Atos capítulos 1 ao 28
Atos
Capítulo 1
ATÉ AOS CONFINS DA TERRA1-5Prezado Teófilo, no primeiro volume deste livro escrevi a respeito de tudo que Jesus começou a fazer e a ensinar até o dia em que ele se despediu dos apóstolos, aqueles que ele havia escolhido por meio do Espírito Santo, e foi levado ao céu. Depois de sua morte, ele se apresentou vivo a eles, em diferentes lugares, por um período de quarenta dias. Nesses encontros face a face, ele os orientou sobre assuntos concernentes ao Reino de Deus. Entre os encontros e refeições, ele os aconselhou a não deixar Jerusalém, mas a “esperar pelo que o Pai prometeu: a promessa que vocês ouviram de mim. João batizou com água, mas vocês serão batizados com o Espírito Santo. E isso acontecerá logo”.
6Na última vez em que se reuniram, eles perguntaram: “Mestre, o senhor vai restaurar o Reino a Israel agora? Chegou o momento?”
7-8Ele respondeu: “Vocês não devem tentar descobrir a hora. Determinar o tempo é responsabilidade do Pai. Vocês vão receber o Espírito Santo, e, quando ele vier, vocês serão minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até mesmo nos confins da terra”.
9-11Essas foram suas últimas palavras. Enquanto observavam, ele foi levado e desapareceu numa nuvem. Eles ficaram ali, olhando para o céu vazio. De repente, dois homens vestidos de branco apareceram e disseram: “Galileus! Por que estão parados, olhando para o céu? Este mesmo Jesus que vocês viram ser levado para o céu voltará, tão certa e misteriosamente quanto partiu”.
VOLTANDO PARA JERUSALÉM
12-13Eles deixaram o monte das Oliveiras e voltaram para Jerusalém, distante dali cerca de um quilômetro. Foram para a sala que usavam como local de reunião, que ficava no andar superior de uma casa: Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, Judas, filho de Tiago.
14Eles concordaram em permanecer ali, unidos em oração, incluindo as mulheres. Também estavam ali a mãe de Jesus, Maria, e os irmãos dele.
NO LUGAR DE JUDAS
15-17Enquanto estavam ali, cerca de 120 pessoas, Pedro começou a dizer-lhes: “Amigos, há muito tempo o Espírito Santo falou por meio de Davi sobre Judas, que se tornou o guia dos que prenderam Jesus. As Escrituras tinham de ser cumpridas. Judas era um de nós e tinha lugar designado neste ministério.
18-20“Vocês sabem que ele aceitou aquele suborno maldito, comprou um pequeno terreno e teve um fim trágico: sua barriga rasgou-se e suas vísceras se espalharam. Todos em Jerusalém sabem disso e chamam o lugar campina do Assassinato. É conforme lemos nos Salmos: Que seu lugar fique deserto, De modo que ninguém more lá. E também o que foi escrito depois: Que outro assuma seu posto.
21-22Judas deve ter um substituto. Deve ser alguém do nosso grupo, alguém que está conosco desde o tempo em que Jesus foi batizado por João até o dia de sua ascensão, sendo também testemunha da sua ressurreição”.
23-26Eles indicaram dois nomes: José Barsabás, apelidado de Justo, e Matias. Então oraram: “Ó Deus, tu conheces cada um de nós, no íntimo. Mostra-nos qual destes dois escolhes para assumir neste ministério de liderança o lugar que Judas abandonou, para seguir seu próprio caminho”. Depois de orar, fizeram um sorteio. Matias foi escolhido e juntou-se aos onze apóstolos.
Atos
Capítulo 2
UM SOM COMO DE UM VENTO FORTE1-4Quando chegou a festa de Pentecoste, todos estavam juntos num só lugar. Inesperadamente, um som parecido com o de um vento ganhou força, e ninguém sabia de onde vinha. Todo o lugar foi tomado por aquele som. Em seguida, como um fogo que irrompe, o Espírito Santo se espalhou sobre eles, e começaram a falar em diferentes línguas, à medida que o Espírito agia.
5-11Por essa época, muitos judeus, peregrinos devotos do mundo inteiro, estavam em Jerusalém. Quando ouviram o som, eles vieram averiguar. Para espanto deles, cada um ouvia sua própria língua materna sendo falada por alguém. Sem entender o que estava acontecendo, perguntam-se: “Eles não são galileus? Como é que estão falando em tantas línguas diferentes? Partos, medos e elamitas; Visitantes da Mesopotâmia, Judeia e Capadócia, Ponto e Ásia, Frigia e Panfília, Egito e as partes da Líbia que pertencem a Cirene; Imigrantes de Roma, tanto judeus quanto prosélitos; Até mesmo cretenses e árabes! “Nós os ouvimos falando em nosso idioma, descrevendo atos poderosos de Deus!”
12Atônitos, balançavam a cabeça, sem conseguir entender nada, e diziam uns aos outros: “O que está acontecendo aqui?”.
13Alguns zombavam: “Eles estão bêbados! E com vinho barato”.
O DISCURSO DE PEDRO
14-21Apoiado pelos outros onze apóstolos, Pedro tomou a palavra e fez este ousado pronunciamento: “Irmãos judeus, vocês que estão visitando Jerusalém, ouçam com atenção e procurem entender. Ninguém está bêbado aqui, como alguns estão pensando. Elas não tiveram tempo de se embebedar, porque ainda são nove horas da manhã. O que está acontecendo é o que o profeta Joel anunciou: ‘Nos últimos dias’, Deus diz: ‘Vou derramar meu Espírito sobre todo tipo de gente — Seus filhos vão profetizar, e também suas filhas. Seus jovens terão visões, seus velhos terão sonhos. Quando chegar a hora, vou derramar meu Espírito Sobre todos os que me servem, homens e mulheres de igual modo, e eles vão profetizar. Mostrarei maravilhas no céu e sinais na terra, Sangue, fogo e fumaça, o Sol ficará escuro; e a Lua, vermelha, Antes que chegue o dia do Senhor, o dia tremendo e maravilhoso. E quem pedir ajuda a mim, Deus, será salvo.
22-28“Irmãos israelitas, ouçam com atenção: Jesus, o Nazareno, homem credenciado por Deus entre vocês — os milagres, as maravilhas e os sinais que Deus fez por meio dele são bem conhecidos — esse Jesus, conforme o estabelecido no plano de Deus, foi traído por homens que tomaram a lei nas próprias mãos e entregue a vocês, que o pregaram numa cruz e o mataram. Mas Deus desatou as cordas da morte e o ressuscitou. A morte não foi capaz de segurá-lo. Davi previu isso tudo: Eu vi Deus diante de mim o tempo todo. Nada pode me abalar, ele está ao meu lado. Minha alegria extravasa, exultante; fixei minha morada na terra da esperança. Sei que nunca me lançarás no Hades; Jamais sentirei o cheiro da morte. Puseste meus pés no caminho da vida, com tua face brilhando como um sol de alegria ao meu redor.
29-36“Prezados amigos, permitam-me ser franco. Nosso antepassado Davi está morto e sepultado — seu túmulo está aí, onde todos podem ver. Mas, sendo também profeta e sabendo que Deus jurou solenemente que um descendente dele assumiria seu Reino, ele previu também a ressurreição do Messias — não haverá ida ao Hades, nenhum cheiro da morte’. Esse Jesus, Deus ressuscitou, e cada um de nós aqui é testemunha disso. Depois de ser elevado às alturas e sentar-se à direita de Deus, ele recebeu a promessa do Espírito Santo da parte do Pai e derramou o Espírito que recebeu. É isso que vocês estão vendo e ouvindo. Davi não subiu aos céus, mas disser: Deus disse ao meu Senhor: ‘Assente-se aqui ao meu lado direito Até que eu faça dos seus inimigos um descanso para os seus pés’. “Todo o Israel, portanto, entenda isto: não há lugar para a dúvida — Deus fez Senhor e Messias aquele Jesus que vocês crucificaram”.
37Os que ouviam perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, o que vamos fazer agora?”.
38-39Pedro respondeu: “Mudem de vida. Voltem-se para Deus e sejam batizados, cada um de vocês, no nome de Jesus Cristo, para que seus pecados sejam perdoados. Recebam o dom do Espírito Santo. A promessa é para vocês e para os seus filhos, mas também para todos os que estão longe — na verdade, aqueles a quem o Senhor Deus chamar”.
40Ele aprofundou o assunto, insistindo com eles cada vez mais: “Saiam enquanto podem! Saiam desta cultura doente e vazia!”.
41-42Naquele dia, cerca de três mil pessoas foram convencidas por aquela palavra, batizadas e arroladas. Elas passaram a seguir o ensino dos apóstolos, a vida em comunidade, a refeição comunitária e a prática da oração.
43-45Todos ficaram perplexos com os sinais e maravilhas realizados por meio dos apóstolos! Os crentes viviam numa harmonia maravilhosa e tinham tudo em comum. Vendiam o que possuíam e deixavam os recursos à disposição para atender às necessidades de quem precisasse.
46-47Eles seguiam uma disciplina diária de cultos no templo, seguidos de refeições nas casas. Cada refeição era uma celebração vibrante e alegre, com muito louvor a Deus. O povo da cidade apreciava o que via. Todos os dias, o número deles aumentava, e Deus acrescentava os que iam sendo salvos.
Atos
Capítulo 3
1-5Certo dia, às três horas da tarde, Pedro e João foram ao templo para uma
reunião de oração. No mesmo instante um homem, aleijado de nascença, estava
sendo carregado para lá. Todos os dias, ele ficava sentado perto da porta do
templo, chamada Formosa, para pedir esmolas aos que ali entravam. Quando ele viu
que Pedro e João se dirigiam à entrada do templo, pediu uma esmola. Pedro, junto
com João, olhou-o bem nos olhos e disse: “Olhe para nós”. Ele olhou, na
esperança de ganhar uns trocados.6-8Pedro continuou: “Não tenho um centavo para dar a você, mas vou dar o que tenho: em nome de Jesus Cristo de Nazaré, comece a andar!”. Dito isso, segurou o mendigo pela mão direita e puxou-o. Num segundo os pés e tornozelos do homem se firmaram. Ele deu um salto e começou a andar.
8-10O homem entrou no templo com eles, andando para todo lado, dançando e louvando a Deus. Todos os que estavam ali puderam vê-lo andando e louvando a Deus. Eles esfregavam os olhos, custando a acreditar no que viam, pois reconheceram imediatamente o aleijado que pedia esmolas perto da porta do templo.
11O homem, empolgado, dançava em torno de Pedro e João. Os que estavam presentes cercaram o trio no Pórtico de Salomão, para conferir de perto o milagre.
DE VOLTA PARA DEUS
12-16Quando Pedro percebeu a plateia ali formada, dirigiu a palavra a eles: “Caros israelitas, por que tanto espanto? Por que nos olham como se o homem estivesse andando por causa do nosso poder ou devoção? O Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o Deus dos nossos antepassados, glorificou seu Filho Jesus. Aquele que Pilatos declarou inocente e vocês rejeitaram. Vocês rejeitaram o Santo, o Justo, e pediram um assassino em seu lugar. Vocês mataram o Autor da Vida, que Deus ressuscitou dos mortos — e nós somos testemunhas disso. A fé no nome de Jesus pôs de pé este homem, cuja condição vocês conheciam bem. Sim, a fé, e nada menos que a fé deixou este homem curado diante de todos vocês.
17-18“Agora, amigos, sei que nem vocês nem seus líderes tinham ideia do que estavam fazendo quando mataram Jesus. Mas Deus, que pela pregação de todos os profetas já havia determinado que o Messias seria morto, sabia exatamente o que vocês iriam fazer e usou isso para cumprir seu plano.
19-23“Mas é hora de mudar de vida! Voltem para Deus, para que ele limpe os seus pecados e derrame bênçãos para renová-los e envie o Messias, a saber, Jesus, que ele preparou para seu povo. Por enquanto, ele precisa permanecer nos céus, até que tudo seja restaurado, a fim de pôr em ordem outra vez tudo aquilo que Deus anunciou por meio dos seus santos profetas. Moisés, por exemplo, disse: ‘Do meio de vocês Deus levantará um profeta como eu. Ouçam cada palavra que ele disser. Quem se recusar a ouvir esse profeta será eliminado do povo’.
24-26“Todos os profetas, desde Samuel, afirmaram com veemência a mesma coisa: que este tempo chegaria. Esses profetas, somados à aliança que Deus fez com os antepassados de vocês, são sua árvore genealógica. Os termos da aliança que Deus fez com Abraão são estes: ‘Pelo seu descendente, todas as famílias da terra serão abençoadas’. Mas vocês são os primeiros da fila. Deus ressuscitou seu Filho e o enviou para abençoar vocês, um a um, para que se convertam dos seus maus caminhos”.
Atos
Capítulo 4
NADA A ESCONDER1-4Enquanto Pedro e João falavam ao povo, os sacerdotes, o chefe da guarda do templo e alguns saduceus se aproximaram, indignados com o fato de aqueles apóstolos pretensiosos estarem instruindo o povo e afirmando que Jesus havia ressuscitado dos mortos. Os dois foram presos e ficaram no cárcere até o dia seguinte, pois já era tarde da noite. Mas a essa altura muitos dos que tinham ouvido a Mensagem haviam crido — cerca de cinco mil pessoas!
5-7No dia seguinte foi convocada uma reunião em Jerusalém. Os governantes, líderes religiosos e mestres da lei judaica, o sacerdote principal Anás, e os demais: Caifás, João, Alexandre — enfim todos que tinham alguma influência estavam lá. Eles puseram Pedro e João no meio da sala e os pressionaram: “Quem deu autoridade a vocês? O que pretendem com isso?”.
8-12E, naquela hora, cheio do Espírito Santo, Pedro respondeu: "Governantes e líderes do povo, se fomos trazidos a julgamento hoje por ajudar um homem doente; se estamos sendo investigados por causa desta cura, vou ser bem claro com vocês: não temos nada a esconder. Foi pelo nome de Jesus Cristo de Nazaré, aquele que vocês mataram numa cruz e que Deus ressuscitou dos mortos; é pelo nome dele que este homem está na presença de vocês, saudável e curado. Jesus é a pedra que os pedreiros rejeitaram, que agora é a principal’. A salvação não vem por outro caminho. Nenhum outro nome foi ou será designado para nossa salvação, somente o de Jesus".
13-14Eles não conseguiam desviar os olhos de Pedro e João, porque eles se mostravam confiantes e seguros! A fascinação aumentou quando perceberam que os dois eram leigos, isto é, sem formação teológica e com pouca educação formal. Eles reconheceram os antigos companheiros de Jesus, mas com o homem diante deles, de pé e curado, o que poderiam argumentar? 15-17 Eles os mandaram sair da sala por um instante, para que pudessem elaborar uma estratégia. Disseram: “O que vamos fa
2er com esses homens? A esta hora, todos na cidade devem saber do milagre e que eles estão por trás disso. Não há como refutar. Para que isso não vá adiante, temos de ameaçá-los para que eles não mencionem o nome de Jesus a mais ninguém”.
18-20Eles os chamaram de volta e os advertiram a não mais fazer menção ao nome de Jesus nem ensinar em seu nome. Mas Pedro e João reagiram: “Decidam os senhores se é justo aos olhos de Deus ouvir a ele ou a vocês. Nós não temos dúvida: não podemos nos calar a respeito do que vimos e ouvimos”. 21-22 Os líderes religiosos fizeram mais ameaças, mas depois os deixaram ir, pois contra eles nada podiam provar que justificasse a prisão. Todo o povo estava louvando a Deus pelo que havia acontecido e sem dúvida iria se revoltar contra essa decisão. Além disso, o homem que havia sido curado tinha mais de 40 anos de idade.
UM SÓ CORAÇÃO, UMA ÚNICA MENTE
23-26Assim que saíram, Pedro e João se reuniram com seus amigos e contaram o que os principais sacerdotes e líderes religiosos tinham dito. Ouvindo o relato, eles ergueram a voz numa bela e harmoniosa oração: “Deus Forte, que fizeste os céus, a terra e o mar e tudo que há neles. Pelo Espírito Santo, falaste pela boca do teu servo e nosso pai Davi: Nações, por que tanto tumulto? Povos, por que tantos planos? Os líderes da terra brigam por posições, Poderosos se encontram em reuniões de cúpula, Os que negam Deus e se rebelam contra o Messias.
27-28“Pois de fato eles se reuniram — Herodes e Pôncio Pilatos com nações e povos, e até mesmo Israel! — nesta cidade para planejar contra seu santo Filho Jesus, aquele a quem fizeste Messias, para levar adiante os planos que elaboraste há muito tempo.
29-30“Agora, eles atacam de novo! Cuida destas ameaças e dá aos teus servos confiança e coragem para pregar tua Mensagem. Estenda a mão para realizar curas, milagres e maravilhas em nome do teu santo Servo Jesus”.
31Enquanto eles oravam, o lugar em que estavam reunidos tremeu. Eles foram cheios do Espírito Santo e continuaram a proclamar a Palavra de Deus com coragem e confiança.
32-33Toda a comunidade de cristãos estava unida — um só coração, uma única mente! Eles não alegavam direito de propriedade nem do que era deles. Ninguém dizia: “Isto é meu, e de ninguém mais”. Eles compartilhavam tudo. Os apóstolos davam um testemunho poderoso da ressurreição do Senhor Jesus, e a graça repousava sobre todos eles.
34-35Além disso, ninguém do grupo passava necessidade. Os que possuíam campos ou casas vendiam essas propriedades e entregavam o dinheiro da venda aos apóstolos, como oferta. Os apóstolos, por sua vez, distribuíam esses recursos de acordo com a necessidade de cada um.
36-37José, que os apóstolos chamavam de Barnabé (que significa “Filho da Consolação”), levita nascido em Chipre, vendeu uma propriedade que possuía, trouxe o dinheiro e o entregou como oferta aos apóstolos.
Atos
Capítulo 5
ANANIAS E SAFIRA1-2Mas um homem chamado Ananias, com a conivência da esposa, Safira, vendeu uma propriedade e guardou parte do valor da venda para si. Em seguida, entregou o restante aos apóstolos, como oferta.
3-4Mas, inesperadamente, Pedro lhe disse: “Ananias, como você permitiu que Satanás o levasse a mentir ao Espírito Santo, escondendo parte do dinheiro da venda da propriedade? Antes de vendê-la, tudo era seu; depois que a vendeu, poderia ter gastado o dinheiro como quisesse. Como foi cair nessa armadilha? Você não mentiu aos homens, mas a Deus”.
5-6Assim que ouviu essas palavras, Ananias caiu morto, e todos os que ouviram a conversa ficaram apavorados. Em seguida, alguns jovens levaram o corpo e o sepultaram.
