerusalém, entraram no templo, e Jesus começou a expulsar todos os que faziam comércio ali. Ele derrubou as mesas dos agiotas e as bancas dos vendedores de pombas. Também não permitiu que ninguém mais passasse carregando cestos pelo recinto sagrado. Ele explicou suas ações com o seguinte texto: Minha casa foi designada casa de oração para as nações; Mas vocês a transformaram em ponto de encontro de ladrões.
18Ao tomar conhecimento desses fatos, os principais sacerdotes e os líderes religiosos decidiram que era hora de se livrar dele. Estavam em pânico porque o povo se mostrava encantado com os seus ensinamentos.
19À noite, Jesus e seus discípulos deixaram a cidade.
20-21Pela manhã, andando pela estrada, eles viram a figueira: estava seca até à raiz. Lembrando-se do que acontecera no dia anterior, Pedro disse: “Mestre, olha! A figueira que amaldiçoaste ficou seca!”.
22-25Jesus foi direto: “Assumam de fato seu compromisso com Deus, e nada será difícil para vocês. Aquela montanha, por exemplo. Basta ordenar, sem dúvida ou hesitação: ‘Pule no mar’, e ela obedecerá. Absolutamente tudo, do pedido menor ao maior, que vocês incluírem na oração, será atendido, se vocês de fato confiarem em Deus. E, quando orarem, lembrem-se de que não se trata apenas de pedir. Se vocês têm algo contra alguém, perdoem. Só, então, o Pai celestial de vocês perdoará os seus pecados”.
AS CREDENCIAIS DE JESUS
27-28De volta a Jerusalém; eles caminhavam pelo templo. Então, os principais sacerdotes, os líderes religiosos e os líderes do povo exigiram: “Mostre-nos suas credenciais. Quem deu a você autoridade para falar e agir desse modo?”.
29-30Jesus respondeu: “Primeiro, respondam a uma pergunta. Se a responderem, também responderei à sua. No caso do batismo de João, quem o autorizou: Deus, ou os homens?”, digam-me.
31-33Eles ficaram numa situação difícil e sabiam disso. Confusos, cochichavam entre si: “Se dissermos: ‘Deus’, ele vai perguntar por que não acreditamos nele. Se dissermos: ‘Os homens’, estamos em apuros, porque o povo tinha João na conta de profeta”. Decidiram, então, dar a vitória a Jesus dessa vez. “Não sabemos”, responderam. Jesus concluiu: “Então, também não vou responder à pergunta de vocês”.
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Capítulo 12
A HISTÓRIA DA VINHA1-2Em seguida, Jesus começou a lhes contar algumas histórias: “Um homem plantou uma vinha. Cercou-a, fez um tanque de espremer uvas, construiu uma torre de vigilância, arrendou-a aos lavradores, e saiu em viagem. Quando chegou a época da colheita, ele enviou um empregado para receber sua parte nos lucros.
3-5“No entanto, os lavradores o agarraram, espancaram e mandaram embora de mãos vazias. Ele mandou outro empregado, que também foi agredido e humilhado. Depois, enviou outro, que foi assassinado. O mesmo aconteceu com muitos outros. Uns foram agredidos; outros, assassinados.
6“Restava apenas um que podia ser enviado: seu filho amado. Já quase sem esperanças, decidiu enviar o próprio filho, pensando: ‘Meu filho eles vão respeitar’.
7-8“Mas os lavradores perceberam a oportunidade. Esfregaram as mãos, cheios de cobiça, e disseram: ‘Esse é o herdeiro! Vamos matá-lo e ficar com a vinha’. Então o agarraram e mataram e depois jogaram o corpo fora da vinha!’.
9-11“O que vocês acham que o proprietário da vinha irá fazer? Isso mesmo! Vai se livrar dessa gente. Depois arrendará a vinha a outros. E vocês podem confirmar nas Escrituras: A pedra que os pedreiros rejeitaram é agora a principal. Isso é obra de Deus. Nós esfregamos os olhos, custando a crer nisso!”.