7-8Passadas não mais de três horas, chegou a esposa dele, sem saber o que havia acontecido. E Pedro lhe perguntou: “Diga-me, essa oferta foi o preço total da sua propriedade?”. “Sim, foi esse o preço”, ela respondeu.
9-10Pedro prosseguiu: “O que a levou a ser conivente nessa conspiração contra o Espírito do Senhor? Os homens que sepultaram seu marido estão para chegar, e você será a próxima”. Mal ele pronunciou essas palavras, ela caiu morta. Quando os jovens chegaram, encontraram o corpo da mulher, que foi carregado e sepultado ao lado do corpo do marido.
11Nesse tempo a igreja inteira e todos os que tomaram conhecimento do fato sentiram um respeito profundo por Deus. Eles perceberam que com Deus não se pode brincar.
REUNIÕES REGULARES
12-16O trabalho dos apóstolos resultou em muitos sinais da parte de Deus entre o povo. Coisas maravilhosas aconteceram. Eles se reuniam regularmente no templo, no pórtico de Salomão, e a harmonia entre eles era notável. Mas ainda que os admirasse, o povo hesitava em unir-se a eles. Apesar disso, o número dos que passaram a confiar no Senhor aumentava sempre, homens e mulheres vindos de todos os lugares. Eles chegavam a deixar os doentes na calçada sobre macas, esperando que fossem tocados pela sombra de Pedro quando ele passasse. Multidões vinham das cidades ao redor de Jerusalém trazendo os enfermos, e todos eram curados.
OBEDECER A DEUS, NÃO AOS HOMENS
17-20Sentindo-se afrontados com tudo isso, o sacerdote principal e seus aliados, principalmente os saduceus, entraram em ação: prenderam os apóstolos e os lançaram na cadeia da cidade. No entanto, durante a noite, um anjo de Deus abriu a porta da cadeia e os libertou, e lhes disse: “Vão ao templo e fiquem firmes. Digam ao povo tudo que precisa ser dito a respeito dessa Vida”. Eles obedeceram: entraram no templo ao raiar do dia e prosseguiram com seu ensinamento.
21-23Alheios a isso, o sacerdote principal e seus companheiros convocaram o Concílio judaico e mandaram buscar os prisioneiros. Ao chegar à cela, os guardas não encontraram ninguém. Voltaram imediatamente e informaram: “Encontramos a cela trancada e os guardas na portas, mas, quando entramos, não havia ninguém”.
24O chefe da guarda do templo e os sacerdotes ficaram confusos: “Afinal, o que está acontecendo aqui?”
25-26Alguém, então, apareceu e disse: “Os senhores sabiam que os homens que foram presos estão de volta no templo, ensinando o povo?” Então, o chefe e os guardas foram atrás deles, mas os trataram bem, temendo uma reação violenta do povo.
27-28Os guardas os levaram de volta e os conduziram ao Concílio. O sacerdote principal interrogou: “Nós não havíamos dado ordens estritas para que não ensinassem no nome de Jesus? E vocês não só encheram Jerusalém com seu ensino como estão nos culpando pela morte desse homem!”
29-32Pedro e os apóstolos responderam: “É necessário obedecer a Deus, não aos homens. O Deus dos nossos antepassados ressuscitou Jesus, a quem vocês mataram, pendurando-o numa cruz. Mas Deus o levou para as alturas, ao seu lado, o Príncipe e Salvador, para dar a Israel o dom de uma vida transformada e de pecados perdoados. Nós somos testemunhas dessas coisas. O Espírito Santo, que Deus concede aos que a ele obedecem, confirma cada detalhe”.
33-37Quando ouviram isso, as autoridades ficaram furiosas quiseram matá-los ali mesmo. Mas um dos membros do Concílio interferiu, um fariseu chamado Gamaliel, mestre da Lei de Deus e honrado por todos. Ele ordenou que os homens se retirassem da sala por um momento e fez este pronunciamento: “Caros israelitas, cuidado com o que pretendem fazer a esses homens. Não faz muito tempo, Teudas fez grande estardalhaço, alegando ser alguém, e conseguiu quatrocentos seguidores. Ele foi morto, seus seguidores foram dispersos e nada aconteceu. Pouco tempo depois, na época do censo, Judas, o Galileu, apareceu e arrebanhou alguns homens. Ele também fracassou, e seus seguidores se dispersaram por toda parte.
38-39“Portanto, digo a vocês: tirem as mãos desses homens! Deixem-nos em paz! Se o projeto deles é algo meramente humano, irá fracassar; mas, se é de Deus, não há nada que possamos fazer — e é melhor que vocês não sejam flagrados lutando contra Deus”. O argumento os convenceu. Eles chamaram os apóstolos de volta. Após mandarem açoitá-los, eles os advertiram a não falar no nome de Jesus e os expulsaram dali. Os apóstolos saíram do Concílio exultantes por terem a honra de ser maltratados por causa do Nome. E não perderam um minuto sequer: todos os dias estavam no templo e nas casas, ensinando e pregando a respeito de Cristo Jesus.
Atos
Capítulo 6
A PALAVRA DE DEUS PROSPEROU1-4Nesse meio-tempo, enquanto o número de discípulos crescia bastante, surgiu certo ressentimento entre os crentes de fala grega, os “helenistas”, contra os crentes de fala hebraica, porque as viúvas gregas estavam sendo discriminadas na distribuição diária de comida. Os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: “Não é certo que abandonemos nossa responsabilidade na pregação e no ensino da Palavra de Deus para administrar a assistência aos pobres. Por isso, amigos, escolham sete homens dentre vocês, em quem todos confiem e que sejam cheios do Espírito Santo e de bom senso, e lhes designaremos essa tarefa. Assim, continuaremos com a tarefa de que fomos incumbidos: oração e anúncio da Palavra de Deus”.
5-6A comunidade concluiu que era uma grande ideia, então escolheram: Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas Nicolau, convertido ao judaísmo de Antioquia. Feita a escolha, a comunidade apresentou-os aos apóstolos, que, orando, impuseram as mãos sobre eles e os comissionaram para aquela tarefa.
7A Palavra de Deus prosperava. O número dos discípulos em Jerusalém crescia dramaticamente. Além disso, um grande número de sacerdotes passou a seguir a fé;
8-10Estêvão, cheio do poder e da graça de Deus, realizava obras maravilhosas entre o povo, sinais inconfundíveis de que Deus estava entre eles. Mas alguns homens das sinagogas, cujos membros eram escravos libertos, cireneus, alexandrinos e gente da Cilicia e da Ásia, passaram a atacá-lo, a fim de impedir seu trabalho. Entretanto, eles não eram páreo para a sabedoria e a força com que Estêvão falava.
11Por isso, subornaram homens para que dissessem a seguinte mentira: “Nós o ouvimos amaldiçoar Moisés e Deus”.
12-14A denúncia incitou os ânimos do povo, de seus líderes e dos mestres religiosos. Eles agarraram Estêvão e o levaram perante o Concílio. Apresentaram testemunhas subornadas que diziam: “Este homem não para de falar contra o Lugar Santo e contra a Lei de Deus. Até o ouvimos dizer que Jesus de Nazaré destruiria este lugar e que daria fim a todos os costumes instituídos por Moisés”.
15Os membros do Concílio olharam para Estêvão e não conseguiram mais tirar os olhos dele, porque seu rosto parecia o rosto de um anjo!
Atos
Capítulo 7
ESTÊVÃO, CHEIO DO ESPÍRITO SANTO1Então, o sacerdote principal perguntou: “O que você tem a dizer sobre isso?”.
2-3Estêvão respondeu: “Amigos, pais e irmãos, o Deus da glória apareceu ao nosso pai Abraão quando ele ainda vivia na Mesopotâmia, antes de se mudar para Harã, e ordenou: ‘Deixe sua terra e sua família e vá para a terra que vou mostrar a você’.
4-7“Ele deixou a terra dos caldeus e foi para Harã. Depois da morte do seu pai, migrou para cá, onde vocês vivem agora, mas Deus não lhe deu nada, nem um palmo sequer, prometendo que a terra seria dada ao seu filho, ainda que Abraão não tivesse filho na época. Deus revelou que sua descendência se mudaria para uma terra estranha e ali seriam duramente escravizados por quatrocentos anos, mas prometeu: ‘Vou tomar providências contra os seus dominadores e trazer meu povo para cá, para que me adorem aqui’.
8“Deus firmou uma aliança com Abraão e a assinou na carne do patriarca, pela circuncisão. Abraão teve seu filho Isaque e oito dias depois fez o sinal da circuncisão no menino também. Isaque tornou-se pai de Jacó; Jacó, pai dos doze ‘pais’, e cada um passou adiante o sinal da aliança.
9-10“Certo dia, os ‘pais’, cheios de inveja, venderam José como escravo para o Egito. Mas Deus estava lá com ele e não só o livrou de todas as suas lutas como o levou até a presença do faraó, rei do Egito, que ficou tão impressionado com José que o pôs como responsável de todo o Egito, até mesmo de seus assuntos pessoais.
11-15“Mais tarde, uma fome atingiu a região, do Egito a Canaã, com terríveis consequências. Na fome, nossos pais procuraram comida em toda parte, mas a despensa continuava vazia. Jacó soube que havia comida no Egito e enviou nossos pais para investigar. Confirmada a notícia, eles voltaram ao Egito segunda vez para comprar comida. Nessa visita, José revelou sua identidade aos seus irmãos e apresentou a família de Jacó ao rei do Egito. Então, José mandou buscar seu pai, Jacó, e os demais membros da família, setenta e cinco ao todo. Foi assim que a família de Jacó chegou ao Egito.
15-16“Jacó morreu, e nossos pais depois dele. Eles foram levados a Siquém e sepultados num túmulo que Abraão havia comprado dos filhos de Hamor por um bom dinheiro.
17-19“Quando os quatrocentos anos estavam para se completar, o tempo em que Deus prometeu a Abraão libertar Israel, o nosso povo no Egito já era imenso, e estava sob um rei do Egito que nunca tinha ouvido falar de José. Ele explorou nosso povo sem piedade, a ponto de nos forçar a abandonar os recém-nascidos, condenando-os a uma morte cruel.
20-22“Foi nessa época que Moisés nasceu. E que bebê bonito! Ficou escondido em casa por três meses. Quando não era mais possível escondê-lo, ele foi tirado de casa — e imediatamente salvo pela filha do faraó, que cuidou dele como se fosse um filho. Moisés recebeu a melhor educação do Egito e se destacou tanto acadêmica como fisicamente.
23-26“Aos quarenta anos, Moisés quis saber como era a vida de seus parentes hebreus e foi verificar a situação deles. Um dia viu um egípcio maltratando um deles e interferiu, e matou o egípcio para vingar o irmão humilhado. Imaginava que seus irmãos ficariam contentes ao saber que ele estava do lado deles e que iriam vê-lo como instrumento de Deus para libertá-los. Mas eles não entenderam nada disso. No dia seguinte, dois deles estavam brigando, e Moisés tentou interferir, sugerindo que fizessem as pazes e se entendessem: ‘Amigos, vocês são irmãos, por que estão brigando?’.
27-29“O que havia começado a briga retrucou: ‘Quem deu a você autoridade sobre nós? Vai me matar como matou o egípcio ontem?’. Quando Moisés ouviu isso, percebeu que a notícia havia se espalhado e fugiu. Exilou-se em Midiã e, durante os anos do exílio, teve dois filhos.
30-32“Quarenta anos depois, no deserto do monte Sinai, um anjo lhe apareceu num arbusto em chamas. Maravilhado com aquilo, Moisés foi conferir de perto e ouviu a voz de Deus: ‘Eu sou o Deus de seus pais, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó”. Morrendo de medo, Moisés fechou os olhos e virou o rosto.
33-34“Deus lhe disse: “Ajoelhe-se e ore! Você está num lugar santo, em terra santa. Tenho visto a agonia do meu povo no Egito. Ouvi seus gemidos. Vim para ajudá-los. Prepare-se: eu mandarei você de volta ao Egito”.
35-39“E esse era o mesmo Moisés que antes haviam rejeitado, dizendo: ‘Quem deu a você autoridade sobre nós?’. É aquele Moisés que Deus, usando o anjo no arbusto, enviou de volta como líder e libertador. Ele os tirou da escravidão para a liberdade, realizando coisas maravilhosas, sinais da parte de Deus por todo o Egito, no mar Vermelho e no deserto por quarenta anos. E foi isso que Moisés disse à comunidade: ‘Deus levantará um profeta como eu entre vocês’. Esse é o Moisés que ficou entre o anjo que falava no Sinai e os seus antepassados reunidos no deserto, que recebeu as palavras de vida que lhe foram entregues e as comunicou a nós, palavras que nossos pais rejeitaram.
39-41“Eles tinham saudade dos costumes egípcios e reclamaram com Arão: “Faça para nós deuses a quem possamos ver e seguir. Esse Moisés que nos trouxe para este fim de mundo, nem sabemos o que lhe aconteceu!”. Foi nessa ocasião que fizeram um ídolo em forma de bezerro, ofereceram-lhe sacrifícios e festejaram o ídolo que confeccionaram.
42-43“Deus não estava satisfeito, mas os deixou agir conforme desejassem: adorar cada novo deus que aparecia — e viver com as consequências, descritas pelo profeta Amós: Vocês me trouxeram oferendas de animais e grãos durante quarenta anos no deserto, ó Israel? Que nada. Estavam ocupados demais, construindo santuários para os deuses da guerra e as deusas do sexo, Adorando-os de todo o coração e com toda a força. Foi por isso que eu os mandei para o exílio na Babilônia.
44-47“Durante todo esse tempo, nossos antepassados tiveram um santuário em forma de tenda para o verdadeiro culto, feito conforme as especificações que Deus dera a Moisés. Esse santuário os acompanhava enquanto seguiam Josué, quando Deus eliminou os pagãos da terra; eles ainda o tinham no tempo de Davi. Foi então que Davi pediu a Deus para construir um lugar permanente de adoração, mas foi Salomão que o construiu.
48-50“Mas isso não quer dizer que o Deus Altíssimo viva num edifício feito por homens. O profeta Isaías expressa com muita clareza essa questão: ‘O céu é a minha sala do trono; eu descanso meus pés na terra. Então, que tipo de casa vocês pensam construir para mim?’, Deus pergunta, ‘Onde eu possa descansar e sossegar? Ela já está pronta, e eu a construí’.
51-53“A verdade é que vocês continuam teimosos, com o coração insensível e com os ouvidos fechados. Vocês deliberadamente ignoram o Espírito Santo, como fizeram seus antepassados. Houve pelo menos um profeta que não tenha recebido o mesmo tratamento? Seus antepassados mataram todos os que ousaram anunciar a vinda do Justo. E vocês mantêm a tradição da família — são traidores e assassinos, todos vocês! Receberam a lei de Deus, que foi entregue por anjos — como um presente! —, mas vocês a desprezaram”.
54-56Mal ele acabou de falar, o povo deu vazão à fúria, com vaias, assobios e ofensas. Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, nem prestou atenção — tinha olhos apenas para Deus, porque o estava vendo em toda a sua glória, com Jesus ao lado. Ele exclamou: “Oh! Vejo os céus abertos, e o Filho do Homem ao lado de Deus!”
57-58Gritando e vaiando, a multidão arremeteu contra ele, como um estouro de boiada. Arrastaram-no para fora da cidade e o apedrejaram. Os líderes pediram a um jovem chamado Saulo que tomasse conta das roupas dele.
59-60Enquanto as pedras caíam como chuva, Estêvão orava: “Senhor Jesus, recebe meu espírito”. Em seguida, ajoelhou-se e orou alto o bastante para que todos ouvissem: “Senhor, não os culpe por causa deste pecado!”. Foram suas últimas palavras. E, depois, ele morreu.
Atos
Capítulo 8
SIMÃO, O MAGO1E Saulo estava ali, comemorando com os assassinos.
2Esse fato desencadeou uma perseguição terrível contra a igreja em Jerusalém. Os cristãos, com exceção dos apóstolos, foram todos dispersos pela Judeia e por Samaria. Alguns homens bons e corajosos sepultaram Estêvão, dando a ele um funeral digno. Quase todos choraram naquele dia!
3-8Saulo mostrou-se muito cruel, devastando a igreja, invadindo as casas, levando homens e mulheres para a cadeia. Forçados a deixar seus lares, os seguidores de Jesus se tornaram missionários. Onde quer que se refugiassem, começavam a pregar a Mensagem. Descendo a uma cidade samaritana, Filipe proclamou a Mensagem do Messias. Quando o povo ouviu sua pregação e viu os milagres — claros sinais da ação de Deus —, eles se apegaram a cada palavra. Pessoas que não podiam ficar em pé nem andar foram curadas naquele dia. Os espíritos malignos protestavam e faziam estardalhaço, mas eram expulsos. Houve muita alegria naquela cidade!
9-11Antes da chegada de Filipe, um tal Simão costumava praticar magia na cidade, ganhando fama com isso e manipulando os samaritanos com sua feitiçaria. Todos comiam na mão dele, das criancinhas aos mais velhos. O povo acreditava que Simão tinha poderes sobrenaturais e o chamavam de Grande Mago. Ele morava ali havia algum tempo, e todos o admiravam.
12-13Mas, quando Filipe veio à cidade, anunciando as novas do Reino de Deus e proclamando o nome de Jesus Cristo, eles se esqueceram de Simão e foram batizados, depois de se tornarem cristãos. O próprio Simão creu, foi batizado e, a partir daí, tornou-se a sombra de Filipe. Estava tão fascinado com os sinais e milagres de Deus que não saía de perto dele.
14-17Quando os apóstolos, em Jerusalém, tomaram conhecimento de que Samaria tinha aceitado a Mensagem, enviaram Pedro e João para orar por eles, a fim de que recebessem o Espírito Santo. Até aquele momento, eles tinham sido batizados apenas no nome do Senhor Jesus — o Espírito Santo ainda não tinha vindo sobre eles. Então, os apóstolos impuseram as mãos sobre eles, e eles receberam o Espírito Santo.
18-19Quando Simão viu que os apóstolos concediam o Espírito com a simples imposição de mãos, ofereceu-lhes muito dinheiro, entusiasmado: “Vendam-me o segredo de vocês! Como conseguem fazer isso? Quanto querem? Façam um preço!”.
20-23Mas Pedro reagiu: “Para o inferno, você e seu dinheiro! Como ousa pensar que pode comprar o dom de Deus? Você nunca vai tomar parte da obra de Deus com suborno e barganha. Trate já de mudar de vida! Peça ao Senhor que o perdoe por querer usar Deus para ganhar dinheiro. Vejo que não deixou o velho hábito. Sua ganância está acabando com você!”
24“Oh!”, exclamou Simão. “Orem por mim! Orem ao Senhor para que nada disso aconteça comigo!”
25Depois disso, os apóstolos prosseguiram seu caminho, continuando a testemunhar e a espalhar a Mensagem da salvação de Deus, pregando nas cidades samaritanas que encontravam no caminho de volta para Jerusalém.
O EUNUCO ETÍOPE
26-28Certo dia, um anjo de Deus disse a Filipe: “Ao meio-dia de hoje, quero que vá àquela estrada deserta que liga Jerusalém a Gaza”. Ele foi e deparou com um eunuco etíope que vinha pela estrada. O homem voltava para a Etiópia depois de uma peregrinação a Jerusalém. Ele era ministro naquele país, responsável pelas finanças de Candace, rainha dos etíopes. Ele viajava numa carruagem e lia o profeta Isaías.
29-30O Espírito disse a Filipe: “Suba na carruagem”. Correndo ao lado do veículo, Filipe ouviu o eunuco ler o profeta Isaías e perguntou: “Você entende o que está lendo?”
31-33Ele respondeu: “Como, se não tenho quem me explique?”, e convidou Filipe para que subisse na carruagem. A passagem que ele estava lendo era esta: Como uma ovelha levada ao matadouro, silencioso como um cordeiro na tosquia, Ele estava quieto, sem dizer nada. Foi ridicularizado e humilhado, não teve um julgamento justo. Mas agora quem pode contar seus parentes, uma vez que ele foi tirado da terra?
34-35O eunuco perguntou: “Diga-me, a quem o profeta se refere: a ele mesmo ou a outro?” Filipe não perdeu a oportunidade. Partindo daquela passagem, deu testemunho de Jesus.
36-39Em certo ponto da estrada aproximaram-se de um lugar com águas correntes. O eunuco disse: “Olhe, aqui há água. O que me impede de ser batizado?”. Assim, ele ordenou ao condutor da carruagem que parasse. Ambos desceram, e Filipe o batizou ali mesmo. Quando saíram da água, o Espírito de Deus, de repente, levou Filipe. Foi a última vez que o eunuco o viu. Feliz da vida, o eunuco continuou sua jornada, pois agora possuía o que tanto havia buscado.
40Filipe apareceu em Azoto e depois rumou para o norte, pregando a Mensagem em todas as cidades pelo caminho até chegar a Cesaréia.
Atos
Capítulo 9
A CEGUEIRA DE SAULO1-2Durante todo esse tempo, Saulo promovia uma perseguição incansável aos discípulos do Senhor, ansioso por exterminá-los. Ele solicitou ao sacerdote principal ordens de prisão para apresentar às sinagogas de Damasco. Assim, caso encontrasse ali alguém que pertencesse ao Caminho, mulher ou homem, poderia prendê-los e levá-los a Jerusalém.
3-4Ele partiu. Já pelas redondezas de Damasco, foi surpreendido por um raio de luz, que o cegou. Ele caiu ao chão e ouviu uma voz: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?” .
5-6Ele perguntou: “Quem és, Senhor?". “Sou Jesus, aquele que você persegue. Quero que se levante e entre na cidade. Ali receberá instruções sobre o que fazer depois.”
7-9Seus companheiros ficaram desnorteados, porque podiam ouvir o som, mas não viam ninguém. Quando se levantou, Saulo percebeu que havia ficado cego. Eles tiveram de levá-lo a Damasco pela mão. Ele continuou cego por três dias e durante esse tempo não comeu nem bebeu nada.
10Havia um discípulo em Damasco chamado Ananias, e o Senhor lhe disse numa visão: “Ananias”. “Sim, Senhor”, ele respondeu.
11-12“Levante-se e vá à rua Direita. Quando chegar à casa de Judas, pergunte por um homem de Tarso. Seu nome é Saulo. Ele está lá, orando. Acabou de ter um sonho em que viu um homem chamado Ananias entrar na casa e impor as mãos sobre ele para que pudesse enxergar outra vez.”
13-14Ananias protestou: “Senhor, não pode ser! Todos falam desse homem e das coisas terríveis que tem feito, do terror que causa contra o povo do Senhor em Jerusalém. E agora ele está aqui, com documentos do sacerdote principal que o autorizam a fazer o mesmo conosco!”
15-16Mas o Senhor disse: “Não discuta! Eu o escolhi como meu representante pessoal entre judeus, outros povos e reis e agora estou prestes a mostrar a ele o que o aguarda — o sofrimento que acompanhará a tarefa”.
17-19Ananias obedeceu. Achou a casa, impôs as mãos sobre Saulo e disse: “Irmão Saulo, o Senhor me enviou, o mesmo Jesus que apareceu quando você vinha para cá. Ele me enviou para que você volte a enxergar e seja cheio do Espírito Santo”. Mal o discípulo acabou de falar, algo semelhante a escamas caiu dos olhos de Saulo: e ele estava enxergando de novo! Saulo se levantou, foi batizado e depois participou de uma boa refeição.
A TRAMA CONTRA SAULO
19-21Saulo passou alguns dias com os discípulos de Damasco, mas logo pôs mãos à obra, sem perda de tempo, pregando nas sinagogas que Jesus era o Filho, de Deus. Mas o povo se mostrava arredio, sem saber se podia confiar nele, pois diziam: "Não é este o homem que odiava os cristãos em Jerusalém? Ele não veio aqui para fazer o mesmo — nos prender, levar a Jerusalém e condenar na presença dos sacerdotes?”
22Mas as suspeitas não detiveram Saulo nem por um minuto. Seu ânimo era crescente e deixava desconcertados os judeus de Damasco com seu esforço para provar que Jesus era o Messias.
23-25Depois de certo tempo, alguns judeus tramaram matá-lo, mas Saulo escapou. Entretanto, seus inimigos vigiavam as portas da cidade o dia inteiro, na esperança de capturá-lo. Por isso, certa noite, os discípulos o ajudaram na fuga, descendo-o pela muralha dentro de um cesto.
26-27De volta a Jerusalém, Saulo procurou os discípulos, mas todos estavam com medo dele. Não. confiavam nele nem um pouco. Então, Barnabé deu-lhe o maior apoio e o apresentou aos apóstolos. Ele defendeu Saulo, contando como tinha visto Jesus e falado com ele na estrada de Damasco e como arriscara a vida por defender com ousadia o nome de Jesus em Damasco.
28-30Dessa maneira, Saulo foi aceito por eles, entrando e saindo de Jerusalém sem ser interrogado, pregando com liberdade no nome do Senhor. No entanto teve problemas com o grupo dos helenistas. Envolveu-se numa discussão com eles, e o grupo planejou matá-lo. Os amigos tiraram Saulo da cidade quando souberam do plano e o levaram para Cesaréia. De lá, ele embarcou para Tarso.
31Depois disso, a perseguição foi amenizada, e a igreja caminhou em paz por um tempo. Por todo o país — Judeia, Samaria, Galiléia — foi constatado seu crescimento. Tudo era permeado por um profundo sentimento de temor a Deus. O Espírito Santo estava com eles e os fortalecia. Eles cresciam maravilhosamente.
TABITA
32-35Em sua missão de visitar todas as igrejas, Pedro chegou a Lida e se encontrou com os cristãos da cidade. Havia ali um homem chamado Eneias; ele vivia paralítico numa cama havia oito anos. Pedro disse; “Eneias, Jesus Cristo o cura. Levante-se e arrume sua cama!”. O homem pulou da cama na hora. Vendo o homem andar, os habitantes de Lida e Sarona perceberam que Deus estava vivo e ativo no meio deles.
36-37Em Jope, havia uma discípula chamada Tabita, nome que quer dizer “gazela” no grego. Ela era bem conhecida por fazer o bem e ajudar os outros. Enquanto Pedro visitava a região, ela adoeceu e morreu. Os amigos prepararam seu corpo para o funeral e o puseram numa sala apropriada.
38-40Alguns discípulos ouviram que Pedro estava nas vizinhanças de Lida e enviaram dois homens, que o convidaram a ir com eles. Pedro concordou, e eles o levaram à sala em que o corpo de Tabita havia sido posto. Suas velhas amigas, na maioria viúvas, estavam chorando na sala. Elas mostraram a Pedro peças de roupa que Gazela havia feito. Pedro retirou as viúvas da sala, ajoelhou-se e orou. Depois ordenou à morta; “Tabita, levante-se!”.
40-41Ela abriu os olhos e, quando viu Pedro, sentou-se. Ele a tomou pela mão e a ajudou. Em seguida, chamou os cristãos e as viúvas e apresentou-a viva.
42-43A notícia do milagre correu toda a cidade de Jope. Com isso, muitos passaram a confiar no Senhor. Pedro ficou um longo tempo na cidade como convidado de Simão, o curtidor de couro.
Atos
Capítulo 10
A VISÃO DE PEDRO1-3Havia em Cesaréia um homem chamado Cornélio, comandante da Guarda Italiana na cidade. Era um homem muito bom e levou todos os de sua casa a adorar a Deus com sinceridade. Estava sempre ajudando os necessitados e tinha o hábito da oração. Certo dia, por volta das três da tarde, ele teve uma visão. Um anjo de Deus, tão real quanto uma pessoa, apareceu a ele e disse: “Cornélio”.
4-6Cornélio olhou para o anjo, imaginando que estava vendo coisas, e perguntou: “O que queres?” O anjo disse: “Suas orações e seus atos de bondade chamaram a atenção de Deus. Agora, faça o seguinte: mande alguns homens a Jope para buscar Simão, aquele que todos chamam de Pedro. Ele está hospedado na casa de Simão, o curtidor de couro, que fica perto do mar”.
7-8Assim que o anjo saiu, Cornélio chamou dois empregados e um soldado de confiança. Contou o que havia acontecido e enviou-os a Jope.
9-13No dia seguinte, enquanto os três viajantes se aproximavam da cidade, Pedro foi ao terraço para orar. Era quase meio-dia. Sentindo fome, começou a pensar no almoço. Enquanto a comida era preparada, caiu em êxtase espiritual e teve uma visão. Viu os céus se abrirem e algo parecido com um lençol imenso amarrado por cordas nas quatro pontas desceu até o chão. Nele estava toda espécie de animal: répteis, aves e todo tipo de bicho. Então, ele ouviu uma voz: “Vá em frente, Pedro: mate e coma!”
14Pedro respondeu: “De jeito nenhum, Senhor. Nunca comi nem provei comida que não fosse preparada segundo os preceitos judaicos”.
15A voz insistiu: “Se Deus diz que está tudo bem, está tudo bem”.
16Isso aconteceu três vezes. Depois o lençol foi puxado de volta para o céu.
17-20Confuso, Pedro ainda tentava entender o significado da visão quando os homens enviados por Cornélio chegaram à porta da casa onde ele estava. Chamaram o dono da casa e perguntaram se havia um Simão, chamado Pedro, hospedado ali. Pedro, concentrado em seus pensamentos, não os ouviu; mas o Espírito lhe disse: “Há três homens batendo à porta, procurando por você. Desça e vá com eles. Não faça perguntas. Fui eu que os enviei”.
21Pedro obedeceu e disse aos homens: “Sou o homem que vocês estão procurando. O que aconteceu?”
22-23Eles responderam: “O capitão Cornélio, adorador do verdadeiro Deus e bem conhecido por sua vida justa — pode perguntar a qualquer judeu desta parte do país —, recebeu de um anjo a ordem de mandar buscá-lo, para que ele ouça o que o senhor tem a dizer”. Pedro pediu que entrassem e os deixou à vontade.
DEUS NÃO TEM PREDILETOS
23-26Na manhã seguinte, ele se levantou e foi com eles. Alguns amigos de Jope os acompanharam. Chegaram a Cesaréia após um dia de viagem. Cornélio os aguardava, e não estava sozinho: havia reunido os parentes e amigos mais chegados. No instante em que Pedro passou pela porta, Cornélio pôs-se em pé, saudou-o — e se curvou para adorá-lo! Mas Pedro o fez levantar-se na hora: “Não faça isso! Sou apenas um homem, um homem igual ao senhor”.
27-29Conversando, eles entraram na casa, e Cornélio apresentou Pedro a todos os presentes. Dirigindo-se a eles, Pedro disse: “Estou fazendo algo totalmente fora dos padrões, porque os judeus não visitam pessoas de outros povos nem se associam com elas. Mas Deus me mostrou que ninguém é melhor que ninguém. Por isso, tão logo fui enviado eu vim, sem fazer perguntas. Mas agora gostaria de saber por que vocês me procuraram”.
30-32Cornélio explicou: “Há quatro dias, mais ou menos a esta hora, por volta das três horas da tarde, eu estava em casa, orando. De repente, um homem apareceu na minha frente, inundando o quarto de luz. Ele disse: ‘Cornélio, suas orações diárias e seus atos de bondade chamaram a atenção de Deus. Mande alguém a Jope buscar Simão, também chamado Pedro. Ele está hospedado com Simão, o curtidor de couro, perto do mar’.
33“E foi o que fiz; mandei chamá-lo, e agradeço sua atenção em ter vindo. Agora estamos todos aqui, na presença de Deus, prontos para ouvir o que o Senhor pôs em seu coração para nos falar”.
34-36Pedro, então, passou a contar-lhes as boas notícias: “Esta é a verdade de Deus, nada pode ser mais claro: Deus não tem prediletos! Não importa sua etnia ou sua origem. Se têm sede de Deus e estão prontos a fazer o que ele diz, a porta está aberta. A Mensagem que ele enviou aos israelitas é que por meio de Jesus Cristo toda as coisas estão sendo restauradas. E agora vejo que ele está fazendo isso em toda parte, com todo mundo.
37-38“Vocês devem saber o que aconteceu na Judeia. Começou na Galiléia, quando João apareceu pregando uma mudança de vida radical. Depois chegou Jesus de Nazaré, ungido por Deus com o Espírito Santo. Ele percorreu a nação, ajudando o povo e curando todos os que eram oprimidos pelo Diabo. Ele podia fazer isso porque Deus estava com ele.
39-43“Nós mesmos fomos testemunhas de tudo que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém, onde o mataram, pregando-o numa cruz. Mas três dias depois Deus o ressuscitou, e ele foi visto, mas não por todos. Ele não se apresentou publicamente, como antes. Nós somos as testemunhas escolhidas por Deus! Fomos nós que comemos e bebemos com Jesus depois que ele voltou dos mortos. Ele nos deu a tarefa de anunciar essa verdade, de apresentar o solene testemunho de que ele é aquele que Deus designou Juiz dos vivos e dos mortos. Mas não estamos sozinhos nisso. Afirmamos que é somente por meio dele que recebemos o perdão dos pecados, o que é confirmado por todos os profetas”.
44-46Mal a mensagem foi anunciada, o Espírito Santo desceu sobre os ouvintes. Os judeus convertidos que acompanhavam Pedro não podiam acreditar no que viam, não podiam crer que o dom do Espírito Santo fosse derramado sobre não judeus, e como! — e eles os ouviram falar em línguas e louvar a Deus.
46-48Pedro perguntou: “Podemos negar o batismo com água a esta gente? Há alguma objeção? Afinal, eles receberam o Espírito Santo, como nós”. Não havendo oposição, ordenou que eles fossem batizados em nome de Jesus Cristo. E Pedro foi convidado a ficar com eles alguns dias.
Atos
Capítulo 11
DEUS SE MANIFESTOU1-3A notícia espalhou-se rapidamente, e não demorou muito para que os líderes e os cristãos de Jerusalém soubessem do ocorrido. Eles foram informados de que alguns estrangeiros, não judeus, agora eram parte da “comunidade”. Quando Pedro voltou para Jerusalém, alguns de seus antigos companheiros, preocupados com a questão da circuncisão, vieram censurá-lo: “O que você pensa que está fazendo, envolvendo-se com essa gente, comendo o que é proibido e arruinando nossa reputação?”
4-6Começando do princípio, Pedro contou toda a história: “Eu estava na cidade de Jope, orando. Entrei em êxtase espiritual e tive uma visão: um lençol imenso, sustentado por cordas nas quatro pontas, desceu do céu e parou no chão, bem na minha frente. No lençol estavam animais do campo e selvagens, répteis e aves — todo tipo de bicho. Fascinado, fiquei pensando naquilo.
7-10“Então, ouvi uma voz: ‘Vá em frente, Pedro: mate e coma!’. Respondi: ‘De jeito nenhum, Senhor. Nunca comi nada que não fosse preparado segundo os preceitos judaicos’. Mas a voz falou de novo: ‘Se Deus diz que está tudo bem, está tudo bem. Isso aconteceu três vezes. Depois o lençol foi puxado de volta para o céu.
11-14“Foi aí que três homens de Cesaréia apareceram na casa em que eu estava hospedado. O Espírito ordenou que eu fosse com eles, sem fazer perguntas. Eu os acompanhei, com seis amigos, até a casa do homem que havia mandado me chamar. Ele contou que tinha visto um anjo em sua casa, tão real quanto uma pessoa! O anjo lhe ordenara: ‘Mande buscar Simão em Jope, aquele que é chamado de Pedro. O que ele vai dizer salvará sua vida. Na verdade, sua e de todos os seus’.
15-17“Então, comecei a falar. Eu tinha apenas começado a falar, quando o Espírito Santo desceu sobre eles, exatamente como aconteceu conosco no princípio. Naquele momento, lembrei-me das palavras de Jesus: ‘João batizou com água, mas vocês serão batizados com o Espírito Santo’. Então, pergunto a vocês: se Deus concedeu a eles o mesmo dom que deu a nós quando cremos no Senhor Jesus Cristo, como eu poderia me opor a Deus?”.
18Ao ouvir o relato, eles ficam quietos e, em seguida, começaram a louvar a Deus: “Então aconteceu! Deus se manifestou a outras nações, abrindo para elas o caminho da Vida!”.
19-21Os que haviam sido dispersos pela perseguição, iniciada com a morte de Estêvão, foram parar na Fenícia, em Chipre e em Antioquia, mas ainda falavam e se relacionavam apenas com outros judeus. Então, alguns homens de Chipre e Cirene foram a Antioquia e começaram a pregar a Mensagem aos gregos. Deus gostou do que fizeram e mostrou sua plena aprovação: muitos gregos creram e se converteram ao Senhor.
22-24Quando a igreja de Jerusalém tomou conhecimento disso, enviou Barnabé a Antioquia, para analisar a situação. Tão logo chegou, ele viu que Deus estava por trás de tudo. Por esse motivo se lançou à obra com eles, ajudando-os a permanecer firmes na fé para o resto da vida. Ele era um homem bom, cheio de entusiasmo, que confiava no agir do Espírito Santo. A comunidade cresceu e se fortaleceu no Senhor.