12Percebendo que o recado era para eles, os líderes religiosos quiseram prendê-lo na hora, mas, como estavam receosos da opinião pública, acharam melhor recuar. Por isso, saíram dali tão rápido quanto puderam.
PAGANDO IMPOSTOS A CÉSAR
13-14Os mesmos líderes enviaram alguns fariseus e partidários de Herodes certos de que iriam incriminá-lo. Eles disseram: “Mestre, conhecemos a sua integridade, sabemos que o senhor não se importa com a opinião popular, não explora seus discípulos e ensina o caminho de Deus com muito zelo. Diga-nos com toda a honestidade: é correto pagar impostos a César?”.
15-16Jesus percebeu de imediato a malandragem e disse: “Qual a razão desse joguinho? Por que tentam me pegar com essas armadilhas? Vocês têm uma moeda? Deixem-me vê-la”. Eles lhe entregaram uma moeda. “Quem é este que aparece na moeda? Que nome está gravado nela?” “César”, disseram.
17Jesus concluiu: “Deem a César o que lhe pertence e deem a Deus o que lhe é devido”. Eles ficaram de boca aberta, sem saber o que responder.
CASAMENTO E RESSURREIÇÃO
18-23Alguns saduceus, o grupo que nega a ressurreição, perguntaram a Jesus: “Mestre, Moisés escreveu que, se um homem morre sem filhos, o irmão dele é obrigado a se casar com a viúva e ter filhos com ela. Pois bem, havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem filhos. O segundo casou-se com a viúva. Ele morreu, mas também não teve filhos. O mesmo aconteceu com o terceiro. De fato, os sete se casaram com ela, mas nada de filhos. Por fim, a mulher morreu. A pergunta é esta: na ressurreição, de quem ela será esposa? Afinal, ela foi casada com cada um deles”.
24-27Jesus respondeu: “Vocês estão raciocinando errado, e vou dizer por quê: Primeiro, não conhecem as Escrituras; segundo, não sabem como Deus atua. Depois da ressurreição, o casamento já não mais existirá. Assim como os anjos, toda a nossa atenção estará em Deus. Com respeito à ressurreição dos mortos, vocês nunca leram as Escrituras? Vejam que Deus, de dentro da sarça, disse a Moisés: ‘Eu sou — não eu era — o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’. O Deus vivo é o Deus dos vivos, não dos mortos. Portanto, vocês não sabem de nada”.
O MANDAMENTO MAIS IMPORTANTE
28Um dos líderes religiosos, depois de acompanhar os debates e perceber como Jesus era incisivo em suas respostas, fez uma pergunta: “Qual é o mais importante de todos os mandamentos?”.
29-31Jesus respondeu: “O primeiro em importância é o seguinte: ‘Ouça Israel: O Senhor seu Deus é único. Ame o Senhor seu Deus com toda a paixão, toda a fé, toda a inteligência e todas as forças’. E o segundo é: ‘Ame o próximo como a você mesmo’. Não há nenhum outro mandamento que se compare a esses”.
32-33Um líder religioso disse: “Que resposta maravilhosa, Mestre! Tão lúcida e precisa. Deus é único, e não há outro. Devemos amá-lo com toda paixão, inteligência e forças e amar ao próximo como a nós mesmos. Isso é melhor que qualquer oferta ou sacrifício”.
34Quando Jesus percebeu como aquele homem era sábio, comentou: “Você está quase lá, quase no Reino de Deus”. A partir daquele momento, ninguém mais ousou fazer perguntas a Jesus.
35-37Enquanto ensinava no templo, Jesus perguntou: “Como podem os líderes religiosos ensinar que o Messias é ‘filho’ de Davi, quando todos sabemos que Davi, inspirado pelo Espírito Santo, disse: Deus disse ao meu Senhor: ‘Assente-se aqui ao meu lado direito até que eu faça dos seus inimigos um descanso para os pés’. “Davi declara que o Messias é seu ‘Mestre’. Como pode, então, o Messias ser também seu ‘filho’?” A multidão estava maravilhada com o que ouvia.