25-26Algum tempo depois, Barnabé foi a Tarso, à procura de Saulo. Ele o encontrou e o trouxe para Antioquia. Passaram um ano inteiro ali, dirigindo as reuniões da igreja e ensinando o povo. E foi em Antioquia que os discípulos pela primeira vez foram chamados “cristãos”.
27-30Por essa mesma época, alguns profetas chegaram a Antioquia. Vinham de Jerusalém. Um deles, chamado Ágabo, levantou-se um dia e, impelido pelo Espírito, anunciou que uma fome severa estava para devastar o país (que de fato aconteceu, no reinado de Cláudio). Então, os discípulos decidiram enviar, cada um, o que pudesse para ajudar os cristãos da Judeia. Coube a Barnabé e Saulo a tarefa de entregar a oferta aos líderes, em Jerusalém.
Atos
Capítulo 12
PEDRO NA PRISÃO1-4Foi nesse meio-tempo que o rei Herodes pôs na cabeça a ideia de perseguir alguns membros da igreja. Mandou assassinar Tiago, irmão de João, e, quando viu que isso fez subir sua popularidade entre os judeus, ordenou a prisão de Pedro — tudo isso durante a semana da Páscoa. O apóstolo ficou na cadeia, vigiado por quatro grupos de quatro soldados. O rei planejava deixar que o povo o linchasse depois da Páscoa.
5Durante todo o tempo em que Pedro esteve sob severa vigilância na cadeia, a igreja orou fervorosamente por ele.
6O dia em que Herodes havia marcado para a morte de Pedro estava chegando. Naquela noite, guardado por dois soldados, um de cada lado, Pedro dormia como um bebê. Havia ainda guardas na porta, vigiando o lugar — Herodes não queria correr riscos.
7-9De repente, apareceu um anjo ao lado do prisioneiro, e uma luz inundou a cela. O anjo acordou Pedro: “Depressa!”. As algemas caíram dos pulsos do apóstolo, e o anjo ordenou: “Vista-se! Calce os sapatos”. Pedro obedeceu. O anjo disse ainda: “Vista o casaco, e vamos sair daqui!” Pedro o seguiu, mas não acreditava que tudo aquilo fosse verdade. Achou apenas que estava sonhando.
10-11Depois de passar por dois grupos de guardas, eles chegaram ao portão de ferro que conduzia à cidade, que se abriu automaticamente. Eles chegaram à rua, sem nenhum impedimento. Na primeira esquina, o anjo o deixou e seguiu seu caminho. Foi quando Pedro percebeu que não estava sonhando. “Não posso acreditar! Isto é real! O Senhor enviou seu anjo e me livrou das garras de Herodes e do espetáculo que a multidão judaica esperava.”
12-14Ainda sacudindo a cabeça, maravilhado, ele foi para a casa de Maria, mãe de João. A casa estava cheia de amigos, que oravam. Quando bateu à porta no pátio, uma jovem chamada Rode veio atender. Mas, quando ela reconheceu a voz de Pedro, ficou tão alegre e ansiosa que correu contar a novidade a todos, esquecendo-se de abrir a porta e deixando-o na rua.
15-16Mas eles recusaram-se a acreditar na palavra dela. “Você perdeu o juízo”, disseram. Mas ela insistia em sua história. Ainda céticos, começaram a dar asas à imaginação: “Deve ser o anjo dele”. Durante todo esse tempo, o pobre Pedro ficou na rua, batendo à porta.
16-17Finalmente, abriram a porta e quando viram que era ele mesmo, não sabiam o que dizer! Pedro os acalmou com um gesto. Depois de contar como o Senhor o havia tirado da cadeia, pediu: “Digam a Tiago e aos irmãos o que aconteceu”. Em seguida, retirou-se dali.
18-19Ao raiar do dia, a cadeia estava em polvorosa. “Onde está Pedro? O que aconteceu com ele?”, queriam saber. Herodes mandou que trouxessem Pedro, e, como ninguém sabia onde ele estava nem conseguia explicar o que havia acontecido, os guardas é que foram executados. “Cortem a cabeça deles!”, ordenou. Cansado da Judeia e dos judeus, Herodes foi de férias para Cesaréia.
A MORTE DE HERODES
20-22As coisas não iam mesmo bem para Herodes. O povo de Tiro e Sidom fazia oposição a ele. Mas pediram a Blasto, braço direito do rei, uma audiência com Herodes. Uma delegação tentaria, de boa vontade, acertar a situação. O motivo é que dependiam da Judeia, porque vinha dessa província seu suprimento de comida, e a situação estava se tornando insustentável. No dia combinado, Herodes, vestido a rigor, tomou seu lugar no trono e os encantou com seu linguajar pomposo e vazio. O povo também contribuiu com sua cota de falsidade, gritando louvores insinceros: “A voz de Deus! A voz de Deus!”
23Foi a gota d'água. Farto da arrogância de Herodes, Deus enviou um anjo para feri-lo. Herodes não dava nenhum crédito a Deus: Assim, ali ele caiu. Podre até a alma, de modo horrível morreu comido de bichos.
24Enquanto isso, a Palavra de Deus se espalhava sem parar.
25Depois de entregar as doações à igreja de Jerusalém, Barnabé e Saulo voltaram a Antioquia. Dessa vez, levaram João, também chamado Marcos.
Atos
Capítulo 13
BARNABÉ, SAULO E O CHARLATÃO1-2A comunidade em Antioquia era abençoada com um grande número de profetas-pregadores e mestres: Barnabé Simão, também chamado de Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, conselheiro do rei Herodes, Saulo. Um dia, enquanto adoravam a Deus — também estavam jejuando enquanto esperavam por orientação —, o Espírito Santo disse: “Comissionem Barnabé e Saulo para a obra que determinei que fizessem”.
3Eles obedeceram. Naquele ambiente de fervor, obediência, jejum e oração, impuseram as mãos sobre os dois homens e os despediram.
4-5Guiados pelo Espírito Santo na nova tarefa, Barnabé e Saulo desceram a Selêucia e pegaram um navio para Chipre. A primeira coisa que fizeram quando chegaram a Salamina foi pregar a Palavra de Deus nas sinagogas da cidade. João estava com eles como auxiliar.
6-7Eles viajaram pela ilha, e em Pafos encontraram um mago judeu que havia conquistado a confiança do governador Sérgio Paulo, homem inteligente, que não se deixava enganar com facilidade. O nome do mago era Barjesus, um homem que não merecia confiança.
7-11Desejoso de ouvir a Palavra de Deus, o governador convidou Barnabé e Saulo. Mas o “Sabe-tudo” (pelo menos ele se julgava assim) provocou um tumulto, tentando impedir a conversão do governador. Então Saulo (ou Paulo), cheio do Espírito Santo, olhando-o bem nos olhos, disse: “Você é um falso, um verdadeiro diabo! Você passa as noites inventando esquemas para enganar o povo. Mas agora, que você desafiou Deus, o jogo acabou. Você vai ficar cego. Não vai ver a luz do Sol por um bom tempo”. Na mesma hora, ele perdeu a visão. Começou a tropeçar nas coisas e pediu que alguém o guiasse pela mão.
12Diante de tudo isso, o governador tornou-se cristão, muito impressionado com tudo que era dito a respeito do Senhor.
NÃO FAÇAM POUCO CASO DA PALAVRA
13-14De Pafos, Paulo e seus companheiros navegaram até Perge, na Panfília. Ali João desistiu da viagem e voltou para Jerusalém. De Perge, o restante do grupo viajou até Antioquia, na Pisídia.
14-15No sábado, foram à sinagoga. Depois da leitura das Escrituras — a Lei de Deus e os Profetas —, o líder da reunião lhes perguntou: “Amigos, vocês têm algo a dizer? Uma palavra de encorajamento, talvez?”
16-20Paulo se pôs de pé, fez uma pausa, respirou fundo e disse: “Meus patrícios e amigos de Deus, ouçam: Deus teve um interesse especial por nossos antepassados, libertou nosso povo, que vivia oprimido no Egito, e os tirou de lá em grande estilo. Cuidou deles durante cerca de quarenta anos naquele deserto e depois, tendo eliminado sete inimigos que os enfrentavam, deu a eles a terra de Canaã. Tudo isso aconteceu num período de cerca de quatrocentos e cinquenta anos.
20-22“Até o tempo do profeta Samuel, Deus deu a eles juízes para liderá-los. Então, eles pediram um rei, e Deus designou Saul, filho de Quis, da tribo de Benjamim. Depois de Saul ter governado quarenta anos, Deus lhe tirou o trono e o entregou a Davi, com esta declaração: ‘Vasculhei a terra e encontrei Davi, filho de Jessé. O seu coração está em sintonia com o meu coração, e ele fará toda a minha vontade.
23-25“Dos descendentes de Davi, Deus fez surgir um Salvador para Israel: Jesus! Foi como prometera, mas somente depois de João ter anunciado sua vinda ao povo, preparando-os para uma mudança radical de vida. No final de seu ministério, João esclareceu: ‘Vocês pensam que sou o Messias? Não, não sou o Messias. Mas aquele que vocês aguardaram todos esses anos está para chegar, e eu estou prestes a sair de cena.
26-29“Prezados irmãos e irmãs, filhos de Abraão e amigos de Deus, essa mensagem de salvação foi enviada exatamente a vocês. O povo e os líderes de Jerusalém não o reconheceram como Messias e o condenaram à morte. Mesmo sem encontrar um bom motivo, exigiram que Pilatos o executasse. Eles fizeram apenas o que os profetas disseram que fariam, mas não tinham ideia de que estavam seguindo ao pé da letra o que os profetas haviam previsto, embora os escritos desses profetas fossem lidos todos os sábados nas sinagogas que eles frequentavam.
29-31“Depois de terem feito tudo que os profetas haviam previsto, eles o tiraram da cruz e o sepultaram. Deus, então, o ressuscitou dos mortos. Não há dúvida! Ele apareceu várias vezes e em vários lugares aos que o haviam acompanhado por anos na Galiléia, e essas pessoas continuam a dar testemunho de que ele está vivo.
32-35“Agora, estamos hoje aqui trazendo a boa notícia a vocês: a Mensagem, que Deus prometeu aos pais, tornou-se real para os filhos — para nós! Ele ressuscitou Jesus, exatamente como está escrito no salmo segundo: Meu Filho! Meu próprio Filho! Hoje eu o celebro! “Quando ele o levantou dos mortos, fez isso de modo definitivo. Ele não vai voltar a morrer e se decompor, porque Isaías afirmou: ‘Vou dar a todos vocês as bênçãos prometidas a Davi’. Essa é também a oração do salmista: ‘Tu não vais deixar que teu Santo se decomponha e apodreça’.
36-39“Depois de cumprir a missão para a qual Deus o designou, Davi morreu e está sepultado há muito tempo e seu corpo se decompôs. Mas aquele que Deus ressuscitou não se decompôs! Quero que vocês saibam, meus prezados, que é por causa do Jesus ressuscitado que o perdão dos pecados pode ser prometido a vocês. Ele realiza, naqueles que creem, tudo que a Lei de Moisés nunca pôde realizar. Mas qualquer um que crê no Jesus ressuscitado é declarado bom e justo diante de Deus.
40-41“Não façam pouco caso do que estou dizendo. Não queiram que a palavra do profeta se aplique a vocês: Cuidado, cínicos! Olhem bem — observem o mundo de vocês se despedaçar. Vou fazer algo bem diante dos seus olhos, Em que vocês não vão acreditar, ainda que estejam vendo”.
42-43Quando a reunião acabou, Paulo e Barnabé foram convidados a pregar no sábado seguinte. Depois que a maioria do povo se dispersou, alguns judeus e convertidos ao judaísmo vieram reunir-se com Paulo e Barnabé, que os exortaram, numa longa conversa, a ficar firmes na nova vida que estavam começando a viver, na graça de Deus.
44-45No sábado seguinte, praticamente a cidade inteira foi ouvir a Palavra de Deus. Vendo a multidão, alguns judeus roeram-se de inveja e começaram a fazer oposição a Paulo, contradizendo tudo que ele dizia — um espetáculo deprimente.
46-47Mas Paulo e Barnabé ficaram firmes e declararam: “Era necessário que a Palavra de Deus fosse pregada primeiro a vocês, judeus. Mas, como vocês não querem nada com ela, deixando claro que não abrem o coração para a vida eterna —, a porta está aberta aos de fora. Vamos prosseguir neste caminho, obedecendo às ordens de Deus, que disse: Eu o estabeleci como luz às nações. Você proclamará a salvação aos quatro ventos e pelos sete mares!”
48-49Quando os “de fora”, isto é, os que não são judeus ouviram isso, mal se seguravam de tanta alegria, e todos os que estavam destinados à vida plena depositaram a confiança em Deus. Eles honraram a Palavra de Deus, recebendo essa vida. E a Mensagem se espalhou como fogo incontrolável por toda a região.
50-52Alguns judeus convenceram as mulheres mais respeitadas e os homens de alta posição na cidade de que o agradável estilo de vida deles estava ameaçado. Alarmados, forçaram Paulo e Barnabé a sair da cidade. Os dois discípulos deram de ombros e foram para a cidade seguinte, Icônio. Estavam felizes, transbordantes de alegria e do Espírito Santo.
Atos
Capítulo 14
1-3Quando chegaram a Icônio, procuraram a sinagoga, como sempre faziam, e
pregaram ao povo. A Mensagem convenceu judeus e não judeus. E não foi pouca
gente. Mas os judeus descrentes começaram a difamar Paulo e Barnabé, semeando
desconfiança e suspeita na mente do povo. Os dois apóstolos ficaram ali um bom
tempo, falando aberta e confiantemente, manifestando os dons de Deus, que
confirmava a obra deles com milagres e maravilhas.4-7No entanto, a opinião pública se dividiu: alguns ficaram do lado dos judeus, e outros defendiam os apóstolos. Um dia, depois de saber que um grupo formado por judeus e não judeus havia sido organizado para linchá-los, Paulo e Barnabé fugiram para as cidades próximas da Licaônia: Listra, Derbe e região. Ali, prosseguiram anunciando a Mensagem.
DEUSES OU HOMENS
8-10Em Listra, havia um homem que não podia andar. Vivia sentado, pois era aleijado desde que nascera. O aleijado estava entre os que ouviam Paulo falar, e, olhando-o nos olhos, o apóstolo viu que ele estava pronto para a obra de Deus, pronto para crer. Então, disse bem alto para que todos ouvissem: “Ponha-se de pé!” O homem levantou-se e começou a pular e a andar com se tivesse feito aquilo a vida toda.
11-13Quando viu o milagre, a multidão gritou entusiasmada no dialeto licaônico: “Os deuses desceram a nós! Estes homens são deuses!” Para eles, Barnabé era Zeus; Paulo, Hermes, o mensageiro dos deuses (pois era Paulo quem falava). O sacerdote do santuário de Zeus organizou uma procissão com bois enfeitados e o povo, em fila, caminhando para os portões, prontos para o ritual de sacrifício.
14-15Quando Barnabé e Paulo perceberam o que estava acontecendo, trataram logo de impedi-los. Sacudindo os braços, interromperam a procissão, dizendo: “O que é isso? O que pensam que estão fazendo? Não somos deuses! Somos homens como vocês e estamos aqui para trazer a Mensagem, para convencê-los a abandonar essas superstições e a abraçar o Deus vivo. O Deus que nos fez e tudo o mais: céu, terra, mar e tudo que neles há.
16-18“Nas gerações antes de nós, Deus permitiu que cada povo seguisse seu caminho. Mesmo assim, não os deixou sem pistas de sua existência, pois é o autor da bela criação, derrama a chuva e concede grandes colheitas. Se vocês estão alimentados e de coração alegre, isso é evidência de uma bondade que não merecem”. Com tal protesto enérgico e com dificuldade, os dois conseguiram impedir o sacrifício que os teria honrado como deuses.
19-20Logo depois, alguns judeus de Antioquia e de Icônio apareceram na cidade e induziram a multidão a se revoltar contra eles. Eles surraram Paulo até deixá-lo inconsciente, arrastaram-no para fora da cidade e, pensando que estivesse morto, o deixaram ali. Quando os discípulos chegaram ao lugar em que o apóstolo estava, ele voltou a si e se levantou. Retornou à cidade, mas, no dia seguinte, partiu para Derbe com Barnabé.
TEMPOS DIFÍCEIS
21-22Depois de proclamar a Mensagem em Derbe e estabelecer um bom grupo de discípulos, eles refizeram o caminho até Listra, depois até Icônio e, em seguida, a Antioquia, encorajando os discípulos e exortando-os a prosseguir na fé e a não desistir. Também deixaram claro para todos que não seria fácil: “Todo que está a caminho do Reino de Deus enfrentará tempos difíceis”.
23-26Paulo e Barnabé escolheram líderes em cada igreja. Depois de orar e jejuar, consagraram os novos líderes ao Senhor a quem haviam confiado a própria vida. Fizeram o caminho de volta, sempre trabalhando, e, através da Pisídia, chegaram a Panfília e pregaram em Perge. Por fim, chegaram a Atália e embarcaram num navio de volta para Antioquia, onde tudo havia começado. Tinham sido enviados pela graça de Deus e agora estavam a salvo em casa, pela graça de Deus, depois de fazer um excelente trabalho.
27-28Na chegada, reuniram a igreja e apresentaram o relatório da viagem, contando em detalhes como Deus os tinha usado para escancarar a porta da fé para que gente de todas as nações pudesse entrar. Ficaram ali algum tempo, descansando com os discípulos.
Atos
Capítulo 15
A PORTA SE ABRE PARA OS DE FORA1-2Pouco depois alguns judeus chegaram da Judeia, insistindo em que todos deveriam ser circuncidados. Diziam aos não judeus: “Se vocês não se circuncidarem conforme a Lei Mosaica, não poderão ser salvos”. Paulo e Barnabé protestaram. A igreja decidiu resolver a questão, enviando Paulo, Barnabé e outros discípulos para apresentar o problema aos apóstolos e líderes em Jerusalém.
3No caminho, enquanto viajavam pela Fenícia e Samaria, eles anunciavam a todos como a Mensagem se abrira a todos os povos. Os que ouviam a novidade se alegravam — notícia maravilhosa!
4-5Chegando a Jerusalém, Paulo e Barnabé foram muito bem recebidos pela igreja e pelos apóstolos e líderes. Eles apresentaram um relato da viagem e de como. Deus os usara para abrir as portas aos demais povos. Mas alguns fariseus puseram-se de pé para falar. Eles tinham se convertido, mas ainda mantinham a linha dura dos fariseus. Disseram: “Vocês têm de circuncidar os pagãos convertidos. É preciso fazê-los guardar a Lei de Moisés”.