38-40Ele continuou a ensinar: “Cuidado com os líderes religiosos. O prazer deles é ostentar títulos acadêmicos, receber elogios publicamente, desfrutar posições de destaque e assentar-se nos lugares principais durante o serviço religioso. Além disso, o tempo todo eles exploram os fracos e indefesos. Quanto mais oram, pior fica a situação deles. Mas, no fim, eles irão pagar por tudo isso”.
41-44Assentado atrás de um gazofilácio, ele observava o povo depositar dinheiro na hora da coleta. Os ricos faziam ofertas vultosas, mas uma viúva pobre aproximou-se e ofertou duas pequenas moedas — uns míseros centavos. Jesus chamou os discípulos em particular e comentou: “A verdade é que essa viúva pobre deu uma oferta maior que a dos demais. Todos os outros deram do que não precisavam. Ela fez uma extravagância, algo que não podia fazer: deu tudo que possuía”.
Marcos
Capítulo 13
OS FALSOS PROFETAS DO FIM DOS TEMPOS1Jesus saía do templo, quando um dos discípulos chamou sua atenção: “Mestre, olha essas pedras! Essas construções!”.
2Jesus disse: “Vocês estão impressionados com essa arquitetura grandiosa? Tudo isso será um monte de ruínas, até a última pedra”.
3-4Mais tarde, enquanto ele estava sentado no monte das Oliveiras, num local de onde podia avistar o templo, Pedro, Tiago, João e André foram conversar com ele: "Quando essas coisas vão acontecer? Que sinal teremos de que tudo caminha para um desfecho?”.
5-8Jesus explicou: “Cuidado com os falsos profetas do fim dos tempos. Muitos líderes, com identidade falsa, alegarão: ‘Eu sou o Messias’. Eles vão enganar muita gente. Quando ouvirem falar de guerras e ameaças de guerra, não entrem em pânico. Serão notícias comuns, não um sinal do fim. Haverá cada vez mais guerras entre as nações e conflitos entre os líderes. Em vários lugares haverá terremotos e fome. Mas tudo isso é nada, comparado com o que está por vir.
9-10“Fiquem atentos, pois vocês serão levados aos tribunais, e tudo irá de mal a pior. Vocês serão torturados e todos perseguirão os que levam o meu nome. Vocês serão postos como sentinelas da verdade. A Mensagem tem de ser pregada em todo o mundo.
11“Quando traírem vocês e os levarem aos tribunais, não se preocupem com o que dizer. Quando chegar o momento, digam o que estiver no coração — o Espírito Santo dará testemunho por intermédio de vocês.
12-13“Haverá irmão matando irmão, pai matando filho, filho matando os pais. Todos odiarão vocês por causa do meu nome. “Fiquem firmes. Isso é necessário. Fiquem firmes até o fim. Vocês não ficarão desamparados, pois serão salvos”.
FUGINDO PARA AS COLINAS
14-18“Estejam preparados para fugir quando virem a besta da profanação estabelecida onde nunca deveria estar. Quem lê não terá dificuldade de entender o que estou falando. Quando isso acontecer, se vocês estiverem na Judeia naquele tempo, corram para as colinas; se estiverem trabalhando no quintal, não voltem para buscar nada em casa. Se estiverem no campo, não voltem para buscar agasalho. As grávidas e as que amamentam sofrerão mais. Orem para que isso não aconteça no inverno.
19-20“Serão dias difíceis. Nada parecido aconteceu desde que Deus fez o mundo nem depois haverá. Se esses dias de aflição seguissem o curso normal, ninguém suportaria. Mas, por causa dos escolhidos de Deus, a aflição será encurtada”.