6-9Os apóstolos e líderes convocaram uma reunião especial para estudar o assunto. Enquanto os argumentos eram trocados, os ânimos esquentavam. Então, Pedro tomou a palavra: “Amigos, vocês bem sabem que há muito Deus deixou claro que era sua vontade que os pagãos ouvissem a Mensagem das boas-novas e a abraçassem, e isso aconteceu não de segunda mão ou de ouvir falar por aí, mas diretamente por meu intermédio. Deus, que não pode ser enganado por nenhum fingimento, mas sempre conhece o pensamento humano, concedeu a eles o Espírito Santo, exatamente como o deu a nós. Ele tratou os de fora exatamente como nos tratou, começando com o que eles eram e trabalhando desse ponto em diante. Depois que creram nele, tiveram a vida purificada.
10-11“Então, por que vocês agora provocam Deus, oprimindo os novos convertidos com regras que oprimiram nossos antepassados e a nós também? Acreditamos que somos salvos pelo que o Senhor Jesus, por sua pura graça, maravilhosamente fez por nós e também pelos que não são da nossa nação. Por que estamos discutindo, então?”
12-13Houve um silêncio geral. Ninguém dizia uma palavra. Nesse ambiente, Barnabé e Paulo relataram os milagres e as maravilhas que Deus havia feito nas outras nações pelo ministério deles. O silêncio agora era total. Não se ouvia um pio.
13-18Foi aí que Tiago quebrou o silêncio: “Amigos, ouçam! Simão nos lembrou que Deus desde o princípio deixou claro que os não judeus seriam incluídos no seu plano. Isso está em perfeita harmonia com as palavras dos profetas: Depois disso, eu voltarei; reconstruirei a casa arruinada de Davi. Vou refazer tudo; Eu a farei como nova outra vez. Então, os outros povos que procuram vão encontrar, eles terão um lugar para ir. Todos os povos pagãos estão incluídos na obra que farei. Deus prometeu isso, e agora está fazendo. Não é um pensamento novo: ele sempre quis que fosse assim.
19-21Por isso, esta é minha decisão: não vamos impor um peso desnecessário sobre os não judeus que se convertem ao Senhor. Vamos escrever uma carta com estes dizeres: ‘Não se envolvam com nenhum tipo de idolatria, guardem a pureza moral no sexo e no casamento, não sirvam comida ofensiva aos judeus cristãos, como é o caso do sangue e da carne ritualmente impura. Essa é a essência da Lei de Moisés, pregada e honrada há séculos todos os sábados, em todas as cidades que habitamos”.
22-23Todos concordaram: apóstolos, líderes, todos os presentes. Eles escolheram Judas (também chamado Barsabás) e Silas, ambos muito respeitados na igreja, e os enviaram na companhia de Paulo e Barnabé com esta carta: Dos apóstolos e líderes, amigos de vocês, aos nossos amigos em Antioquia, Síria e Cilicia: Saudações!
24-27Ouvimos falar que alguns homens das nossas igrejas procuraram vocês com ideias que os confundiram e entristeceram. Esclarecemos que eles não foram autorizados por nós. Nós não os enviamos. Concordamos agora, unanimemente, em escolher representantes e enviá-los a vocês com nossos bons amigos Barnabé e Paulo. Escolhemos homens confiáveis como Judas e Silas. Eles enfrentaram a morte várias vezes por causa do nosso Senhor Jesus Cristo. Nós os enviamos para confirmar, num encontro face a face com vocês, o que registramos por escrito.
28-29Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós que vocês não fossem entristecidos por nenhum peso; acatem apenas estas exigências básicas: não se envolvam com nenhum tipo de idolatria, não sirvam comida ofensiva aos judeus cristãos, como é o caso do sangue e da carne ritualmente impura, e guardem a pureza moral no sexo e no casamento. Essas orientações são suficientes para que sejam mantidas relações agradáveis entre nós. Deus seja com vocês!
BARNABÉ E PAULO SEGUEM CAMINHOS SEPARADOS
30-33Assim, eles foram para Antioquia. Na chegada, reuniram a igreja e leram a carta. O povo ficou aliviado e satisfeito. Judas e Silas, bons pregadores, fortaleceram os novos irmãos com palavras de encorajamento e esperança. Na hora de ir para casa, os novos amigos se despediram deles com alegria e muitos abraços. Dessa maneira, voltaram para informar o resultado da missão aos que os tinham enviado.
35Paulo e Barnabé permaneceram em Antioquia, ensinando e pregando a Palavra de Deus. Mas não estavam sozinhos. Já havia muitos mestres e pregadores na época em Antioquia.
36Depois de alguns dias, Paulo disse a Barnabé: “Vamos voltar e visitar todos os nossos amigos em cada uma das cidades em que pregamos a Palavra de Deus. Vamos ver como eles estão”.
3741Barnabé queria levar João, também chamado Marcos, mas Paulo não concordou. Não queria levar alguém que desistira com facilidade, que na primeira dificuldade os abandonou na Panfília. Os ânimos se exaltaram, e por fim eles seguiram caminhos separados. Barnabé navegou com Marcos para Chipre. Paulo escolheu Silas e, recomendados pelos amigos à graça do Senhor, rumou para a Síria e a Cilicia a fim de levar uma palavra de ânimo àquelas comunidades.
Atos
Capítulo 16
O SONHO DE PAULO1-3Paulo foi primeiro a Derbe e depois a Listra. Ali encontrou um discípulo, Timóteo, filho de uma mãe judia muito consagrada e de pai grego. Todos os amigos em Listra e Icônio garantiram que ele era um rapaz excelente. Paulo quis levá-lo para admissão, mas primeiro o circuncidou, para não ofender os judeus que viviam naquela região. Todos sabiam que o pai dele era grego.
4-5Enquanto viajavam de cidade em cidade, apresentavam as orientações que os apóstolos e líderes em Jerusalém haviam decidido. Essa medida se revelou bastante útil. Dia após dia, as igrejas se fortaleciam na fé e cresciam em número.
6-8Eles foram para a Frigia e atravessaram a região da Galácia. O plano era seguir na direção oeste até a província da Ásia, mas o Espírito Santo impediu que prosseguissem. Eles foram para a Mísia e tentaram seguir para o norte, até a Bitínia, mas o Espírito de Jesus também não os deixou ir para lá. Depois de passar pela Mísia, desceram até o porto marítimo de Trôade.
9-10Naquela noite, Paulo teve um sonho. Um macedônio estava de pé na praia e chamava do outro lado do mar: “Venha à Macedônia e ajude-nos!”. O sonho foi revelador para Paulo. Imediatamente ele começou a fazer os preparativos para a viagem à Macedônia. Tudo estava acertado. Agora sabíamos com certeza que Deus nos havia chamado para pregar aos europeus.
11-12Embarcando em Trôade, fomos direto para Samotrácia. No dia seguinte, chegamos a Neápolis e fomos de lá até Filipos, a cidade principal daquela parte da Macedônia e, muito importante, uma colônia romana. Ficamos ali vários dias.
13-14No sábado, deixamos a cidade e fomos ao rio, informados de que havia uma reunião de oração nesse lugar. Conversamos com as mulheres que se reuniam ali. Uma delas, chamada Lídia, de Tiatira, era negociante de tecidos caros e conhecida por ser mulher consagrada a Deus. Enquanto ouvia com atenção o que era dito, o Senhor lhe abriu o coração — e ela creu!
15Depois que foi batizada, com todos os de sua casa, ela, num gesto de hospitalidade, nos convidou: “Se vocês confiam que sou uma de vocês e que creio no Senhor, venham para minha casa e sejam meus hóspedes”. Nós até hesitamos, mas ela não aceitaria um não como resposta.
PRISÃO E SOFRIMENTO
16-18Depois disso, num outro dia, a caminho do lugar de oração, uma escrava ficou andando atrás de nós. Ela tinha um espírito de adivinhação e havia ganhado muito dinheiro para seus donos. Ela começou a seguir Paulo por toda parte, chamando a atenção de todos para nós: “Estes homens servem o Deus Altíssimo. Eles estão abrindo o caminho da salvação para vocês”. Ela fez a mesma coisa durante vários dias, até que, não suportando mais, Paulo voltou-se e ordenou ao espírito: “Saia! Em nome de Jesus Cristo, saia dela!” E, na mesma hora, o espírito saiu.
19-22Quando os donos dela perceberam que o negócio lucrativo tinha ido por água abaixo, foram atrás de Paulo e Silas e os levaram à praça do mercado. Os dois foram presos e levados ao tribunal com a seguinte acusação: “Estes homens estão perturbando a paz. São perigosos agitadores judeus que subvertem a ordem e a lei de Roma”. A multidão na mesma hora começou a pedir sangue.
22-24Os juízes atenderam ao pedido da multidão. Mandaram rasgar as roupas de Paulo e Silas e ordenaram que fossem açoitados. Depois de baterem neles até cansar, mandaram ambos para a cadeia, recomendando ao carcereiro que os deixassem sob severa vigilância, para que não pudessem escapar. Ele os prendeu na cela de segurança máxima, com algemas de ferro nas pernas.
25-26Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam fervorosamente a Deus. Os outros prisioneiros não podiam acreditar no que escutavam. Foi quando, de repente, aconteceu um terremoto! A cadeia inteira tremeu, todas as portas se abriram, e os prisioneiros ficaram livres.
27-28Nisso, o carcereiro acordou e viu todas as portas da prisão abertas. Pensando que todos os prisioneiros tivessem escapado, sacou da espada e estava prestes a cometer suicídio, imaginando que seria morto, de qualquer maneira. Mas Paulo gritou: “Não faça isso! Estamos todos aqui! Ninguém fugiu!”.
29-31Então, o carcereiro pegou uma tocha e entrou. Trêmulo, caiu diante de Paulo e Silas. Ele os levou para fora e perguntou: “Senhores, que devo fazer para ser salvo, para viver de verdade?” Eles responderam: “Deposite sua inteira confiança no Senhor Jesus, e você terá a salvação e saberá o que é viver de verdade — e todos os da sua casa também!”
32-34Eles contaram a história do Senhor em detalhes — toda a família estava reunida agora. Ninguém quis dormir naquela noite. O carcereiro os deixou à vontade e cuidou dos ferimentos deles. Ele nem pôde esperar amanhecer e foi logo batizado, com toda a família. Depois ofereceu uma refeição em sua casa. O clima era de festa, uma noite para ninguém esquecer: ele e sua família creram em Deus, e todos na casa participaram da celebração.
35-36Ao raiar do dia, os juízes enviaram oficiais de justiça com a seguinte ordem: “Libertem esses homens”. O carcereiro deu a notícia a Paulo: “Os juízes mandaram dizer que vocês estão livres para seguir o caminho de vocês. Estão livres! Vão em paz!”
37Mas Paulo não se moveu e disse aos oficiais de justiça: “Eles nos espancaram em público e jogaram na cadeia legítimos cidadãos romanos! Agora querem resolver a situação por baixo dos panos? Nada disso! Se nos querem tirar daqui, que venham eles mesmos e nos libertem à vista de todos”.
3840Os oficiais de justiça deram o recado, e os magistrados entraram em pânico, porque não imaginavam que Paulo e Silas fossem cidadãos romanos. Eles correram para lá, apresentaram suas desculpas e pessoalmente os acompanharam, implorando que saíssem da cidade pacificamente. Depois que saíram da cadeia, Paulo e Silas foram para a casa de Lídia, a fim de rever os amigos e encorajá-los na fé. Só então seguiram caminho.
Atos
Capítulo 17
TESSALÔNICA1-3Pegando a estrada para o sul, através de Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma comunidade de judeus. Paulo dirigiu-se à sinagoga, como sempre fazia quando chegava a uma cidade, e por três sábados seguidos ensinou as Escrituras ao povo. Explicou a eles vários textos, de modo que finalmente entenderam o que tinham lido a vida toda: que o Messias tinha de ser morto e ressuscitado dos mortos — não havia alternativa — e que “esse Jesus que apresento é o Messias”.
4-5Alguns se convenceram e se uniram a Paulo e Silas, entre eles muitos gregos que criam no Deus único e um número considerável de mulheres da aristocracia. Mas os judeus de linha dura ficaram furiosos com as conversões. Loucos de inveja, reuniram um grupo de arruaceiros, e uma turba terrível; aterrorizando a cidade, avançaram contra Paulo e Silas.
5-7Eles invadiram a casa de Jasom, pensando que Paulo e Silas estavam hospedados ali. Como não os encontraram, agarraram Jasom e seus amigos e os arrastaram à presença das autoridades da cidade, gritando como loucos: “Esta gente quase destruiu o mundo e agora está aqui, na porta da nossa casa, atacando tudo a que damos valor! E Jasom os está escondendo. Estes vira-casacas e traidores dizem que Jesus é rei e que César não é nada!”
8-9As autoridades da cidade e a multidão ficaram alarmadas com o que ouviram. Assim, impuseram uma fiança pesada sobre Jasom e depois o libertaram, enquanto investigavam as acusações.
BEREIA
10-12Naquela noite, no meio da escuridão, os amigos de Paulo e Silas os tiraram da cidade. Eles foram enviados a Bereia, onde mais uma vez se misturaram à comunidade judaica. Ali os judeus receberam a mensagem de Paulo com entusiasmo e se encontravam com ele diariamente, examinando as Escrituras para ver se elas davam mesmo apoio ao que ele dizia. Foi muito melhor do que em Tessalônica. Muitos deles passaram a crer, e, entre eles alguns gregos proeminentes da comunidade, mulheres e homens de influência.
13-15Mas não demorou muito e os judeus ‘linha dura' de Tessalônica souberam que Paulo estava pregando outra vez a Palavra de Deus, agora em Bereia. Não perderam tempo: correram para lá e trataram logo de incitar a multidão contra eles. Com a ajuda dos amigos, Paulo tomou um navio e escapou pelo mar. Silas e Timóteo ficaram ali. Os homens que ajudaram Paulo a fugir levaram-no para Atenas e o deixaram ali. Paulo enviou por eles uma mensagem a Silas e Timóteo: “Venham assim que puderem!”.
ATENAS
16Enquanto aguardava Silas e Timóteo em Atenas, Paulo ficava cada vez mais irritado com todos aqueles ídolos do lugar. A cidade só tinha ídolos!
17-18Ele discutia na sinagoga com os judeus e com outros que pensavam de modo semelhante. Todos os dias, saía às ruas e discutia o assunto como podia. Foi quando ele conheceu alguns intelectuais epicuristas e estoicos, e logo passou a debater com eles. Alguns fizeram pouco caso dele: “Pura bobagem!” Outros, ouvindo-o falar de Jesus e da ressurreição, ficaram intrigados: “Uma perspectiva nova sobre os deuses! Fale mais!”
19-21Os intelectuais combinaram uma apresentação pública no Areópago, onde havia um pouco mais de tranquilidade. Disseram: “Isso é novidade para nós. Nunca ouvimos nada semelhante. De onde você tirou tudo isso? Explique-nos. Queremos entender”. O centro de Atenas era um lugar ideal para novidades. Havia sempre pessoas circulando ali, naturais do lugar e gente de fora, ansiosos pela última novidade.
22-23Paulo pôs-se em pé no Areópago e discursou: “É claro que vocês, atenienses, levam sua religião muito a sério. Eu, recém-chegado aqui, fiquei fascinado com a quantidade de santuários. Então, encontrei um deles com uma inscrição: Ao Deus que ninguém conhece. Estou aqui para apresentar a vocês justamente esse Deus, para que possam adorá-lo com inteligência, sabendo com quem estão lidando.
24-29“O Deus que fez o mundo e tudo que está nele, o Senhor dos céus e da terra, não vive em santuários feitos sob medida, nem precisa que a raça humana se desgaste por causa dele, como se ele não pudesse tomar conta de si mesmo. Ele fez as criaturas! Nenhuma criatura o fez. Começando do nada, ele fez toda a raça humana e criou a terra habitável, com muito espaço e tempo para uma vida em que pudéssemos buscar Deus e que, em vez de ficar tateando na escuridão, pudéssemos de fato encontrá-lo. Ele não brinca de esconde-esconde conosco. Ele não está num lugar remoto: está bem próximo. Vivemos e nos movemos nele, não podemos escapar dele! Tanto é que um dos poetas de vocês disse com razão: ‘Somos criados por Deus’. Bem, se somos criados por Deus, não faz sentido pensar que podemos contratar um artista para esculpir Deus numa pedra para nós, não é?
30-31“Deus, até agora, não levou isso em conta, pois vocês não conheciam muita coisa, mas esse tempo passou. O desconhecido é agora conhecido e está pedindo uma mudança radical de vida. Ele estabeleceu um dia em que toda a raça humana será julgada, e tudo será acertado. Também já indicou o juiz, confirmando-o diante de todos quando o ressuscitou dos mortos”.
32-34Ao ouvir a expressão “ressuscitou dos mortos”, as opiniões se dividiram. Alguns riram dele e começaram a fazer piadas. Outros disseram: “Vamos discutir esse assunto em outra ocasião. Queremos ouvir mais”. Mas era o suficiente por aquele dia, e Paulo foi embora. Houve ainda os que foram convencidos ali mesmo e creram; eles se uniram a Paulo, entre eles Dionísio, o Areopagita, e uma mulher chamada Dâmaris.
Atos
Capítulo 18
CORINTO1-4De Atenas, Paulo foi para Corinto. Ali conheceu Áquila, judeu nascido no Ponto, e sua esposa, Priscila. Eles tinham chegado havia pouco tempo da Itália, porque o imperador Cláudio havia expulsado os judeus de Roma. Paulo ficou com eles, e trabalharam juntos na fabricação de tendas. Todos os sábados ele estava na sinagoga, procurando convencer judeus e gregos a respeito de Jesus.
5-6Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo teve condições de dedicar tempo integral à pregação e ao ensino, com o objetivo de persuadir os judeus de que Jesus era de fato o Messias de Deus. Mas não obteve muito êxito. Eles entravam em discórdia e o contradiziam o tempo todo. Muito aborrecido, Paulo por fim se cansou deles e desistiu: “Façam como quiserem. Vocês fizeram a cama, então deitem nela. De agora em diante, vou dedicar meu tempo às outras nações”.
7-8Depois disso, ele foi morar na casa de Tício Justo, homem consagrado a Deus, vizinho da sinagoga. Mas os esforços de Paulo cornos judeus não foram de todo em vão, porque Crispo, chefe da sinagoga, passou a crer no Senhor. Toda a sua família creu com ele.
8-11Ao ouvir Paulo, muitos coríntios creram e foram batizados. Certa noite, o Senhor falou a Paulo num sonho: “Fique firme, não permita que ninguém o intimide ou silencie. Não importa o que aconteça, estou com você, e ninguém poderá feri-lo. Você não imagina quantas pessoas tenho nesta cidade”. Era tudo de que ele precisava ouvir. Morou ali um ano e meio, ensinando a Palavra de Deus com fidelidade aos coríntios.