NINGUÉM SABE O DIA E A HORA
21-23“Se alguém anunciar: Aqui está o Messias’, ou apontar: ‘Lá está ele’, não caiam nessa. Falsos messias e pregadores mentirosos surgirão aos montes. Suas credenciais impressionantes e seus deslumbrantes espetáculos, se possível, iludiriam até os escolhidos de Deus. Fiquem atentos, pois eu os avisei com antecedência.
24-25“Após aqueles tempos difíceis: O Sol perderá o seu brilho, a Lua ficará nublada. As estrelas cairão do céu, e os poderes cósmicos sofrerão abalo.
26-27“Então, todos irão ver o Filho do Homem chegar em grande estilo, seu esplendor encherá o céu — ninguém deixará de ver! Ele enviará seus anjos, que ajuntarão os escolhidos de Deus dos quatro cantos da terra, desde os lugares mais distantes.
28-31“Aprendam a lição da figueira. Quando percebem que ela começou a florescer e verdejar, vocês sabem que o verão está chegando. O mesmo acontecerá com vocês. Quando virem os sinais, saberão que não demorará muito. Levem isso a sério. Não estou me dirigindo apenas às gerações futuras, mas a vocês também. Esta era continua até que todas essas coisas aconteçam. O céu e a terra vão desaparecer, mas as minhas palavras jamais.
32-37“Querem saber o dia e a hora? A verdade é que ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem mesmo o Filho. Só o Pai! Portanto, fiquem atentos, pois vocês não sabem o momento exato. É como um homem que vai viajar e deixa a casa sob a responsabilidade dos empregados, cada qual com uma tarefa, e põe o porteiro para vigiar. Portanto, permaneçam em seu posto, vigiando. Vocês não sabem a que horas o dono da casa vai voltar — de noite, à meia-noite, ao cantar do galo ou pela manhã. Vocês não vão querer que ele apareça sem aviso e os encontre dormindo no posto. Por isso, reforço a advertência: permaneçam em seus postos. Vigiem!”.
Marcos
Capítulo 14
UNGINDO A CABEÇA1-2Dali a dois dias começaria a festa da Páscoa, com oito dias de duração, e a festa dos Pães sem Fermento. Os principais sacerdotes e líderes religiosos estavam procurando um modo de prender Jesus e matá-lo. Eles concordaram em que não deveriam fazer isso durante a semana da Páscoa. “Não queremos iniciar uma guerra”, disseram.
3-5Jesus estava em Betânia, como convidado de Simão, o Leproso. Enquanto jantava, uma mulher apareceu com um frasco de perfume muito caro. Abrindo o frasco, ela derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus. Alguns convidados ficaram indignados. “Que desperdício! Esse perfume poderia ser vendido pelo valor do salário de um ano, e o dinheiro, distribuído entre os pobres”. Eles fuzilavam a mulher com os olhos.
6-9Jesus, porém, disse: “Deixem-na em paz. Por que vocês a incomodam? Ela acaba de fazer algo tão maravilhoso para mim. Os pobres estarão sempre aí, todos os dias, mas eu não. Sempre que quiserem, poderão fazer algo por eles, mas não para mim, Ela fez o que pôde, quando pôde: ungiu meu corpo para o sepultamento. Tenham certeza de uma coisa: em qualquer lugar do mundo em que a Mensagem for pregada, o que ela fez aqui será lembrado e admirado”.
10-11Então, Judas Iscariotes, um dos Doze, procurou o sacerdote principal, determinado a trair Jesus. Eles mal podiam acreditar no que ouviam e lhe prometeram uma boa recompensa. Ele ficou apenas esperando o momento certo de entregá-lo.
O TRAIDOR DO FILHO DO HOMEM
12No primeiro dia da festa dos Pães sem Fermento, dia de preparar o sacrifício da Páscoa, os discípulos perguntaram a Jesus: “Onde queres que preparemos a ceia da Páscoa?”.
13-15Ele orientou dois dos discípulos: “Vão para a cidade. Um homem com um jarro de água encontrará vocês. Sigam-no. Perguntem ao proprietário da casa em que ele entrar: ‘O Mestre quer saber em qual aposento ele poderá comer a ceia da Páscoa com seus discípulos’. O homem mostrará a vocês uma sala no segundo andar, espaçosa, limpa e arrumada. Façam ali os preparativos”.
16Os discípulos foram para a cidade, e tudo aconteceu como ele lhes dissera. Eles prepararam ali a refeição pascal.
17-18Depois do pôr do sol, ele chegou com os Doze. Quando estavam à mesa, Jesus disse: “Tenho algo difícil, mas importante, a dizer. Um de vocês me trairá, alguém que neste momento come comigo”.
19Chocados, começaram a dizer, um após o outro: “Eu não!”.
20-21Ele respondeu: “É um dos Doze, alguém que come sempre comigo. O Filho do Homem sofrerá a dor da traição, já prevista nas Escrituras. Até aí, nenhuma surpresa. Mas ai do traidor do Filho do Homem. Melhor que ele nunca tivesse nascido”.
“ISTO É MEU CORPO”
22Durante a refeição, depois de tomar o pão e abençoá-lo, Jesus o partiu, deu-o aos discípulos e disse: “Tomem, isto é meu corpo”.
23-24Tomando o cálice e dando graças a Deus, entregou-o a eles também e todos beberam. Ele disse: “Isto é meu sangue, A nova aliança de Deus, Derramado em favor de muitos.
25“Não beberei vinho outra vez até o dia em que o beber no Reino de Deus”.
26Então, eles cantaram um hino e foram para o monte das Oliveiras.
27-28Jesus alertou-os: “Por causa do que vai acontecer comigo, vocês irão se dispersar. Isso é para cumprir um texto das Escrituras que diz: Vou ferir o pastor, e as ovelhas ficarão desorientadas. "Mas depois que eu ressuscitar, irei adiante de vocês para a Galiléia”.
29Mas Pedro, todo afoito, declarou: “Ainda que todo mundo fuja, eu não fugirei”.
30Jesus respondeu: “Não tenha tanta certeza. Ainda esta noite, antes que o galo cante duas vezes você vai me negar três vezes”.
31Pedro protestou, falando sem pensar: “Ainda que eu tenha de morrer contigo, jamais te negarei!” Todos os outros disseram o mesmo.
GETSÊMANI
32-34Então, eles foram para um jardim chamado Getsêmani. Jesus disse aos discípulos: “Fiquem aqui enquanto vou orar mais adiante”. Levando consigo Pedro, Tiago e João, ele mergulhou em grande agonia e declarou: “A tristeza que sinto é uma tristeza de morte. Fiquem aqui e vigiem comigo”.
35-36Indo um pouco mais adiante, prostrou-se no chão e orou: “Paizinho, Pai, tu podes me livrar! Afasta este cálice de mim. Mas, por favor, não seja o que eu quero, mas sim o que tu queres”.
37-38Quando voltou aos discípulos, encontrou os três dormindo e disse a Pedro: “Simão, você veio para dormir? Não pode aguentar nem uma hora? Fiquem atentos. Orem sempre para que não caiam em tentação antes mesmo de perceber o perigo. Uma parte de você está disposta a fazer qualquer coisa por Deus, mas a outra parte simplesmente não reage”.
39-40Depois disso, voltou ao seu lugar e fez a mesma oração. Retornando mais uma vez, ele os encontrou dormindo. Eles simplesmente não conseguiam manter os olhos abertos, e não tinham nem como se desculpar.
41-42Ele voltou pela terceira vez e disse: “Vocês vão dormir a noite toda? Minha hora chegou. O Filho do Homem está prestes a ser traído e entregue nas mãos dos pecadores. Levantem-se, vamos! O traidor chegou”.