12-13Mas, quando Gálio se tornou governador da província da Acaia, os judeus instigaram uma campanha contra Paulo, levaram-no ao tribunal e o acusaram: “Este homem está levando o povo a realizar cultos ilegais”.
14-16Paulo estava prestes a se defender, quando Gálio o interrompeu e disse aos judeus: “Se isso fosse um caso de conduta criminosa, eu os ouviria de bom grado. Mas isso está me parecendo mais uma rixa entre judeus, uma disputa interminável sobre questões religiosas. Cuidem disso vocês mesmos. Não perderei tempo com um assunto desses”. Em seguida, mandou que desocupassem a sala de audiências.
17A multidão na rua agrediu Sóstenes, o novo chefe da sinagoga, diante do tribunal. Gálio não moveu um dedo. Foi um descaso total.
ÉFESO
18Depois de ficar mais um pouco em. Corinto, chegou a hora de Paulo se despedir dos amigos e navegar para a Síria. Priscila e Áquila estavam com ele. Antes de embarcar na cidade portuária de Cencreia, Paulo rapou a cabeça como parte de um voto que tinha feito.
19-21Eles aportaram em Éfeso. Priscila e Áquila desembarcaram e ficaram ali. Paulo deixou o navio apenas para pregar aos judeus na sinagoga. Eles queriam que ele ficasse mais tempo, mas Paulo disse que não podia. No entanto, depois de se despedir, prometeu: “Eu voltarei, se Deus quiser”.
21-22De Éfeso, ele navegou para Cesaréia. Saudou a igreja ali e foi para Antioquia, completando a jornada.
23Depois de passar um tempo considerável com os cristãos de Antioquia, Paulo partiu outra vez, agora para a Galácia e a Frigia, refazendo a antiga rota, cidade após cidade, sempre encorajando os discípulos.
24-26Foi, então, que um homem chamado Apolo apareceu em Éfeso. Ele era judeu, nascido em Alexandria, no Egito, orador muito capaz, eloquente e excelente pregador. Conhecia bem o caminho do Senhor e era cheio de entusiasmo. Seu ensino a respeito de Jesus era preciso até certo ponto, pois ele só conhecia o batismo de João. Priscila e Áquila o ouviram quando ele pregou com poder na sinagoga. Depois o chamaram à parte e o deixaram a par do restante da história.
27-28Apolo decidiu seguir caminho até a província da Acaia. Os amigos de Éfeso deram sua bênção e escreveram uma carta de recomendação, na qual pediam que ele fosse recebido de braços abertos. A boa recepção foi recompensada: Apolo revelou ser um grande auxílio para os convertidos pela imensa graça de Deus. Ele era muito bom no debate público com os judeus, pois apresentava provas convincentes, pelas Escrituras, de que Jesus era de fato o Messias de Deus.
Atos
Capítulo 19
1-2Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo seguiu caminho pelas montanhas e
chegou a Éfeso, onde encontrou alguns discípulos. Assim que ali chegou,
perguntou a eles: “Vocês receberam o Espírito Santo quando creram? Vocês o
acolheram no coração? Ele está mesmo em vocês?”. “Nunca nem ouvimos falar de
Espírito Santo! Deus dentro de nós?”3“Como foi, então, que vocês foram batizados?” perguntou Paulo. “No batismo de João”, responderam.
4Paulo disse: “Isso explica tudo. João pregou um batismo de mudança radical de vida, para que o povo pudesse estar pronto para receber aquele que viria depois dele, Jesus. Se vocês foram batizados no batismo de João, agora estão preparados para o que realmente importa: Jesus”.
5-7E eles estavam. Assim que ouviram isso, foram batizados no nome do Senhor Jesus. Paulo impôs-lhes as mãos sobre a cabeça, e o Espírito Santo veio sobre eles. E louvavam a Deus em línguas e falavam a respeito dos atos de Deus. Havia cerca de doze pessoas ali naquele dia.
8-10Em seguida, Paulo foi para a sinagoga. Ficou na cidade três meses, trabalhando para apresentar a eles o Reino de Deus de maneira convincente. Mas começou a surgir resistência por parte de alguns, que começaram a espalhar boatos sobre o estilo de vida cristão. Paulo retirou-se, levando os discípulos com ele, e se estabeleceu na escola de Tirano, ministrando aulas diariamente. Fez isso por dois anos, dando a todos na província da Ásia, judeus e gregos, ampla oportunidade para ouvir a Mensagem do Senhor.
A MUDANÇA DOS MAGOS E FEITICEIRAS
11-12Deus fez coisas poderosas e incomuns por meio de Paulo. A notícia se espalhou, e as pessoas começaram a trazer peças de roupas — lenços, mantas e coisas semelhantes — para que tocassem com elas Paulo e depois os doentes. Foi impressionante: os doentes eram curados e restaurados.
13-16Alguns exorcistas judeus itinerantes estavam na cidade e tentaram fazer o que pensavam ser o “jogo” de Paulo. Mencionavam o nome do Senhor Jesus às vítimas de espíritos malignos, dizendo: “Domino você pelo Jesus pregado por Paulo!” Os sete filhos de um tal de Ceva, sacerdote principal judeu, tentaram fazer isso com um homem, e o espírito maligno respondeu: “Conheço Jesus e já ouvi falar de Paulo, mas quem são vocês?”. Então, o possesso ficou enlouquecido: pulou sobre os exorcistas, que levaram uma boa surra e ficaram de roupa rasgada. Nus e sangrando, eles fugiram dali.
17-20O fato se tornou conhecido de toda a Éfeso, entre judeus e gregos. Espalhou-se a convicção de que Deus estava por trás de tudo aquilo. A curiosidade a respeito de Paulo transformou-se em reverência pelo Senhor Jesus. Muitos dos que creram abandonaram a feitiçaria. Magos e feiticeiras vieram com seus livros de feitiços e fizeram uma fogueira imensa com eles. O valor dos livros chegou a cinquenta mil moedas de prata. Assim, ficou evidente que a Palavra do Senhor fora vitoriosa em Éfeso.
A DEUSA ÁRTEMIS
21-22Depois disso, Paulo decidiu que era tempo de ir para as províncias da Macedônia e da Acaia e de lá para Jerusalém. Ele disse: “Vou para Roma. Preciso ir para lá!” Ele enviou dois de seus assistentes, Timóteo e Erasto, para a Macedônia, mas ficou na Ásia para resolver alguns assuntos.
23-26Antes de partir, ocorreu em Éfeso um grande tumulto a respeito do que era conhecido como “o Caminho”. Certo ourives, Demétrio, chefiava um negócio de manufatura de relicários da deusa Ártemis e empregava muitos artesãos. Ele reuniu seus empregados e outros que lhe prestavam serviços e disse: “Homens, vocês sabem que temos um bom negócio aqui e já viram como Paulo se intromete no que fazemos, para nos desacreditar, afirmando que não existem deuses feitos por mãos humanas. Muita gente o apoia, não apenas aqui em Éfeso, mas por toda a província da Ásia.
27“Não apenas nosso negócio corre o risco de ir à falência, mas o templo da nossa famosa deusa Ártemis acabará em escombros, quando sua reputação gloriosa se for. Não se trata de um assunto local: o mundo inteiro adora nossa Ártemis!”
28-31A multidão perdeu a cabeça. Correram à rua gritando: “Grande Ártemis dos efésios! Grande Ártemis dos efésios!”. Eles puseram a cidade inteira em polvorosa, correram ao estádio e agarraram dois dos companheiros de Paulo, os macedônios Gaio e Aristarco. Paulo queria ir também, mas os discípulos não deixaram. Alguns líderes religiosos de destaque da cidade, simpáticos a Paulo concordaram: “Não se aproxime daquela multidão de jeito nenhum!”
32-34Alguns deles gritavam uma coisa, outros gritavam outra. Muitos nem tinham ideia do que estava acontecendo ou por que estavam ali. Enquanto os judeus empurraram Alexandre para que ficasse à frente do povo e assumisse o controle, diferentes facções reivindicavam sua liderança. Ele os repreendeu e os fez calar, gesticulando energicamente. Mas, no momento em que Alexandre abriu a boca, perceberam que ele era judeu e gritaram: “Grande Ártemis dos efésios! Grande Ártemis, dos efésios!” — e gritaram por duas horas. .
35-37Finalmente, o escrivão da cidade fez a multidão se aquietar e disse: “Caros compatriotas, será que alguém, em algum lugar, não sabe que nossa querida cidade de Éfeso é a protetora da gloriosa Ártemis e da sua imagem sagrada de pedra, que caiu do céu? Considerando que isso não pode ser negado, é melhor que cada um de vocês vá cuidar da sua vida. Tal conduta é indigna de Ártemis. Os homens que vocês trouxeram aqui não fizeram nada para prejudicar nosso templo nem nossa deusa.
38-41“Se Demétrio e sua associação de artesãos têm alguma queixa, poderão apresentá-la no tribunal e fazer as acusações que quiserem. Se alguma coisa mais os está incomodando, reclamem nas reuniões regulares da administração da cidade, deixando a questão a cargo dela. Não há desculpa para o que aconteceu hoje, pois pusemos a cidade em risco. Lembrem-se de que Roma não vê os agitadores com bons olhos”. Com isso, o povo se dispersou.
Atos
Capítulo 20
MACEDÔNIA E GRÉCIA1-2Com a situação normalizada, Paulo reuniu os discípulos e os incentivou a ficar firmes naquela boa obra em Éfeso. Despedindo-se deles, foi para a Macedônia. Viajou pelo país, indo de uma reunião para outra, sempre encorajando, animando e despertando neles uma nova esperança.
2-4Depois foi para a Grécia e ficou três meses ali. Quando estava para embarcar para a Síria, os judeus armaram um complô contra ele. Assim, decidiu ir por terra, pela Macedônia, e os despistou. Seus companheiros de viagem eram Sópatro, filho de Pirro, de Bereia; Aristarco e Secundo, ambos tessalonicenses; Gaio, de Derbe; Timóteo; os dois discípulos da Ásia ocidental, Tíquico e Trófimo.
5-6Eles foram na frente e esperaram por nós em Trôade. Enquanto isso, ficamos em Filipos para a semana da Páscoa e, depois, embarcamos. Cinco dias depois, estávamos outra vez em Trôade e ficamos ah uma semana.
7-9Encontramo-nos no domingo para o culto e a celebração da ceia do Senhor. Paulo falou à comunidade. Nosso plano era sair de manhã bem cedo, mas Paulo falou muito, até depois da meia-noite. Estávamos reunidos num andar superior, bem iluminado. Um jovem chamado Êutico estava sentado numa janela. Como a palavra de Paulo se prolongou, Êutico dormiu e caiu da janela, do terceiro andar. Quando foram socorrê-lo, ele estava morto.
10-12Paulo desceu também e sacudiu o rapaz, dizendo: “Nada de choro, ainda há vida nele”. Disse isso e subiu para servir a ceia do Senhor. Continuou a falar a respeito da fé até a madrugada! Encerrada a reunião, Paulo tomou seu caminho. O rapaz, vivo, foi com o pessoal da comunidade, que estavam muito felizes!
13-16Enquanto isso, o resto de nós embarcou no navio e navegou até Assôs, onde planejávamos encontrar Paulo. Ele queria pregar ali e já havia feito os preparativos. Tudo ocorreu conforme o plano. Nós o encontramos em Assôs e o trouxemos a bordo. Dali navegamos até Mitilene. No dia seguinte, passamos por Quios e Samos e, um dia depois, finalmente aportamos em Mileto. Paulo havia decidido evitar Éfeso, para não ficar na província da Ásia. Ele tinha pressa, pois queria chegar a Jerusalém para a festa de Pentecoste.
RUMO A JERUSALÉM
17-21De Mileto, Paulo mandou chamar os líderes da comunidade. Quando chegaram, ele lhes disse: “Vocês sabem que desde o dia em que cheguei à Ásia me dediquei totalmente a vocês, oferecendo minha vida, servindo o Senhor como podia, enfrentando as armadilhas que os judeus prepararam contra mim. Em nada fui mesquinho. Vocês receberam toda verdade e encorajamento de que precisavam. Ensinei em lugares públicos e nos lares, exortando judeus e gregos, sem distinção, a uma mudança radical de vida na presença de Deus e a uma plena confiança em nosso Senhor Jesus.
22-24“Mas agora há outra realidade urgente diante de mim. Sinto-me impelido a ir a Jerusalém. Não sei em absoluto o que irá acontecer quando chegar lá. Só sei que não será um mar de rosas, pois o Espírito Santo me alertou de que me aguardam sofrimentos e prisões. Mas isso pouco importa. O que mais me interessa é terminar o que Deus começou: a tarefa de que o Senhor Jesus me incumbiu: fazer que todos com os quais me encontre tomem conhecimento da extraordinária graça de Deus.
25-27“Portanto, adeus. Vocês não me verão outra vez, nem eu a vocês, com quem tenho trabalhado tanto, proclamando as notícias do inaugurado Reino de Deus. Fiz o melhor que pude por vocês. Dei tudo de mim e não escondi nada do que era a vontade de Deus para vocês.
28“Agora, é com vocês. Fiquem firmes, por vocês mesmos e pela comunidade. O Espírito Santo os responsabiliza agora por essas ovelhas, que são o povo de Deus. Vocês têm o dever de guardá-las e protegê-las. O próprio Deus considerou que valia a pena morrer por elas.
29-31“Sei que, assim que eu partir, lobos ferozes aparecerão para atacar o rebanho, homens de suas fileiras que torcerão as palavras para seduzir os discípulos a segui-los, em vez de seguir Jesus. Por isso, fiquem atentos. Lembrem-se desses três anos nos quais velei por vocês, sem desistir, derramando meu coração por todos vocês.
32“Agora me entrego a Deus, ao nosso Deus maravilhoso, cuja Palavra poderá moldar vocês para que sejam o que ele quer e conceder a vocês tudo de que precisem nesta comunidade de santos amigos.
33-35“Vocês bem sabem que nunca fiz questão de riqueza ou de vestir do bom e do melhor. Com estas mãos limpas, cuidei das necessidades básicas, minhas e dos que trabalharam comigo. Em tudo que fiz, demonstrei a vocês que é preciso trabalhar a favor dos fracos, não explorá-los. Vocês não estarão errando se guardarem a lembrança daquilo que o Senhor disse: ‘Vocês são mais felizes dando que recebendo’”.
36-38Depois de falar, Paulo ajoelhou-se. Os outros fizeram o mesmo, e todos oraram. Foi um rio de lágrimas. Muitos abraçaram Paulo, não querendo deixá-lo ir. Eles sabiam que não iriam vê-lo outra vez, como ele mesmo havia declarado. Com muita dor no coração, eles o acompanharam até o navio.
Atos
Capítulo 21
TIRO E CESARÉIA1-4Assim, depois de uma despedida emocionada, seguimos caminho. Rumamos para Cós e, no dia seguinte, alcançamos Rodes e depois Pátara. Ali encontramos um navio que ia para a Fenícia, embarcamos e começamos a navegar. Chipre estava à nossa esquerda, mas logo não podia mais ser vista, pois mantivemos o curso para a Síria e finalmente atracamos no porto de Tiro. Enquanto a carga era desembarcada, procuramos os discípulos que viviam na cidade e ficamos com eles sete dias. A mensagem deles para Paulo, baseada numa percepção concedida pelo Espírito, foi: “Não vá a Jerusalém”.
5-6Quando nosso tempo acabou, eles nos escoltaram até as docas. Vieram todos — homens, mulheres, crianças. Foi uma grande festa de despedida! Ajoelhamo-nos na praia e oramos. Então, após outra rodada de despedidas, subimos a bordo, enquanto eles voltavam para casa.
7-9Uma rápida jornada de Tiro a Ptolemaida completou a viagem. Saudamos nossos amigos cristãos ali e ficamos com eles um dia. De manhã, fomos para Cesaréia e ficamos com Filipe, o Evangelista, um “dos Sete”. Filipe tinha quatro filhas, que eram virgens e profetizavam.
10-11A visita durou vários dias, e um profeta da Judeia, chamado Ágabo, veio nos ver. Ele encaminhou-se diretamente para Paulo, pegou o cinto dele e, num gesto dramático, amarrou-se, mãos e pés, e disse: “Isto é o que o Espírito Santo diz: ‘Os judeus de Jerusalém irão prender o homem a quem este cinto pertence, desta maneira, e vão entregá-lo a pagãos muito maus’”.
12-13Quando ouvimos isso, todos nós imploramos a Paulo que deixasse de ser teimoso e desistisse da viagem a Jerusalém. Mas ele foi irredutível: “Por que tudo isso? Por que todo esse drama, tornando as coisas ainda mais difíceis para mim? Vocês não entendem. A questão não é o que vão fazer a mim em Jerusalém, se vão me prender ou me matar, mas o que o Senhor Jesus irá fazer por meio da minha obediência. Não conseguem ver isso?”.
14Percebendo que era inútil insistir, desistimos: “Está nas mãos de Deus. Senhor, seja feita a tua vontade!”.
15-16Isso aconteceu pouco antes de pegarmos a bagagem para ir a Jerusalém. Alguns dos discípulos de Cesaréia foram conosco e nos levaram à casa de Mnasom, que nos recebeu calorosamente como hóspedes. Natural de Chipre, ele era do grupo dos discípulos mais antigos.
JERUSALÉM
17-19Em Jerusalém, nossos amigos nos receberam de braços abertos, com muita alegria. Logo na manhã seguinte fomos levar Paulo para ver Tiago. Todos os líderes da igreja estavam lá. Depois das saudações e de conversar um pouco, Paulo contou em detalhes o que Deus havia feito entre os não judeus pelo seu ministério. Eles ouviram com prazer e deram glória a Deus.
20-21Eles também tinham uma história para contar: “Vejam o que está acontecendo aqui: milhares e milhares de judeus consagrados a Deus passaram a crer em Jesus! Mas há também um problema: eles estão mais zelosos do que nunca em observar as leis de Moisés e ouviram dizer que vocês aconselham esses judeus que vivem cercados por gente de outros povos a se afastar de Moisés, afirmando que eles não precisam circuncidar os filhos nem guardar as tradições. Isso desagradou muito a todos eles.
22-24“Estamos preocupados com o que poderá acontecer quando descobrirem que você está na cidade. Isso vai dar problema. Aqui está o nosso conselho: quatro homens de nosso grupo fizeram um voto que envolve purificações rituais, mas não têm dinheiro para pagar as despesas. Junte-se a esses homens em seus votos e pague as despesas deles. Assim, todos vão ficar convencidos de que não há verdade nos boatos que circulam a seu respeito e que você é de fato zeloso das leis de Moisés.