UM BANDO DE MAUS ELEMENTOS
43-47Ele mal acabou de falar, e Judas, do grupo dos Doze, apareceu, acompanhado por um bando de maus elementos enviados pelos principais sacerdotes, líderes religiosos e demais líderes. Eles traziam espadas e paus. O traidor havia combinado um sinal com eles: “Aquele a quem eu beijar é o procurado. Prendam-no. Não o deixem fugir”. Ele foi direto a Jesus e o beijou, dizendo: “Mestre!” Os homens, então, o prenderam, com muita brutalidade. Mas um dos que estavam com Jesus desembainhou a espada e atacou o servo do sacerdote principal, cortando-lhe a orelha.
48-50Mas Jesus reagiu: “O que é isto? Vieram me buscar com espadas e paus, como se eu fosse um bandido perigoso? Dia após dia, estive ensinando no templo, e vocês nunca moveram um dedo contra mim. Vocês acabam de confirmar os escritos proféticos”. Nessa hora, todos os discípulos já haviam fugido.
51-52Um jovem seguia o grupo de longe. Tudo que ele trazia sobre o corpo era um lençol. Alguns daqueles homens tentaram agarrá-lo, mas ele escapou. Fugiu nu, deixando o lençol para trás.
CONDENADO À MORTE
53-54O grupo que prendeu Jesus levou-o ao sacerdote principal, que estava reunido com os principais sacerdotes, líderes do povo e líderes religiosos. Pedro os seguira a uma distância segura. Quando chegaram ao pátio do sacerdote principal, ele se misturou com os servos e foi se aquecer perto da fogueira.
55-59Os principais sacerdotes, conspirando com o Concílio judaico, tentavam achar acusações contra Jesus para condená-lo à morte. Não encontraram nada. Muitos davam falso testemunho, mas um depoimento contradizia o outro. Alguns homens apareceram com esta história: “Nós o ouvimos dizer: ‘Vou derrubar o templo, construído com tanto esforço, e em três dias construirei outro, sem ao menos erguer a mão”. Mesmo assim, não havia plena concordância entre os relatos.
60-61Nesse momento, o sacerdote principal levantou-se e perguntou a Jesus: “O que você tem a dizer dessa acusação?” Jesus não deu resposta. O sacerdote principal insistiu, mudando a pergunta: “Você é o Messias, o Filho do Deus Bendito?”.
62Jesus foi direto: “Sim, eu sou, e você mesmo verá — O Filho do Homem assentado à direita do Todo-poderoso Vindo nas. nuvens do céu”.
63-64Nessa hora, o sacerdote principal perdeu a compostura. Rasgando a própria roupa, gritou: “Ouviram isso? Acham que precisamos de mais testemunhas? Vocês testemunharam a blasfêmia. Vão deixar que isso fique assim?” Por unanimidade, eles o condenaram. E foi sentença de morte.
65Alguns começaram a cuspir nele. Vendaram-lhe os olhos e batiam nele, provocando: “Quem bateu em você? Profetize!” Os guardas levaram-no dali, sem interromper o espancamento.
PEDRO NEGA JESUS
66-67Enquanto isso, Pedro estava no pátio. E aconteceu que uma das empregadas do sacerdote principal, vendo Pedro se aquecer ali, olhou para ele e disse: “Você estava com Jesus, o Nazareno”.
68Mas ele negou: “Não sei do que você está falando”. Quando ele passou pelo pórtico, um galo cantou.
69-70A moça apontava para ele e dizia aos que estavam por ali: “Ele é um deles, tenho certeza”. E Pedro negou mais uma vez. Pouco depois, as pessoas ali começaram a insistir: "Você tem de ser um deles. Está na cara que você é galileu”.
71-72Então, Pedro ficou muito nervoso e jurou: “Nunca vi esse homem de quem vocês estão falando”. Na mesma hora, o galo cantou pela segunda vez. Pedro lembrou-se do que Jesus dissera: “Antes que o galo cante duas vezes, você vai me negar três vezes”. Sem se conter, desabou a chorar.
Marcos
Capítulo 15
PERANTE PILATOS1A primeira luz do dia, os principais sacerdotes, os mestres da lei e os líderes religiosos convocaram uma sessão com todo o Concílio judaico. Eles amarraram Jesus com cuidado e foram levá-lo a Pilatos.
2-3Pilatos perguntou: “Você é o ‘Rei dos judeus’?”. Jesus respondeu: “Se você diz”. Os principais sacerdotes derramaram diante do governador um dilúvio de acusações.
4-5Pilatos insistiu: “Você não vai responder nada? São muitas acusações!” Mesmo assim, ele ficou em silêncio. Pilatos ficou impressionado.
6-10Havia o costume de se libertar um prisioneiro na festa, qualquer um que o povo pedisse. Na ocasião, havia outro prisioneiro, chamado Barrabás, preso com revoltosos que haviam cometido assassinato num levante contra Roma. A multidão logo iria apresentar seu pedido, e Pilatos se antecipou a eles: “Vocês querem que eu liberte o Rei dos judeus?” O governador sabia que fora por pura inveja que os sacerdotes haviam entregado Jesus.
11-12No entanto, os principais sacerdotes haviam orientado a multidão para que pedissem a libertação de Barrabás. Mas Pilatos perguntou: “Então, o que farei com este homem que vocês chamam Rei dos judeus?”
13Eles gritaram: “Crucifique-o!”.
14Pilatos objetou: “Mas por qual crime?”. Contudo, eles gritavam ainda mais alto: “Crucifique-o!”
15Pilatos atendeu ao pedido da multidão: libertou Barrabás e entregou Jesus para ser açoitado e crucificado.
16-20Os soldados levaram Jesus ao palácio (chamado Pretório) e reuniram uma tropa inteira. Vestiram-no com um manto de púrpura e puseram uma coroa de espinhos na cabeça dele. Então, começou a zombaria: “Viva o Rei dos judeus!”. Eles lhe batiam na cabeça com um bastão, cuspiam nele e se ajoelhavam diante dele, como se o reverenciassem. Quando cansaram das chacotas, tiraram-lhe o manto de púrpura e o vestiram de novo com as suas roupas. Então o levaram para crucificá-lo.
A CRUCIFICAÇÃO
21Um homem estava passando, de volta do trabalho — Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo. Eles o obrigaram a carregar a cruz de Jesus.
22-24Os soldados levaram Jesus ao Gólgota, que significa “colina da Caveira”. Ofereceram-lhe vinho misturado com mirra, para aliviar a dor, mas ele não aceitou. Então o pregaram na cruz. Depois fizeram um sorteio para ver quem ficaria com suas roupas.
25-30Jesus foi crucificado às nove horas da manhã. A acusação — O Rei dos judeus — foi escrita numa placa. Com ele, crucificaram dois criminosos, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam caçoavam, sacudindo a cabeça e ironizando: “Você alegou que poderia destruir o templo e reconstruí-lo em três dias — mostre agora seu poder. Salve-se! Se você é mesmo o Filho de Deus, desça da cruz!”.
31-32Os principais sacerdotes e os líderes religiosos também estavam ali, misturados ao povo, divertindo-se e zombando de Jesus: “Ele salvou os outros, mas não pode se salvar! Ele é mesmo o Messias, o Rei de Israel? Então, desça da cruz, e todos nós acreditaremos em você”. Até os que estavam crucificados com ele participavam da zombaria.
33-34Então, do meio-dia às três da tarde, toda a terra ficou na escuridão. Cerca das três horas da tarde, Jesus gritou bem alto: "Eloí, Eloí; lamá sabactâni que quer dizer: “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”
35-36Alguns dos que viram aquilo o ouviram e disseram: “Ele está chamando Elias”. Um deles correu, pegou uma esponja mergulhada em vinagre e ergueu-a numa haste e deu de beber a Jesus, e disse: “Vamos ver se Elias vem para tirá-lo daí”.