25“Ao fazer esse pedido, não estamos voltando atrás no acordo sobre os não judeus convertidos. Tudo que escrevemos naquela carta está de pé, a saber, o cuidado em não se envolver em nenhum tipo de idolatria, em não servir comida ofensiva aos judeus cristãos, como é o caso do sangue e da carne ritualmente impura, e em guardar a pureza moral no sexo e no casamento”.
26Paulo concordou. Juntou-se àqueles homens em seus votos e pagou as despesas deles. No dia seguinte, foi ao templo oficializar o voto e ficou ali até que os sacrifícios adequados foram oferecidos e o tempo fosse cumprido.
PAULO NA PRISÃO
27-29Quando os sete dias de purificação estavam para se completar, alguns judeus de Éfeso reconheceram Paulo no templo. Imediatamente, puseram o lugar de cabeça para baixo. Agarraram Paulo e começaram a gritar a plenos pulmões: “Socorro! Israelitas, ajudem! Este é o homem que está viajando pelo mundo inteiro, dizendo mentiras contra nós, contra nossa religião e contra este lugar. Ele trouxe gregos aqui e contaminou este lugar santo!”. (Eles tinham visto Trófimo, o grego de Éfeso, caminhando com Paulo na cidade e logo concluíram que o apóstolo o levara ao templo.)
30Logo a cidade inteira estava alvoroçada. Gente de toda parte corria para o templo a fim de saber o que estava acontecendo. Os judeus arrastaram Paulo para fora e trancaram as portas do templo, de modo que ele não pudesse entrar no santuário outra vez.
31-32Tentavam matá-lo quando a notícia chegou ao comandante da guarda: “Um motim! A cidade inteira está polvorosa!” Ele agiu rápido. Os soldados e oficiais correram para o lugar imediatamente. Assim que a multidão viu o comandante e seus soldados, pararam de agredir o apóstolo.
33-36O capitão prendeu Paulo. Ordenou que ele fosse algemado e depois perguntou quem era e o que tinha feito. Tudo que ele conseguiu da multidão foi uma gritaria ensurdecedora. Era impossível entender o que diziam. Por isso, decidiu levar Paulo para a fortaleza. Mas, ao chegar às escadarias do templo, a multidão se tornou tão violenta que os soldados tiveram de carregar o prisioneiro. Enquanto o transportavam, a multidão ia atrás dele, gritando: “Mata! Mata!”
37-38Quando chegaram às escadas, antes de entrar, Paulo disse ao capitão: “Posso falar uma coisa?” Ele respondeu: “Eu não sabia que você falava grego. Pensei que fosse o egípcio que há pouco tempo iniciou uma rebelião aqui e se escondeu no deserto com quatro mil bandidos”.
39Paulo respondeu: “Não, eu sou judeu, nascido em Tarso. Ainda sou um cidadão daquela cidade influente e tenho um pedido simples: permita que eu fale à multidão”.
PAULO CONTA SUA HISTÓRIA
40Em pé, na escada, Paulo virou-se e levantou os braços. A multidão silenciou quando ele começou a falar em hebraico:
Atos
Capítulo 22
1"Meus prezados irmãos e pais, ouçam com atenção o que vou dizer antes de
tirarem conclusões a meu respeito”. Quando eles o ouviram falar em hebraico,
ficaram ainda mais quietos. Ninguém queria perder uma palavra.2-3Ele prosseguiu: “Sou um bom judeu, nascido em Tarso, na província da Cilicia, mas educado aqui em Jerusalém, sob o olhar exigente do rabino Gamaliel, instruído com rigor em nossas tradições religiosas. Além disso, sempre me dediquei sinceramente a Deus, até o dia de hoje.
4-5“Eu perseguia qualquer um que tivesse ligação com o Caminho. Agia com violência, disposto a matar por causa de Deus. Persegui homens e mulheres e lancei muita gente na prisão. Se têm alguma dúvida, perguntem ao sacerdote principal ou a qualquer membro do Concílio. Eles me conhecem muito bem. Certa vez, fui até nossos irmãos de Damasco, munido de documentos oficiais que me autorizavam caçar os seguidores de Jesus que viviam lá, prendê-los e trazê-los de volta a Jerusalém para serem sentenciados.
6-7“Quando eu me aproximava de Damasco, por volta do meio-dia, uma luz intensa brilhou do céu, e caí ao chão, confuso. Então, ouvi uma voz: ‘Saulo, Saulo, por que você me persegue?’.
8-9“‘Quem és, Senhor?’, perguntei. “Ele disse: ‘Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem você está perseguindo’. Meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a conversa.
10-11“Então, eu disse: ‘Senhor, o que devo fazer?’. Ele disse: ‘Levante-se e vá a Damasco. Ali será dito tudo que você deve fazer. Entramos em Damasco, mas não foi nada como eu tinha planejado. Eu estava cego, e meus companheiros tiveram de me guiar pela mão.
12-13“Encontrei-me com Ananias, homem de reputação excelente, observador das nossas leis — a comunidade judaica de Damasco pode confirmar. Ele me deu o maior apoio e disse: ‘Volte a ver’. Olhei e logo eu estava olhando para ele. Eu estava enxergando outra vez!
14-16“Ele disse: ‘O Deus dos nossos antepassados escolheu você para ser parte do seu plano. Você acabou de ver o Justo Inocente e o ouviu falar. Você será uma testemunha muito importante do que viu e ouviu. Levante-se, seja batizado e purificado dos seus pecados e conheça Deus pessoalmente!’
17-18"Pois bem, aconteceu tudo como Ananias disse. Mais tarde, eu estava de volta a Jerusalém, orando um dia no templo, meio confuso na presença de Deus, e vi o Justo Inocente de Deus! Ele me disse: ‘Depressa! Saia daqui o mais rápido que puder. Nenhum judeu em Jerusalém vai aceitar o que você diz a meu respeito’.
19-20“No início, questionei: ‘Mas quem tem melhores credenciais? Todos sabem que eu era obcecado por caçar quem te seguisse. Eu os agredia nas sinagogas e os jogava na cadeia. E, quando Estêvão, tua testemunha, foi assassinado, eu estava lá, segurando a capa dos assassinos. Agora eles me veem como convertido. Quem melhor do que eu para falar agora?’.
21“Mas ele disse: ‘Não discuta. Vá. Eu o envio aos outros povos. Será uma longa jornada”.
UM CIDADÃO ROMANO
22-25O povo ouviu com atenção até esse ponto, mas perderam o controle e começaram a gritar: “Matem-no! Fora! Acabem com ele!”. Eles sacudiam os punhos e gritavam maldições. Foi quando o comandante interferiu e ordenou que Paulo fosse levado à fortaleza. Ficou chocado e decidiu interrogar Paulo sob tortura, para descobrir o que ele havia feito para provocar tanta violência. Enquanto o amarravam com tiras de couro, preparando-o para o açoitamento, Paulo perguntou ao centurião, que assistia a tudo: “Não é ilegal torturar um cidadão romano sem um julgamento justo?”.
26Ao ouvir a pergunta, o centurião foi reclamar com o comandante da guarda: “Você percebe o que fez? Este homem é cidadão romano!”.
27O comandante foi confirmar: “O que ouvi é verdade? Você é cidadão romano?” Paulo respondeu: “Claro que sim!”.
28O comandante ficou impressionado. “Tive de pagar uma grande quantia de dinheiro pela minha cidadania. Quanto custou a você?” “Nada”, disse Paulo, “não me custou nada. Sou cidadão desde que nasci”.
29O interrogatório foi suspenso, e o comandante ficou muito receoso. Havia ordenado prender um cidadão romano e chegado muito perto de mandar torturá-lo!
30No dia seguinte, querendo livrar-se dá encrenca e querendo saber o que estava por trás da acusação dos judeus, o comandante libertou Paulo e convocou uma reunião com os principais sacerdotes e o Concilio para ver o que eles pretendiam fazer. Paulo foi levado à presença deles.
Atos
Capítulo 23
PERANTE O CONCÍLIO1-3Paulo encarou com firmeza os membros do Concílio e disse: “Amigos, tenho vivido com a consciência limpa diante de Deus por toda a minha vida, até este momento”. A declaração irritou o sacerdote principal Ananias. Ele ordenou aos seus assistentes que esbofeteassem Paulo. Mas Paulo reagiu de imediato: “Deus irá castigá-lo, seu farsante! Você se senta aí para me julgar de acordo com a Lei e depois quebra a Lei, mandando me esbofetear”.
4Os assistentes não podiam crer em tal ousadia: “Como tem coragem de falar desse jeito com o sacerdote principal de Deus?”
5Surpreso, Paulo respondeu: “Como eu poderia saber que ele é o sacerdote principal? Ele não age como tal. Mas vocês estão certos, as Escrituras de fato dizem: ‘Não fale mal de seus governantes’. Sinto muito”.
6Sabendo que o Concílio era constituído dos rivais: saduceus e fariseus, Paulo decidiu explorar o antagonismo deles: “Amigos, sou fariseu convicto, de uma longa linhagem de fariseus, e por causa das minhas convicções de fariseu — a esperança na ressurreição dos mortos — é que fui trazido a este tribunal”.
7-9Quando ele disse isso, o Concílio se dividiu. Fariseus e saduceus passaram a se atacar uns aos outros com argumentos irados. Os saduceus não acreditam em ressurreição, nem em anjos nem mesmo em espíritos, mas os fariseus acreditam em tudo isso. A confusão estava armada. Os líderes religiosos do lado dos fariseus gritavam para os outros: “Não vemos nada de errado com este homem! E se um espírito falou com ele? Ou talvez um anjo? E se estivermos lutando contra Deus?”.
10Foi como jogar lenha no fogo. A discussão tornou-se tão violenta que o capitão ficou com medo de que partissem Paulo ao meio. Assim, ordenou aos soldados que o tirassem dali e o escoltassem de volta à fortaleza em segurança.
O PLANO PARA MATAR PAULO
11Naquela noite, o Senhor apareceu a Paulo e disse: “Tudo vai dar certo. Tudo vai acontecer para o melhor. Você tem sido minha boa testemunha aqui em Jerusalém. Agora será minha testemunha em Roma!”.
12-15No dia seguinte, os judeus tramaram um plano contra Paulo. Fizeram um juramento solene de que não iriam comer nem beber até que ele estivesse morto. O pacto de assassinato foi firmado por cerca de quarenta judeus e apresentado aos principais sacerdotes e líderes religiosos: “Nós nos comprometemos, por juramento solene, a não comer nada enquanto não matarmos Paulo. Mas precisamos da sua ajuda. Enviem uma petição ao Concílio para que o comandante traga Paulo de volta, a fim de que vocês possam investigar melhoras acusações, e nós faremos o resto. Antes que ele chegue aqui, nós o mataremos. Vocês não serão envolvidos”.
16-17No entanto, o sobrinho de Paulo, filho da irmã dele, ouviu-os planejar a emboscada. Correu à fortaleza e contou a Paulo, que chamou um dos centuriões e disse: "Leve este rapaz ao comandante da guarda. Ele tem algo importante a dizer”.
18O centurião levou-o ao comandante e disse: “O prisioneiro Paulo pediu-me que trouxesse este rapaz. Disse que ele tem algo urgente para dizer”.
19O comandante tomou-o pelo braço e o levou para um lugar à parte. “O que é? O que você tem a me dizer?” perguntou.
20-21O sobrinho de Paulo disse: “Os judeus estão tramando contra Paulo. Vão pedir que o senhor leve Paulo ao Concílio bem cedo, sob o pretexto de investigar melhor as acusações contra ele. Mas é uma armadilha para tirá-lo daqui. Eles vão matá-lo! Neste exato momento, mais de quarenta homens estão preparando uma emboscada para ele. Todos fizeram um voto de não comer nem beber até que o matem. A emboscada está preparada, tudo que eles estão esperando é que o senhor o envie”.
22O comandante dispensou o sobrinho de Paulo com a seguinte advertência: “Não diga uma só palavra a ninguém sobre isso”.
23-24Em seguida, chamou dois centuriões e ordenou: “Peguem duzentos soldados para ir imediatamente a Cesaréia e também setenta cavaleiros e duzentos lanceiros. Quero-os prontos para marchar às nove horas da noite. Vocês vão precisar de duas mulas, para Paulo e a bagagem dele. Vamos levar esse homem são e salvo ao governador Félix“.
25-30Depois, escreveu a seguinte carta: De Cláudio Lísias, ao Mui Honrado Governador Félix: Saudações! Resgatei este homem de uma multidão judaica. Eles o prenderam e estavam prestes a matá-lo, quando eu soube que ele era cidadão romano. Então, enviei meus soldados. Querendo saber o que ele tinha feito de errado, apresentei-o ao Concílio deles. Descobri que o motivo eram diferenças religiosas entre eles, mas nem de longe algo que possa ser considerado crime. Soube também que fizeram um plano para matá-lo. Decidi que, por segurança, seria melhor levá-lo daqui quanto antes. Por isso, eu o estou enviando ao senhor. Avisei aos acusadores que ele está agora sob nossa jurisdição.
31-33Seguindo ordens, os soldados, levaram Paulo na mesma noite em segurança até Antipátride. De manhã, voltaram aos seus alojamentos em Jerusalém, enviando Paulo para Cesaréia sob a guarda da cavalaria, que entrou em Cesaréia e entregou Paulo e a carta ao governador.
34-35Depois de ler a carta, o governador perguntou a Paulo de que província ele era. “Da Cilicia”, foi a resposta. Então, ele disse: “Vou cuidar do seu caso quando seus acusadores se manifestarem”. E ordenou que Paulo ficasse detido na residência oficial de Herodes.
Atos
Capítulo 24
PAULO APRESENTA SUA DEFESA1-4Cinco dias depois, o sacerdote principal Ananias chegou com um grupo de líderes judeus; entre eles estava Tértulo, um advogado. Eles apresentaram ao governador sua acusação contra Paulo. Quando Paulo foi chamado ao tribunal, Tértulo falou pela acusação: “Honorável Félix, somos muito gratos sempre e em todo lugar por seu governo sábio e pacífico. Estamos conscientes de que é por sua causa que desfrutamos essa paz e as benesses de suas reformas. Não vou cansar o senhor com um discurso longo. Peço sua gentil benignidade em me ouvir. Serei breve.
5-8“Apanhamos esse homem várias vezes perturbando nossa paz, incitando motins contra os judeus em todo o mundo. Ele é o líder de uma seita sediciosa chamada Nazarenos, muito perigosa, devo dizer. Nós o pegamos tentando profanar nosso santo templo e o prendemos. O senhor poderá averiguar todas essas acusações quando o interrogar”.
9Os judeus o apoiaram: “É isso mesmo! Ele tem toda razão!”
10-13O governador acenou para Paulo, indicando que era a vez dele, Paulo então disse: “Considero-me feliz por me defender na presença do governador, sabendo quão justo o senhor tem sido em nos julgar todos estes anos. Estou de volta a esta terra há apenas doze dias — o senhor pode verificar essa informação com muita facilidade. Vim com o propósito definido de adorar em Jerusalém, na festa de Pentecoste e, durante todo este tempo, nada fiz de errado. Ninguém pode dizer que me viu discutindo no templo ou provocando alguma multidão nas ruas. Nenhuma das acusações deles pode ser comprovada com evidências ou testemunhas.
14-15“Mas devo confessar o seguinte: Sou seguidor do Caminho, que eles caluniosamente chamam de seita; de fato sirvo e adoro o mesmo Deus servido e adorado por todos os nossos antepassados e creio em tudo que está nas Escrituras. Admito viver na expectativa de que Deus irá ressuscitar os bons e os maus. Se esse é o meu crime, meus acusadores são tão culpados quanto eu.
16-19“Acreditem, esforço-me para manter uma consciência limpa diante de Deus e do próximo em tudo que faço. Fiquei fora da nossa terra alguns anos e agora estou de volta. Enquanto eu estive fora, levantei uma oferta para os pobres e a trouxe comigo, junto com a oferta para o templo. Foi enquanto eu fazia essas ofertas que eles me encontraram, durante minhas orações no templo, tudo feito de modo correto. Não havia multidão nem baderna. Foram alguns judeus de Éfeso que começaram a confusão. E o senhor perceberá que eles não estão aqui hoje. São covardes demais para me acusar.
20-21“Meus acusadores deveriam dizer em que crime me flagraram. Eles não podem se esconder atrás das palavra inócuas de Tértulo. A única coisa que eles têm contra mim é a declaração que fiz no Concílio: ‘É por que creio na ressurreição que fui trazido a este tribunal!’. Pergunto se isso parece ao senhor um ato criminoso?”.
22-23Félix hesitou. Ele sabia mais do que aparentava a respeito do Caminho e poderia ter resolvido o caso de uma vez por todas. Mas, inseguro por motivações políticas, preferiu adiar a questão. Por isso, declarou: “Quando o capitão Lísias vier, vou decidir o caso”. Ele ordenou ao centurião que mantivesse Paulo em custódia, mas com alguma autonomia, e que não impedisse os amigos de o ajudarem.
24-26Poucos dias depois, Félix e Drusila, sua esposa, que era judia, mandaram chamar Paulo para ouvi-lo falar a respeito da vida de seguidor de Jesus Cristo. Como Paulo insistia em relações justas com Deus e com seu povo e falava sobre a vida de disciplina moral e o juízo futuro, Félix começou a achar a conversa desconfortável e o dispensou: “Basta por hoje. Eu o chamarei quando for conveniente”. Ele também esperava que Paulo, em segredo, lhe oferecesse algum suborno. Houve várias conversas entre eles.
27Depois de dois anos, Félix foi substituído por Pórcio Festo. Também querendo agradar aos judeus e ignorando a justiça, Félix deixou Paulo na prisão.
Atos
Capítulo 25
APELANDO PARA CÉSAR1-3Três dias depois de Festo chegar a Cesaréia para assumir o posto de governador, ele subiu a Jerusalém. Os principais sacerdotes e líderes do povo renovaram seu desejo de vingança contra Paulo e pediram a Festo o favor de enviar Paulo a Jerusalém para responder às acusações. Uma grande mentira! Estavam ainda decididos a executar plano de preparar-lhe uma emboscada e matá-lo no caminho.
4-5Festo respondeu que Cesaréia era a jurisdição apropriada para Paulo e que voltaria para lá em alguns dias. “Vocês são bem-vindos”, ele disse, “para voltar comigo e acusá-lo, seja qual for o motivo”.
6-7Cerca de dez dias mais tarde, Festo voltou para Cesaréia. Na manhã seguinte, assumiu seu posto no tribunal e mandou trazer Paulo. Assim que ele entrou, os judeus que tinham vindo de Jerusalém o cercaram, gritando acusações absurdas, impossíveis de serem comprovadas.
8Então, Paulo tomou a palavra e disse simplesmente: “Não fiz nada de errado contra a religião judaica, contra o templo ou contra César. Tenho dito”.
9Mas Festo queria agradar aos judeus e insistiu: “Você gostaria de subir a Jerusalém e me deixar conduzir seu julgamento lá?”
10-11Paulo respondeu: “Estou de pé neste momento perante o tribunal de justiça de César, onde tenho o direito de estar, e aqui permanecerei. Não fiz nada de ofensivo aos judeus e sei que o senhor tem consciência disso. Se cometi algum crime e mereço a morte, enfrentarei a situação. Mas, se não há base para estas acusações — e o senhor sabe que não há —, ninguém pode me obrigar a prosseguir com este absurdo. Estamos perdendo tempo aqui. Apelo para César”.
12Festo conversou rapidamente com seus conselheiros e deu seu veredito: “Você apelou para César, então vai para César!”
13-17Poucos dias depois, o rei Agripa e sua esposa, Berenice, visitaram Cesaréia para cumprimentar Festo por sua nova função. Depois de vários dias, Festo apresentou o caso de Paulo ao rei. “Tenho um homem em minhas mãos, um prisioneiro deixado por Félix. Quando eu estava em Jerusalém, os principais sacerdotes e líderes do povo apresentaram várias acusações contra ele e queriam que eu o sentenciasse à morte. Deixei claro que esse não é o modo romano de fazer as coisas. Só porque um homem é acusado, não o condenamos. Em vez disso, damos ao acusado uma chance de encarar seus acusadores e defender-se das acusações. Então, quando eles vieram aqui, fui direto ao caso. Marquei o julgamento e pus o homem no banco dos réus.
18-21“Vieram acusadores de todos os lados, mas as acusações não passavam de implicância religiosa e de uma discussão sobre um homem morto chamado Jesus, que o prisioneiro alega estar vivo. Como sou recém-chegado e não entendo tudo que está envolvido em casos como esse, perguntei se ele queria ir a Jerusalém, para ser julgado lá. Ele se recusou e exigiu uma audiência diante de Sua Majestade, em nosso tribunal mais importante. Então, ordenei que ele voltasse a ficar sob custódia até que eu pudesse enviá-lo a César, em Roma”.
22Agripa disse: “Eu gostaria de ver esse homem e ouvir sua história”. Festo concordou: “Tudo bem. A primeira coisa que faremos amanhã é trazê-la e o senhor poderá ouvi-lo”.
23No dia seguinte, todo cidadão de Cesaréia que se considerava alguém deu um jeito de ir ao Auditório. Estavam ali também os militares mais graduados. Agripa e Berenice fizeram uma entrada em alto estilo e assumiram seus lugares. Festo, então, ordenou que Paulo fosse trazido.
24-26Então, Festo disse: “Rei Agripa e distintos convidados, olhem bem para este homem. Um grupo de judeus me pediu, em Jerusalém e depois aqui, que eu me livrasse dele. Eles exigem com veemência sua execução. Analisei o caso e concluí que ele não cometeu crime algum. Ele requisitou um julgamento diante de César, e concordei em enviá-lo a Roma. Mas o que eu vou escrever ao meu senhor, César? Todas as acusações feitas pelos judeus não têm fundamento, e não descobri mais nada que possa condená-lo.
26-27“Foi por isso que eu o trouxe diante desta comunidade, especialmente diante do senhor, rei Agripa, a fim de que possamos verificar se alguma acusação se sustenta, pois me parece tolice enviar um prisioneiro para lá tão longe para ser julgado e não ser capaz de oficializar um simples delito”.
Atos
Capítulo 26
A HISTÓRIA DA VISÃO1-3Então, Agripa falou diretamente a Paulo: “Pode fazer sua defesa”. Paulo tomou lugar e começou a falar: “Não posso pensar em ninguém melhor, rei Agripa, diante de quem eu desejasse responder a todas essas acusações dos judeus, senão o senhor, que conhece tão bem os costumes judaicos e as discussões internas.
4-8“Desde a minha juventude, tenho vivido entre meu povo, em Jerusalém. Praticamente todo judeu na cidade que me viu crescer — e basta alguém aqui olhar para mim para confirmar — sabe que vivi como fariseu zeloso, nosso grupo religioso mais exigente. E é por ter vivido e levado a religião a sério, comprometido de coração e alma com o que Deus prometeu aos meus antepassados — a mesma esperança que as doze tribos têm aguardado noite e dia todos estes séculos e a que tenho me apegado, essa esperança testada e aprovada —, que fui acusado pelos judeus. Eles deveriam estar sendo julgados, não eu! Pela minha vida, não consigo entender por que seria crime acreditar que Deus ressuscita os mortos.
9-11“Admito que nem sempre tive esta convicção. Por um tempo, pensei que era minha obrigação opor-me a esse Jesus de Nazaré com todas as minhas forças. Apoiado pela autoridade dos principais sacerdotes, a torto e a direito, lancei cristãos — sem saber que eram gente de Deus! — na cadeia de Jerusalém e, sempre que havia uma decisão por voto, eu votava a favor da execução deles. Eu invadia as sinagogas, obrigando-os a blasfemar contra Jesus. Eu era um terror, obcecado em destruir esse povo. Depois, comecei a fazer a mesma coisa nas cidades ao redor de Jerusalém.
12-14“Um dia, no caminho para Damasco, munido de documentos dos principais sacerdotes, que me autorizavam a agir, bem na metade do dia um brilho, uma luz mais brilhante que o sol veio do céu sobre mim e sobre meus companheiros. Ó rei, o brilho era inacreditável! Todos nós caímos por terra. Então, ouvi uma voz em hebraico: ‘Saulo, Saulo, por que você está me perseguindo? Por que insiste em ir contra o aguilhão?’.
15-16“Eu disse: ‘Quem és, Senhor?’. “A voz respondeu: ‘Eu sou Jesus, aquele que você persegue. Mas agora levante-se! Tenho uma missão para você. Eu o escolhi a dedo para ser um servo e testemunha do que aconteceu hoje e para o que vou mostrar.
17-18“‘Eu o envio para abrir os olhos dos que não me conhecem; assim, eles verão a diferença entre a luz e a escuridão e poderão escolher a luz; verão a diferença entre Deus e Satanás e poderão escolher a Deus. Eu o envio para apresentar minha oferta de perdão dos pecados e de um lugar na família da fé. Você irá convidá-los a fazer companhia aos que vivem de verdade porque creem em mim.
19-20“O que eu poderia fazer, rei Agripa? Eu não poderia simplesmente fugir de uma visão como aquela! Passei a crer e a ser obediente na hora e comecei a pregar, lá mesmo, em Damasco, uma mudança de vida radical para Deus e tudo o que ela significa na vida diária. Depois, fui para Jerusalém e para outras partes da nossa terra e de lá para o mundo inteiro.
21-23“É porque falo ao ‘mundo inteiro’, que os judeus me agarraram no templo naquele dia e tentaram me matar. Eles querem guardar Deus só para eles. Mas Deus esteve ao meu lado, como havia prometido, e digo agora o que tenho dito a todos: tudo que estou dizendo está de acordo com o que os profetas e Moisés disseram. Primeiro, o Messias deveria morrer; em seguida, iria ressuscitar. Ele seria o primeiro raio da brilhante luz matinal de Deus sobre as pessoas que estão perto e as que estão longe, tanto os que vivem na prática do mal quanto os que têm temor de Deus”.
24Festo não se conteve e interrompeu o discurso com um grito: “Paulo, você está louco! Você leu demais, passou tempo divagando demais! Volte para o mundo real!”.
25-27Mas Paulo ficou firme: “Com todo respeito, Vossa Excelência, não estou louco. Tenho plena consciência do que digo. O rei sabe do que estou falando. Estou certo de que nada do que eu disse parece loucura para ele. Ele sabe de tudo isso há muito tempo. O senhor precisa entender que isso não foi feito às ocultas. O senhor acredita nos profetas, não acredita, rei Agripa? Não precisa responder, sei que acredita”.
28Mas Agripa respondeu: “Um pouco mais, e você vai fazer de mim um cristão”.
29Paulo, ainda algemado, disse: “É por isso que tenho orado, para que, agora ou mais tarde, não apenas o senhor, mas todos os que me ouvem aqui, se tornem como eu — exceto, é claro, por estas algemas!”.
30-31O rei, o governador, Berenice e seus conselheiros levantaram-se e foram para a sala ao lado discutir a respeito do que ouviram. Todos concordaram quanto à inocência de Paulo, dizendo: “Não há nada nesse homem que mereça a prisão, muito menos a morte”.
32Agripa disse a Festo: “Ele poderia ser liberto agora mesmo se não tivesse requisitado uma audiência perante César”.
Atos
Capítulo 27
TEMPESTADE NO MAR1-2Assim que os preparativos para nossa viagem à Itália ficaram prontos, Paulo e outros prisioneiros ficaram sob supervisão de um centurião chamado Júlio, membro de uma tropa de elite. Embarcamos num navio de Adramítio que ia para Éfeso e para os portos do Ocidente. Aristarco, macedônio de Tessalônica, foi conosco.
3No dia seguinte, fizemos uma escala em Sidom. Júlio tratou Paulo muito bem. Permitiu que ele desembarcasse e desfrutasse a hospitalidade dos amigos daquela cidade.
4-8De volta ao mar, navegamos para o norte, sob a proteção da costa nordeste de Chipre, porque os ventos do oeste nos eram contrários, e, então, fomos ao longo da costa ocidental até o porto de Mirra. Ali, o centurião encontrou um navio egípcio que ia para a Itália e nos transferiu. Enfrentamos mau tempo e descobrimos ser impossível manter o curso. Depois de muita dificuldade, finalmente chegamos à costa sul da ilha de Creta e atracamos em Bons Portos (que nome!)
9-10A essa altura, havíamos perdido bastante tempo. Já era começo do outono, e dali em diante o clima seria tempestuoso, perigoso demais para a navegação. Paulo advertiu: “A única coisa que consigo ver adiante é um desastre, para a carga e para o navio, sem falar em nós mesmos, se navegarmos agora”.
12-11Mas aquele não era o melhor porto para passar o inverno. Fênix, poucas milhas adiante, era mais apropriado. O centurião não deu atenção ao conselho de Paulo e permitiu que o capitão do navio e o proprietário da carga o convencessem a tentar chegar ao porto seguinte.
13-15Com a chegada de um vento suave do sul, eles levantaram âncora, pensando que teriam uma navegação tranquila. Mas, tão logo se lançaram ao mar, começou a soprar um vento forte, o perigoso vento nordeste. O navio ficou sem controle, como uma folha na tempestade.
16-17Passamos rente a uma pequena ilha chamada Clauda. Conseguimos preparar um bote salva-vidas e puxar as velas. Mas os bancos de areia nos impediram de chegar mais perto. Só conseguimos evitá-los porque arriamos as âncoras.
18-20No dia seguinte, mais uma vez em alto mar e castigados pela tempestade, lançamos a carga ao mar. No terceiro dia, os marinheiros aliviaram ainda mais o navio. Dessa vez, livraram-se das provisões e dos equipamentos. Ficamos muitos dias sem ver o Sol e as estrelas. O vento e as ondas batiam no navio sem piedade, e perdemos a esperança de resgate.
21-22Nosso apetite por comida e pela vida se foram, então Paulo foi para o meio do grupo e disse: “Amigos, vocês deveriam ter me ouvido lá em Creta. Poderíamos ter evitado esta provação. Mas não há como desistir agora. De agora em diante, as coisas vão melhorar! Garanto que nenhum de nós vai se perder, ainda que não possa dizer o mesmo do navio — ele está condenado.
23-26Na noite passada, um anjo de Deus apareceu a mim, um anjo do Deus a quem sirvo, e me disse: ‘Não desista, Paulo! Você ainda vai estar na presença de César, e todos os que viajam com você também vão se salvar’. Portanto, prezados amigos, coragem! Creio que Deus fará exatamente o que me prometeu. Mas vamos naufragar perto de alguma ilha”. 27-29 Na décima quarta noite, à deriva em algum lugar no mar Adriático, por volta da meia-noite os marinheiros perceberam que estávamos nos aproximando da terra. Sondaram o fundo do mar, e estávamos a uma profundidade de 36 metros; pouco depois, de
27metros. Temendo a colisão com alguma rocha, lançaram as quatro âncoras e oraram pelo raiar do dia.
30-32Alguns marinheiros tentaram fugir do navio. Arriaram o bote salva-vidas, fingindo que iam lançar as âncoras da proa. Paulo percebeu a manobra e disse ao centurião e aos seus soldados: “Se esses marinheiros não ficarem no navio, todos nós vamos naufragar”. Então, os soldados cortaram as cordas do bote salva-vidas e o deixaram cair no mar.
33-34Perto do amanhecer, Paulo reuniu tripulação e passageiros e propôs um desjejum: “Este é o décimo quarto dia que estamos sem comida. Nenhum de nós comeu nada. Mas insisto em que comam alguma coisa agora. Vocês vão precisar de força para o resgate que está adiante de nós. Garanto que vocês sairão desta sem um arranhão!”.
35-38Ele partiu o pão, deu graças a Deus e o distribuiu, e todos comeram animados — 276 pessoas! Depois da refeição, estando todos satisfeitos, o navio foi aliviado de seu peso mais uma vez, agora da carga de grãos.
39-41Ao raiar do dia, ninguém reconheceu o lugar, mas estavam numa baía com uma bela praia. Decididos a levar o navio para a praia, cortaram as âncoras, soltaram o leme e seguiram o vento. Mas não deu certo. Ainda longe, batemos num recife, e o navio começou a se partir.
42-44Os soldados decidiram matar os prisioneiros, para que ninguém pudesse escapar a nado, mas o centurião, determinado a salvar Paulo, os impediu. Ordenou que todos os que sabiam nadar pulassem no mar; os que não sabiam deveriam se agarrar a alguma prancha. E todos conseguiram chegar à praia.
Atos
Capítulo 28
1-2Foi feita a contagem, constatou-se que todos se salvaram, e descobrimos que
estávamos na ilha de Malta. Os habitantes dali nos trataram muito bem. O dia
estava chuvoso e frio, e estávamos molhados até os ossos, mas eles fizeram uma
grande fogueira e nos reunimos ao redor.3-6Paulo prontificou-se a ajudar o grupo. Apanhou um punhado de gravetos, mas, quando o jogou ao fogo, uma cobra venenosa, fugindo do calor, mordeu a mão de Paulo. Vendo a cobra presa à mão de Paulo, concluíram que ele era um assassino que estava recebendo sua justa punição. Mas Paulo sacudiu a cobra no fogo, e nada lhe aconteceu. As pessoas pensaram que ele iria cair morto a qualquer momento, mas, como isso não aconteceu, concluíram que ele era um deus!
7-9O líder daquela parte da ilha era Públio. Ele nos hospedou em sua casa e nos trouxe roupas secas. Recebemos o melhor tratamento possível nos três dias seguintes. O pai de Públio estava doente, acamado, com febre alta e disenteria. Paulo foi ao quarto do ancião, impôs as mãos sobre ele e orou, e o homem foi curado. A notícia da cura espalhou-se rapidamente, e logo todos os doentes da ilha vieram até ali e foram curados.
ROMA
10-11Passamos três meses maravilhosos em Malta. Eles nos trataram como reis, cuidaram de todas as nossas necessidades e providenciaram o que foi preciso para o restante da viagem. Um navio egípcio, que tinha invernado no porto, estava partindo para a Itália, e embarcamos nele. O navio tinha esculpido na proa uma figura de deuses gêmeos.
12-14Ficamos três dias em Siracusa e depois rumamos para a costa de Régio. Dois dias depois, com o vento sul, navegamos até a bala de Nápoles. Encontramos alguns cristãos ali e ficamos com eles uma semana.
14-16Chegamos a Roma. Nossos amigos ouviram que estávamos a caminho e vieram nos encontrar. Um grupo chegou de longe, da praça de Ápio; outro grupo nos encontrou nas Três Vendas. Houve muita emoção, como se poderia esperar. Transbordante de louvor, Paulo nos liderou nas orações de gratidão. Quando finalmente entramos em Roma, eles permitiram que Paulo vivesse por conta própria, sob a vigilância de um soldado.
17-20Três dias depois, Paulo convocou os líderes judeus para uma reunião em sua casa e disse: “Os judeus de Jerusalém me prenderam sob falsas alegações, e fui trazido sob custódia para Roma. Garanto a vocês que não fiz absolutamente nada contra as leis ou contra os costumes judaicos. Depois que os romanos investigaram as acusações e descobriram que não tinham nada a fazer, quiseram me libertar, mas os judeus criaram tantos problemas que fui obrigado a apelar para César. Não quis acusá-los de nenhum erro nem deixar nosso povo em má situação com Roma. Já tivemos problemas demais. Fiz isso por Israel. Pedi que vocês viessem e me ouvissem hoje para deixar claro que estou a favor de Israel, não contra. Estou hospedado aqui por causa da esperança, não por juízo”.
21-22Eles disseram: “Ninguém nos escreveu para advertir a seu respeito e ninguém se manifestou para dizer algo contra você. Mas gostaríamos muito de ouvi-lo mais. A única coisa que sabemos dessa seita cristã é que parece que ninguém tem algo de bom para dizer a respeito”.
23Eles combinaram uma data. Quando o dia chegou, voltaram à casa de Paulo, com muitos amigos. Paulo falou o dia inteiro, da manhã até a noite, explicando tudo que está envolvido no Reino de Deus e tentando convencer todos sobre Jesus, com base no que Moisés e os profetas escreveram a respeito dele.
24-27Alguns foram convencidos, mas outros não acreditaram numa única palavra. Os descrentes começaram a discutir com os outros e estavam querendo confusão, por isso Paulo interrompeu: “Tenho apenas mais uma coisa a dizer a vocês. O Espírito Santo seguramente sabia o que estava falando quando se dirigiu aos nossos antepassados por meio de Isaías, o profeta: Vá a este povo e diga-lhes o seguinte: “Vocês escutarão com os ouvidos, mas não ouvirão uma palavra; Vocês enxergarão com os olhos, mas nada verão. Esse povo é cabeça-dura! Eles tapam os ouvidos com os dedos para não ter de escutar. Eles fecham os olhos para não serem obrigados a ver, e, assim, evitam ficar comigo face a face e me deixar curá-los”.
28Vocês tiveram sua oportunidade. Os outros povos terão a sua chance. E, acreditem, eles vão receber meu ensino de braços abertos!
30-31Paulo viveu dois anos na casa que alugou. Ele recebia todos os que iam visitá-lo. Falava sem descanso sobre o Reino de Deus e explicava tudo a respeito de Jesus Cristo. A porta de sua casa estava sempre aberta.