37-39E depois de um grito de dor, Jesus deu seu último suspiro. Naquele instante, a cortina do templo rasgou-se ao meio, de alto a baixo. Quando o capitão da guarda viu que Jesus já não respirava mais, exclamou: “Ele era o Filho de Deus!”
LEVADO PARA O TÚMULO
40-41Algumas mulheres observavam a distância, entre elas Maria Madalena, Maria, mãe do jovem Tiago e de José, e Salomé. Quando Jesus estava na Galiléia, elas o seguiam e serviam e tinham vindo com ele para Jerusalém.
42-45Mais tarde, sendo o Dia da Preparação (isto é, a véspera do sábado), apareceu José de Arimatéia, membro respeitado do Concílio judaico. Ele aguardava com expectativa a vinda do Reino de Deus. Enchendo-se de coragem, procurou Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos duvidou que ele tivesse morrido tão rapidamente e mandou o capitão verificar se Jesus estava de fato morto. Com a garantia do capitão, ele entregou o corpo a José.
46-47José havia comprado um lençol de linho. Depois, envolveu o corpo e o depositou no túmulo que havia escavado na rocha. Pôs uma grande pedra na entrada. Maria Madalena e Maria, mãe de José, observaram o sepultamento.
Marcos
Capítulo 16
A RESSURREIÇÃO1-3Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé trouxeram especiarias para embalsamar Jesus. Na manhã de domingo, assim que o sol raiou, elas foram ao túmulo. Estavam preocupadas e diziam umas às outras: “Quem irá rolar a pedra do túmulo para nós?”
4-5Ao chegar, elas descobriram que a pedra já havia sido rolada — era uma pedra muito grande. Elas se aproximaram e viram um jovem vestido de branco assentado à direita. Ficaram muito assustadas.
6-7Então, ele lhes disse: “Não tenham medo. Sei que vocês procuram Jesus, o Nazareno, aquele que foi crucificado. Ele ressuscitou, não está mais aqui. Vejam vocês mesmas que o lugar está vazio. Agora, podem ir! Digam aos discípulos dele e a Pedro que ele vai adiante de vocês para a Galiléia. Vocês o verão lá, exatamente como ele disse”.
8Elas saíram o mais rápido que puderam, nervosas e ainda um tanto atordoadas. Amedrontadas, não disseram nada a ninguém.
9-11[Depois de ressuscitar, Jesus apareceu bem cedo, na manhã de domingo, para Maria Madalena, a quem havia libertado de sete demônios. Ela procurou os antigos companheiros na fé, chorando, e deu a notícia a eles. Quando ouviram que ele estava vivo e que ela o tinha visto, não acreditaram nela.
12-13Mais tarde, ele apareceu, de forma diferente, a dois deles que caminhavam pelo campo. Eles voltaram e contaram aos demais, mas estes também não acreditaram no relato.
14-16Depois disso, quando os Onze estavam jantando, ele apareceu e os repreendeu severamente pela incredulidade, pois se recusavam a acreditar nos que o tinham visto ressuscitado. Então, ele ordenou: “Saiam pelo mundo. Vão a toda parte e anunciem a Mensagem com as boas notícias de Deus para todos. Quem crer e for batizado está salvo; quem se recusar a crer está condenado.
17-18Estes são alguns dos sinais que acompanharão os que crerem: eles vão expulsar demônios em meu nome, falar em novas línguas, pegar em serpentes e até beber veneno sem que nada lhes aconteça; também vão impor as mãos sobre os enfermos e curá-los”.
19-20Então, o Senhor Jesus, depois de orientá-los, foi elevado ao céu e assentou-se ao lado de Deus no lugar da mais alta honra. Os discípulos saíram por toda parte, pregando. O Senhor trabalhava com eles, confirmando a Mensagem com provas inquestionáveis.